Eu estava lá Ainda que em algumas ocasiões tenha tentado resistir, a cada quatro anos sou tomada pela magia que as Copas do Mundo exercem sobre brasileiros. Minha lembrança mais antiga remonta ao lendário México 70. Pela primeira vez os jogos foram transmitidos a cores, mas quase todos tinham, apenas, TVs em preto e branco. A Embratel colocou telões no Rio, São Paulo e Brasília, os torcedores puderam conferir a seleção de Zagalo que venceu as seis partidas que disputou. Pelé, Tostão, Gerson e outros, fizeram parte daquela que até hoje é lembrada como a mais eficiente das seleções. Recordo o ruído dos chutes de Jairzinho e Rivelino, talentos que atualmente valeriam quantos milhões? Depois da grande vitória por 4 a 1 contra a Itália no dia vinte e um de junho, fomos para a “pipoca” domingueira da Assembleia Paraense. Embaixo, o Porão botava gente “pelo ladrão”. Rima infame, mas era assim mesmo. A partir da transmissão pela TV, gerações de torcedores vêm sendo formadas e hoje a melhor imagem é a de famílias torcendo pelo escrete canarinho. As Copas conseguem trazer para junto dos maridos esposas que detestam futebol durante os outros três anos. Em 2014, mulheres comentam mais que o belo tórax do Hulk; em 70, as (também belas) pernas do Leão eram alvo dos olhares femininos. Só nessas ocasiões eles, os maridos, não reclamam das observações assanhadinhas; finalmente podem torcer sem que as patroas reclamem, estarão juntos nessa aventura e, melhor, elas vão adorar futebol. Pelo menos até treze de julho, mulheres darão palpites, reclamarão da área “descoberta” e garantirão que não houve impedimento, não senhor. Durante as Copas do Mundo, como que por milagre, sabemos quando é (ou não) impedimento, acredite! As Copas conseguem essas façanhas de unir óleo e água, de nos fazer esquecer as sandices da presidente desvairada, os escândalos de mensalões e mensalinhos; transformam cada um de nós nesse ente que representa uma nação inteira: Sua Excelência, o Torcedor. Essa pessoa saudável que sente o peito doer diante da ausência do gol e jura que quase teve um infarto. Que veste com orgulho coisas ridículas e lembra, finalmente, de pedir ajuda aos céus, como se Deus não estivesse sendo invocado – convocado! – pelo adversário. Mas é claro que Ele nos atenderá, afinal, somos nós os brasileiros, o lado certo do jogo. Brasileiros lembram onde estavam ou o que faziam durante praticamente todas as copas depois dos dez anos; algumas trazem recordações especiais. Na da Espanha, em 82, quando a Itália deu vexame e acabou campeã, eu estava grávida da Verena.  Em 2014, na histórica Copa do Brasil, é ela a esperar a chegada de Clara e Maitê que poderão usar verde e amarelo na maternidade (se Deus quiser!) – com o Brasil já sagrado Hexa-campeão! (Se Deus quiser, de novo.) Apesar do Penta, a Copa de 2002, para minha família, é uma recordação triste. Enquanto o Brasil vencia a Bélgica por 2 a 0, nós velávamos meu pai, português naturalizado brasileiro e que torcia como se aqui tivesse nascido. Até a final, o Brasil será uma nação de torcedores, cada um fazendo promessas e mandingas, usando a mesma cueca, a mesma camisa, sentando no mesmo sofá; capazes de tudo para fazer parte da festa até o fim, pois o adeus é a dor de nada mais ter a dizer – ou fazer. Chutaremos a bola no pênalti, seremos como sebo nas canelas do Neymar. E quando tudo parecer quase perdido, virá aquela dor no peito…Deus, onde estás? Quando vi lágrimas brotando nos olhos do Júlio César, percebi que ele precisava de ajuda extra. Clamei por Nazaré e prometi que viveria sem chocolate até 20 de outubro. Deu certo. Mais uma bola… Até o Natal, jurei. Jesus! Eu sabia! Meu chocolate estava todo ali, naquela chuteira que errou e bateu na trave, na energia que tomou conta do Júlio. Ah! Eu sabia! Eu tinha que ajudar!

A terra do já teve.

Pois é, voltei.

Andaram perguntando a razão desta ausência que chega a quase um mês, como se a cronista não precisasse, de vez em quando, de uma tempo para apenas observar…

No fundo, nem eu mesma sei se consigo que entendam as razões desse silêncio, dessa falta de assunto; pode ser tanta coisa…

Márcia Cabrita deixou de escrever na última página da revista “Isto é” por não suportar ter que “parir” textos com data marcada. Ana Paula Padrão, colega de espaço, reconheceu que não lidamos bem com prazos. É verdade, mas não era esse o caso.

Não sei se os amados leitores já se sentiram assim, sem nenhuma vontade de dar opinião ou dizer qualquer coisa.

O me inspira é o que vejo. Tudo me parece tão bizarro, dos gastos da copa ao banheiro nojento do restaurante, que prefiro calar a virar palmatória do mundo.

Nas ruas de nossa cidade o que vejo é um desrespeito generalizado por parte da população que parece não ter um mínimo de educação para viver em comunidade. Quando falamos em população estamos todos incluídos.

Chego à conclusão que não haverá, jamais, gestor que dê conta. O enorme e mal cheiroso problema, somos nós. Os mesmos que reclamam da coleta do lixo – que passa na minha porta religiosamente, todos os dias, lá pelas onze da noite. Melhor calar-me. Não vai adiantar nada, mesmo.

Nossos cartões postais estão maltratados, quem quebra tudo isso? Pois é. No Epcot, em Orlando, com utilização mil vezes maior, tudo está no lugar. É que no exterior, somos civilizados.

Aluguei mobiliário e o que recebi foram peças danificadas, que ficaram expostas ao sol e à chuva, por locatários mal educados (sim, tudo isso é falta de educação!). Como reclamei e devolvi tudo, provavelmente ganhe a pecha de chata e coisas do tipo. Deduzo que além de maltratar o que não lhes pertence, a maioria não faz lá muita questão de ser bem atendida. Daí os serviços em Belém são essa lástima.

Recentemente me chamaram de “exigente” como se fosse um defeito. Realmente, quem oferece um serviço “meia boca”, não admite que o cliente queira receber o que comprou, seja um café quente, um copo limpo, um edredom bem lavado, uma comida que não esteja pingando óleo. Ou mesas inteiras.

Sou exigente, sim;  ainda não me acostumei com esse baixo nível de atendimento.

Belém caminha dois passos para frente, três para trás. E isso não tem nada a ver com a prefeitura, que ainda tem que repor carteiras quebradas, bancos de praça roubados e por aí vai.

O transporte urbano é horrível, bancos rasgados e nojentos, ônibus sucateados. Ok, as empresas deviam ser multadas diariamente, mas quem é que os deixa assim? Falta educação (e responsabilidade) ao empresário e ao usuário. Por que em Gramado é diferente? Ambos – empresários e usuários – são diferentes. Aqui, a mulher entra no shopping, enfia a cabeça no lavatório e lava o cabelo com o sabão líquido. Sacudiu a cabeleira respingando quem queria lavar as mãos e foi para o secador de ar quente, enxugar os cabelos, enquanto na pia, chumaços negros e encaracolados, entupiram o ralo. Ninguém disse nada. Nem eu.

Como é possível isso? Não bastasse ter que comer pão dormido nos domingos e feriados, na semana em que se comemorou (!) a volta de voos diretos para Lisboa, soubemos que os supermercados vão fechar nesses dias, às 14 horas. Que “mané” quer que a gente volte no tempo? Ninguém faz compras no domingo por diletantismo (e que fosse!), é uma necessidade que gera empregos e movimenta a economia; será tão difícil chegar a um acordo? Que paguem o que é justo aos empregados? Belém vai virar uma cidadezinha de interior? Até quando seremos a terra do já teve?

Viu porque, às vezes, é melhor se manter em silêncio?

 

 

Traição

Sobre traições e traidores

Existem traições e traições. Algumas, de tão insignificantes, nem merecem o título; outras são tão cruéis que poderiam ser tratadas como homicídio doloso (em que há a intenção de matar).

Homens e mulheres traem por razões diferentes; eles podem trair para “aparecer” na matilha, para experimentar algo novo, por pura “galinhagem” ou por hábito – são os que traem e morrerão traindo.

A traição masculina dificilmente tem como causa a parceira, se acontecer com você, não se pergunte o que há de errado consigo mesma; você não tem nada a ver com isso, acredite.

Já as mulheres… É difícil que a mulher satisfeita (ou feliz, como se dizia antigamente) traia. (A questão, me disse um amigo, é satisfazer uma mulher…) Por princípios, a mulher é fiel; quando não é, a maioria terá sempre uma justificativa que cumpre a autoindulgência. A “culpa” pode passar pelo marido, de quantas vezes foi infiel, como ele a trata, como se sente desprezada ou mal amada. Mulheres maltratadas podem “dar o troco”. Que assunto, não?

É um tema muito delicado, requer sutileza e calma; mesmo traidores contumazes preferem acreditar piamente que jamais foram ou serão vítimas dos próprios hábitos – homens, então, acham que  mulheres alheias podem ser capazes, mas as que os esperam em casa, para ouvir a mesma desculpa esfarrapada de sempre, não! Mesmo que tenha uma levíssima suspeita, escolhe acreditar que “ela não faria isso com ele” (mesmo que mereça!). Então tá; atenderei sugestão de uma grande amiga e falarei sobre quando as vítimas são as mulheres.

O que fazer? Ah, se eu soubesse de tudo um pouco…

Para ser franca, tenho a convicção que, se a relação vale a pena, sempre será melhor tentar vencer a crise; caso seja possível perdoar.

Existem mulheres que ficam constrangidas em assumir que perdoaram e pretendem dar ao próprio casamento uma nova chance. Isso é muito mais comum que você pensa; ou acha que é fácil reconhecer que foi enganada e perdoou, numa cidade em que todo mundo sabe de tudo?

Não é. Mas a gente consegue, desde que o perdão inclua virar a página e não ficar descontando essa duplicata o resto da vida. Penso que se o parceiro “vale a pena” e você gosta de estar com ele, o melhor é tentar novamente com quem, a princípio, você já conhece. Não, não estou sugerindo que deve aceitar “tudo” para não ficar só; apenas que avalie a perda com algo que chamam de intelig6encia emocional. Depois você solta os cachorros.

Nesses momentos percebemos a diferença entre lealdade e fidelidade. Já me disseram que isso é desculpa para trair. Não acho.

O parceiro leal, por mais que tenha “caído em tentação”, se preocupa com a esposa. Zela, inclusive, para que ela não fique exposta ou mais desrespeitada ainda. Ele não fala mal (nem bem!) dela, não a envolve na traição. E quando descoberto, continuará ao lado dela, mesmo sendo surrado. Isso é antigo? Pode ser, mas tem quem não se importe com a parceira antes, durante ou depois – o que piora tudo. Cometem sandices, aprontam “todas” e acham que serão perdoados sempre e sempre.  Desse tipo, querida, o mundo está cheio. Pise nele sem remorso e siga em frente.

Não sei bem o que responder, amiga leitora; o principal é que, se seu casamento vale a pena, se existe amor (lembre que homem é diferente!), será que você deveria desistir dele? Será que ele vai aprontar novamente? Seria tão bom se as respostas fossem fáceis; mas só você pode responder.

Caso perdoe, faça-o com o coração despojado de mágoas, só assim existirá alguma chance. Experimente listar as boas recordações. Escreva-as, para que se tornem mais vivas. Lembre-se de todas as vezes em que soube, de novo, que ele era “o cara”. E tente, só Deus sabe como, sepultar o que não merece ser recordado. De qualquer forma, escolha ser feliz, isso é o que importa.

E não se envergonhe por perdoar. Não somos as únicas, apesar da maioria preferir não tocar no assunto. Aliás, é uma boa prática, o  que acontece em Vegas fica em Vegas.

Resumindo: ninguém tem nada com isso.

 

Para Clara e Maitê

Não, João Carlos Pereira, não estou ‘retornando’ das minhas férias do teclado. Meus leitores – amigos que me estimulam – sabem que, lá pelas tantas, dou-me um tempo para apenas observar, sem a necessidade de dizer nada, de emitir qualquer opinião. Em um mês, os humores se acomodam e me oferecem a possibilidade de evitar meus próprios aperreios. Esse espaço – sagrado – não pode se tornar muro de lamentações. Então tá, é isso.

Mas voltei hoje por causa do Dia das Mães. Está certo, é uma data comercial, blá-blá-blá, mas todos nós a comemoramos; alguns com genuína felicidade, outros, por pura obrigação – o que não é meu caso.

A partir deste ano, não só o Dia das Mães, mas cada um deles, passou a ter um significado especialíssimo para mim e  para a nossa pequena e unida família. O milagre da vida está se renovando, e com ele, nossa própria disposição para a felicidade.

Ser feliz é uma escolha – e às vezes esquecemos disso e permitimos que terceiros decidam por nós…

Matheus e Verena, minha filha, aguardam a chegada de Clara e Maitê, duas meninas que já são nosso xodó desde os primeiros dias dessa gravidez que é um capricho da natureza, uma “mais velha” que a outra uns dois dias, se tanto.

Certa vez escrevi uma crônica dedicada aos netos que eu teria, um dia, se Deus assim o permitisse. Hoje, tenho tantas coisas a dizer que meu coração resolve crescer – com elas – e causar um efeito colateral que me enche os olhos d’água e me cala.

Pensamos que se pode ensinar tudo aos filhos – e netos – para que sofram menos e só conheçam alegrias. Lá no fundo, cada um de nós sabe que será impossível amparar todas as quedas, enquadrar o coleguinha que insiste em agredi-los, vigiar cantos escuros e esmurrar suspeitos. Talvez por isso, avós e tias bordem a oração do Santo Anjo em almofadas que deveriam ter GPS para que  todos os 72 anjos cabalísticos ficassem atentos, ainda mais que gêmeos têm fama de arteiros. De quebra, já as consagrei, por minha conta e risco, às Nossas Senhoras de Nazaré e Fátima, Santa Rita e Santo Expedito; acho que é uma boa equipe, para que se revezem conosco, nas atenções e cuidados.

Na pretensão de que posso ensinar alguma coisa além de misturar azul e amarelo para colorir um gramado de guache, resolvi, avó moderna que acho que sou, criar um blog secreto. Será um espaço que só elas, um dia, terão acesso para terem certeza do quanto foram e são amadas e como, de uma forma ou outra, modificaram nossas vidas – para melhor.

O essencial, que espero transmitir com exemplos e carinho é que amem a Deus sobre todas as coisas e jamais estejam longe D’Ele, que é Pai e a tudo proverá, sempre.

Que amem os animais como criaturas de Deus que merecem respeito. Falando em respeito, vale lembrar o que a gente aprendia e transmiti à Verena; os mais velhos, em particular aqueles velhinhos que vão ficando chatos (como os avós!) merecem carinho e paciência; lembrem que eles todos foram bebês, de pele macia e rosada – e esse é o futuro de todos nós.

Lembrem, minha doces jujubinhas, que em seus pais, reside a fonte de amor e confiança, que deve ser renovada para todo o sempre. É nela que vocês se alimentarão.

Um dia, as duas estarão a espera dos próprios filhos. Seria um milagre que vovô Henrique (que já caduca com vocês) e eu estivéssemos ao lado de cada uma, zelando com o mesmo cuidado, para que nossa pequena e tão amada família caminhe com o mundo. Seus pais estarão cumprindo esse ritual, devolvendo a vocês todo o amor e bênçãos que nos trouxeram desde aquele  novembro em que soubemos que Deus viria nos visitar.

Que Ele as abençoe, hoje, amanhã, sempre.

Feliz dia das Mães  a todos que sabem amar. É o que basta.

Divagações sobre o dia 8

Divagando sobre o dia 8

Escrever sobre o Dia da Mulher é sempre complicado. Tentei fugir, mas a data exige e todo ano tenho que escolher entre ser simpática ou sincera. E vocês me conhecem…

Primeiro, disfarço o quanto essas homenagens me soam estranhas. Falam das realizações femininas como se a grande surpresa fosse uma mulher realizar algo realmente importante – ou difícil. Uma m-u-l-h-e-r pilotando um Boeing! Cursando nano-tecnologia! Transplantando corações! E por que não? Isso já devia ter acabado, mas nessas datas, quem fez algo mais “difícil”, é tratada como um índio que cursou Harvard. Ambos, raridades. Pode?

Semana passada discutiram o “empoderamento” da mulher. Hã? É como chamam “ganho de poder”, dá para acreditar? É tão estranho, assim, mulheres dividindo o comando com homens?

( Eu deveria estar fazendo stand-up. Fazer graça não é difícil, o problema é ficar em pé!)

Melhor também fingir que não se debate mais a velha questão da igualdade. Francamente, o que mulheres precisam é de igualdade salarial e que sejam respeitadas as diferenças, isso sim.

Somos diferentes, em tudo e por tudo, lutar por igualdade entre os gêneros pode ser uma estratégia bem desfavorável.

Lembro quando tentei organizar a comemoração de um 8 de março há muitos,  e resolvi ouvir algumas do grupo. A maioria esperava outra coisa, que não a rosa dos anos anteriores. Muitas queriam ouvir e ser ouvidas.

Um ombro amigo. O século era outro, as conquistas aconteciam aos poucos, mas eram determinantes. (Lembra como eram espancadas – e mortas – sem que muito acontecesse aos criminosos?) E continuavam sentindo-se sós!

Atualmente, em briga de marido e mulher qualquer um mete a colher; não denunciar também é crime, sabia? Maria da Penha fez história.

Vítimas de violência quase sempre são agredidas por homens com quem deveriam construir um lar; é muito triste. Homens que não aceitam terminar a relação, mas são capazes de deixar os filhos para trás, sem nenhuma ajuda.

Daqui uns dias, será lançado mais um recurso para manter potenciais vítimas em segurança: o botão do pânico. Ao ser acionado, a polícia entrará em ação. Fantástico! Quantas mulheres poderão ser salvas do destino infame de morrer por não aceitarem a humilhação, a surra, a agressão moral e física?

É disso que mulheres reais, que tomam ônibus, fazem feira, criam filhos – seus e dos outros-, trabalham em casa e fora dela, precisam.

Precisam que Câmaras e Assembleias façam um pouco mais que Sessões Especiais e exijam que se cumpra a Lei da Creche. Quem tem falado nesse direito?

O que as mulheres querem, de fato? De vez em quando me pergunto isso. Penso que o colant de heroína já não me fica tão bem e que talvez seja bom pensar um pouco – só um pouco – mais em mim. (Será que sou só eu?)

Já não quero enfrentar batalhas que não valham a pena e, francamente, entre uma daquelas discussões sérias (e inúteis) e um belo risoto, escolho o segundo. Já não me interessam projetos que me sugam e acabam em nada; faz-me muito mal avaliar quanto tempo se perde com questões sem nenhuma importância. Talvez isso seja comum em mulheres de meia idade; ou idade e meia, como eu. (Mas também comemoramos a data, não é mesmo?)

Por fim, torço que as guerreiras, determinadas, e tantos outros adjetivos utilizados sem parcimônia nesse mês de março, não esqueçam que suas fiéis escudeiras são mulheres – ainda que nem sempre se deem conta disso.  São as mulheres com quem dividimos a intimidade dos nossos lares e vidas.

Nossas empregadas também menstruam e têm cólicas, muito mais problemas que todas nós juntas e, na grande maioria, além de suportar nossas famílias, quando chegam na própria casa, o que encontram pode ser assustador.

Foi Dia da Mulher para elas, também. Será que alguém lembrou?

(Talvez eu devesse tentar a comédia novamente…)

De outros carnavais

Outros carnavais

 

Diziam que era saudosista. A verdade é que todo paraense padece de saudade, em especial de si mesmo.

No meio da conversa, um amigo lembrou-lhe lugares que marcaram época: Troglodita, Papa Jimmy, Stop, Moenda e Acropol; Gemini, Tonga, Aquárius e sabe-se lá por onde mais passeavam as recordações de um tempo que insistiam, em não esquecer. Éram mais bonitos, saudáveis, sonhadores, apaixonados e poderosos. Podiam  tu-do – ou quase; o que, convenhamos, já era muito! E o carnaval?

Para minha surpresa, nas redes sociais algumas pessoas – mulheres na maioria – tentam tirar Momo do estado comatoso que o abateu, desde que os foliões foram escaldar-se nas areias do Sal – mais interessantes que as do Sahara, acho eu. A-la-la-ô-o-ô!

Amores de carnaval, quem não lembra?

Ele lembrava. E como!

Fechou os olhos fingindo cochilar, tentando driblar o olhar da esposa que, como scanner, não deixava passar a mais recôndita emoção.

Precisou conter o sorriso que aquelas lembranças trouxeram.

Ele saía em alguns blocos – inesquecíveis – e, se tivesse namorada “séria”, tratava de terminar duas semanas antes, para evitar “problemas”. Ciúmes, se é que me entende. O pior era quando ela resolvia sair também… Vila Farah, Bandalheira, Grande Família. Olhou a praia lotada e pensou que preferia estar na Presidente Vargas. Sentiu uma enorme saudade daquele tempo tão bom, em que amor era indolor e nova paixão se curava junto com a ressaca, com dois Engovs e um tacacá no Renasci. Ninguém precisava de terapia nem antidepressivos.

Ser feliz era muito simples.

Com sorte, o que acontecia no Carnaval (Ou em Salinas…) ficava lá mesmo. Quase como em Las Vegas. Quase…

Sentiu saudade do Opala com descarga livre, do rolê dominical na Praça do Pescador, com direito a Topless da morena na garupa da moto.

Ah, desculpe; você tem menos de quarenta? Pena, perdeu a época em que Belém era a cidade das Mangueiras, anterior a Idade dos Buracos, que deu origem à dos Camelôs, que deu origem… Bem, mas falávamos de que, mesmo?

Ah, os amores de carnaval que, reza a lenda, terminavam ao fim de cada festa.

O bom é que nem a nova paquera fazia questão que ele ligasse, não antes da quarta-feira, quando tudo voltava ao normal, inclusive papai e mamãe. Carnaval era para brincar, mesmo.

Quando a química era boa, o novo namoro durava e, com ajuda divina, poderia até sobreviver às férias de julho, quando o sol nos faria capazes de outras tantas sandices.

Acredite, sua mãe já usou coca-cola, óleo de aviação, colorau e até dendê para bronzear; teve segundas intenções com alguns dos rotundos e respeitáveis senhores que, naquele tempo, fariam você tremer nas bases, menina!

Câncer de pele não tinha assessoria de marketing, sexo seguro era manter os pais bem longe, os biquínis tinham que combinar com os tamanquinhos e todo mundo tinha conta no picolezeiro.

Muitos namoros “firmes” terminavam convenientemente na última semana de junho, quando o galã partia para Salinas. Se “aprontasse” todas, em  agosto talvez assumisse um noivado ultra rápido, com casório e lágrimas marcadas para até, no máximo, setembro. A noiva? A namoradinha de julho, claro! Tempos bons.

Ele lembrou que laguinho da coca-cola era quase desconhecido (pelo menos os pais não frequentavam) e o Farol Velho, seguro como uma pousada com teto-solar.

Nosso saudosista remexeu-se, enquanto lembrava de uma das jovens mais bonitas daqueles tempos, colega do Denis Cavalcante e que até inspirara uma crônica recentemente. Olhar cheio de promessas… O tempo, às vezes, é muito mau, mesmo.

- Amor… O que você está pensando? (O scanner…)

-Nada… Estava cochilando, respondeu, com ares de quem havia cometido alguma transgressão. Aquietou-se, olhando o mar.

Certas coisas é melhor não comentar. Só com uma amiga cronista.

Buraco negro ( ô gente sem noção!)

Buraco negro

Lembro da minha juventude, quando levantávamos nos ônibus para “dar o lugar” para idosos e gestantes, satisfeitos com próprio gesto. Também esperávamos as pessoas desembarcarem do elevador para poder entrar e, nas ruas, era raro ver lixo jogado de qualquer maneira. Era uma época em que os moradores cuidavam das calçadas, que eram varridas, numa boa.

O que aconteceu com nossos bons modos?

Quando se fala desses problemas daqui, tem quem ache que é implicância gratuita e logo lembre que em outro lugar qualquer,  é muito pior. E daí? Alivia alguma coisa, saber que em algum lugar no Maranhão ou São Paulo,  a coisa está pior ? Não, é o que venho dizendo.

O problema não é a administração pública, meu caro. Temos visto o esforço para manter a cidade limpa, drenar canais e capinar calçadas. Alguém podia me explicar o que custa manter a própria porta livre de mato ou sujeira?

Por que se joga tudo no canal? Fico irada com esse tipo de coisa.

Sei que já falei nisso outro dia, mas tema é muito sério. Vivemos uma crise de educação – e não estou falando de Enem.

Aquelas noções de civilidade, bons modos e boas práticas sanitárias que, até alguns anos, eram passadas de pai para filho e que, por conta da degradação, se perderam completamente.

Fico imaginando o que passa a PM, no 190, ouvindo casos que, com um mínimo de civilidade, não aconteceriam. É o infeliz que coloca 8 caixas de som na calçada no sábado, e resolve ouvir até a madrugada de segunda. Não passa pela cabeça do sujeito, que está negando o direito básico ao sono, que todo ser humano deveria ter? Não passa.

É o outro complexado (Só Freud explica!) que vai para Salinas e abre o capô para infernizar os demais com música ruim em altíssimo volume. Ele senta e aprecia a paisagem com expressão inequívoca de prazer. Prazer de incomodar. Você já viu algo assim?

Pois é. Numa grande loja de materiais de construção não havia um só gancho no banheiro, para pendurar a bolsa. Chata como sou, é claro que reclamei. E ouvi o responsável dizer que, primeiro usavam os cromados e, atualmente, optaram pelos bem baratinhos – que não duram uma semana pois são roubados. Acredite, algumas mulheres levam chave de fenda na bolsa, para afanar um objeto que custa R$2,90. Pode?

Na festa de quinze anos de uma celebrete local, coleguinhas (deve ser inveja, ô raça!) entupiram dois sanitários do clube com as toalhas bordadas (inveja! Inveja!) e dois rolos de papel higiênico. De quebra, destruíram a cesta de comodidades que a mãe da aniversariante havia deixado no ambiente, picharam o interior das cabines com batom, levaram o kit primeiros socorros, absorventes e tudo mais. Só sobrou a cesta.

Num restaurante, o Milk Shake vem num copo descartável. É que aqueles copos pesados são roubados por jovem com bolsas grandes. Elas levam saquinho plástico para “dar a Elza” no objeto.

Honestidade é convicção pessoal, mas o vandalismo é algo que vem surgindo sempre, independente da classe social. Que raiva é essa, que leva gente “normal” a destruir e roubar bens alheios? É pior que inveja – eu não quero o que você tem, não quero é que você tenha!

Só existe uma chance desse estado de calamidade não aumentar… As instituições – públicas e privadas – precisam, muito, se unir para resgatar esse “buraco negro” da nossa formação. Precisamos de aulas de “recuperação”.

Deveríamos investir verbas de propaganda em peças publicitárias que tentassem ensinar “a coisa certa”; nas escolas, deveriam alfabetizar crianças com frases com conteúdo, quem sabe entendessem que Ivo viu a uva e não pegou porque pertencia à outra pessoa. Cada aluno deveria ter responsabilidade sobre a própria carteira, divida com os de outros turnos. Quebrou? Conserte. Riscou? Pinte.  Em vez de multar, ensinar; em vez de dar, negociar.

Sei que temos especialistas que resolveriam a questão, rapidinho. Será que ainda temos alguma chance?

 

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