Babilônia e suas caraminholas

Imoralidades

Havia decidido nem tocar no assunto, tamanha a discussão nas redes sociais, mas a coisa chegou num ponto que é necessário refletir. Afinal, o que incomoda a tantos na novela “Babilônia”?

Vamos ao geral. “Um poço de maldades, praticamente ninguém “presta”. Quebrar pernas, matar sem remorso, traições sem fim…” OK. Agora responda: em que planeta você vive?

Trata-se de uma ficção, inspirada na… Realidade, claro! Querida, todo dia os jornais trazem coisa pior; talvez não tenha se dado conta, vou lembrar só algumas. Aqui mesmo, em Belém, um casal torturou e matou uma criança que servia de babá, Marielma de Jesus. Não foi um surto de violência, mas o desfecho de um ritual pervertido que envolvia sadismo e falta de compaixão. Vida real, aqui ao lado. Não dá para trocar de canal!

Matar o amante friamente? Savana Natália não teve problema de consciência quando atraiu o amante virtual, Joelson Ramos de Souza, para um motel, com a única intenção de matá-lo para roubar seus “bens”: dois mil reais (da indenização por ter pedido demissão para viver com a “mulher dos seus sonhos”) e alguns móveis surrados.

Se decidíssemos enumerar casos cruéis, seriam necessárias várias edições do jornal, mas esses dois constituem a violência bem próxima, que quase grita à nossa porta.

Traições. Será que precisamos lembrar casos famosos que já ouvimos falar? Do jovem que narrou a aventura da esposa em detalhes sórdidos no Facebook, sem respeitar os próprios filhos que viverão com esse estigma? Ou dos arranca-rabos que acontecem nas areias escaldantes de Salinas durante as animadas férias de julho? E todos saberão alguma que ainda não sei. Mas a novela incomoda por mostrar a vida como ela é,  jovens ganhando dinheiro com prostituição – que novidade! – consumindo drogas – que corriqueiro! – e, essa foi nova, estapeando a mãe que também não presta. Não tão nova, sussurra uma amiga, que jura conhecer história semelhante. Que coisa!

O prefeito ladrão. Ah, tá, isso é velho demais, mas a novela tem que ter personagens verossímeis, não é? Nada como um prefeito imoral, que nos faz lembrar o… Deixa prá lá, tenho pavor de advogados e processos em geral.

Então, o que é tão ruim, em Babilônia? O espelho?

Ah, o beijo entre duas senhoras. Quem se ofende está sendo duplamente preconceituoso. As pessoas preferem achar que idosos perdem a sexualidade e se transformam em santos. Meramente um passeio de mãos dadas é aceito, com aquelas caras bobas- “Que bonitinho!”. Bonitinho é a mãe, cara pálida. Aliás, por mais que você preferisse que ela só fizesse seu pratinho favorito, pode ser que, lá pelas tantas, ela faça sexo com o mesmo – ou quase – tesão de antigamente. Por mais que você abomine essa ideia (ou a estética do ato, em si) quando o idoso for você, garanto que mudará seus conceitos ridículos e ultrapassados.

Não seja boboca ao propor um boicote à novela. Ela, pelo menos é ficção. A grande e abominável imoralidade está nos noticiários, a fraude grassa por todos os setores e você fica aí, criticando novela para dar uma de (falso) moralista?

Acho uma graça! Depois de reclamar de um beijo entre dois seres humanos que se amam e se respeitam, você muda o canal para um daqueles enlatados americanos em que o assassino consegue matar a mocinha com alicate de cutículas, pedacinho por pedacinho. Ou acaba votando nos Malufs da vida.

Crie vergonha!

Coisa de jovens

Esses pobres moços.

Toda semana alguma notícia envolvendo jovens leva-me a tentar entender o que deu errado na clássica história da família que fez o possível para facilitar aos filhos acesso à faculdade, a um bom emprego; a tudo que, um dia, foi o sonho desses meninos e meninas que julgavam conhecer “tão bem”.

A primeira reação é procurar a causa na (falta de) educação recebida em casa, demonizando pais que, muitas vezes, são as maiores vítimas.

Ninguém acalenta um filho para ser, um dia, sua dor, mas pais serão sempre culpados por dizerem sim, por dizerem não, por não dizerem nada – ou tudo.

A razão está, quase sempre, bem longe dos lares onde essas quase crianças têm seu quartinho com a tecnologia desejada, camas confortáveis, roupas limpas e comida quentinha. Lares onde são aguardados todas as noites, com sono e apreensão, entre Pai-Nossos e  Ave-Marias, até ouvi-los chegar – e disfarçar o alívio, para que não percebam que estavam sendo aguardados. Para que não percebam que são as crianças que emprestamos ao mundo – e à tribo – por algumas horas, mas exigimos sua devolução, sãos e salvos. Inteiros. Vivos.

Os “bunkers” que pais mantém funcionando com esmero, não garantem que as distorções da sociedade que acolhe seus filhos, não os afetem de maneira irreversível. Como a morte.

Os que exemplarmente passam ao longe da influência do grupo, nem sempre são vistos como. Precisam de “tutano” para enfrentar o “bullying”, por mais velado que seja. Brincadeiras têm viés crítico aos que não bebem (muito), que namoram “firme” ou telefonam para os pais.

“Bom mocismo” virou “babaquice”, que deve ficar para trás, em última instância, nos cursinhos de vestibular.

E então transgressores viram os corajosos; rebeldes, heróis. Faz sucesso quem não é “comportado”.

Moças e rapazes não conseguem ser o que os pais almejaram. O grupo exige isso, mesmo que nenhum deles tenha consciência. E grupo é tribo; vestem-se de maneira parecida, usam celulares compatíveis, ouvem as mesmas canções. Bebem juntos, tomam coisas esquisitas, juntos. Faz parte do show inconsequente.

A maioria se acha “mais”. Mais legal, mais arrojado, mais forte. Nada pode acontecer com pessoinhas tão, tão… Daí é fácil tomar dois, quatro, sabe-se lá quantos comprimidos de “ecstasy” e virar o rei – ou a rainha – da festa. Quem se acha ‘mais’, busca mais.

Chora-se depois pelo bom moço, que na verdade esteve morrendo a cada dia um pouco, durante anos. O grupo perde o seu “guerreiro”, depois de pavimentar, com convenções não escritas e malmente ditas, o caminho que só tem um destino final. Nas redes sociais o lamento não implica reflexão.

Os leitores dessas tragédias cotidianas oram em silêncio para que, daquelas tribos, alguns sobreviventes saiam ilesos, capazes de obter sucesso – de fato e de direito.

Jovens precisam que adultos em geral (a sociedade e os familiares) consigam transmitir valores renovados, com apelos mais robustos que a popularidade idiota dos concursos de bebidas ou das noitadas nas baladas. Precisam de bons exemplos, boas conversas e boas rédeas. Precisam saber que podem perder.

Que línguas devemos falar para conseguir o diálogo? De alguma maneira, devem entender os riscos e a fragilidade da vida, que é curta para tantos sonhos, mas longa demais para quem carrega uma enorme saudade.

Mulheres reais

Mulheres reais

Ela poderia se chamar Maria, Rosa, Raimunda, Eliana. Das Dores ou Raquel. Poderia ter um nome bíblico, um nome comum ou um nome da moda. Tanto faz como se chamasse, desde que tivesse um futuro melhor.

Dizem que é  “como se fosse da família”, mas dorme no quarto apertado, não tem chuveiro quente nem é herdeira de nada. Não, não é da família, pelo menos não da sua.

Ela acorda antes das cinco. Dá um café com leite para os filhos, com pão torrado na boca do fogão, para não gastar tanto gás. Arruma a comida do companheiro na marmita e a das crianças, deixa na geladeira. Ajeita um arremedo de merenda e coloca na sacola dos pequenos, que não querem sair da rede na manhã chuvosa. Tenta deixar a casa em ordem e sai logo depois das seis, na esperança de conseguir pegar o ônibus, antes que esteja lotado.

Março em Belém é chuva sem hora para começar ou para acabar. Ela arregaça as calças e guarda os sapatos numa sacola de supermercado, junto com uma toalhinha puída.

“Deus proverá!”, agradece aos céus por sentar “na janela”, que deixa bem fechada. Até o Entroncamento, “lanceiros” tentam puxar as pertences de quem dormita com a cabeça apoiada no vidro. E como resistir a 40 minutos de sono, apesar das freadas e dos solavancos?

Ela desperta minutos antes do ponto. Enxuga os pés, guarda o trapo atoalhado, calça os sapatos e desce, esforçando-se para evitar a água e a falta de calçamento.

Chega à sua casa pouco antes das oito, rescendendo a um perfume que você jamais usaria, usando roupas que já foram suas, anos atrás. E você reclama do café que vai sair tarde, do seu atraso crônico no escritório e de outros tantos mal feitos. N a verdade, você não tolera acordar cedo.

Ainda em jejum, ela lhe serve uma bela fatia de queijo branco (que nem conhece o paladar), coloca pão sem glúten (que não sabe bem o que é) na torradeira, espreme 5 laranjas para fazer um copo de suco (que não toma) e procura na geladeira o mamão e a geleia que você gosta tanto.

Lá pelas nove, quando finalmente você tiver saído – não sem antes de uma lista de recomendações e idas e vindas atrás das suas chaves e do seu celular, ela irá sentar-se no banquinho da cozinha e tomará uma caneca de café com leite, enquanto assiste só o comecinho da Ana Maria Braga – e lembra que março não é só o mês das chuvas, mas diz-se por aí que é o das mulheres. Tanto faz. Na vida dela, nada muda, seja lá que mês for. Nada muda quando precisa amanhecer na fila de um posto de saúde de onde sairá sem os medicamentos – de que vale a receita, se não os pode comprar?

Ela vai lavar suas roupas “de mão e de máquina”, fazer o “bife-arroz-feijão-batata-frita-e-farofa” que seus filhos comerão felizes, arrumar e limpar sua casa do jeito que der. Ainda vai ao supermercado comprar ovos e pão fresco, para o lanche que deixará semipronto.

Quando você chegar reclamando que ela poderia fazer “alguma coisa diferente” (coisa essa que você nem sugere ou determina) ela ainda estará balançando no segundo ônibus, rezando para que o marido não pare no bar a caminho de casa – e que a vizinha não tenha se atrasado para ir buscar as crianças na parada.

Não houve dia da Mulher, disso ou daquilo. Nada foi diferente na vida dessas mulheres que tornam possível existir a tal mulher moderna que você acha que é.

Inesquecível!

Inesquecível

Todo final de ano é aquela lenga-lenga das listas intermináveis de “coisas” a fazer que, para chegar até a metade, você precisaria nascer de novo. Desisti desses sonhos mirabolantes depois de verificar que, de cinco “decisões para o ano novo”, quatro eram as mesmas desde 2008. Melhor seguir a vida e tentar reinventar-se aos poucos, sem cobranças e,  francamente, não conheço ninguém que tenha emagrecido ou deixado de fumar por conta de uma decisão de fim de ano.

Se já não faço promessas, olhar para trás e avaliar o desempenho é essencial para colocar a cabeça em ordem. Valorizar o que foi bom e tentar aprender com o que foi, digamos, nem tanto. E 2014 para a cronista não foi bom; foi ótimo, sob todos os aspectos.

O melhor, todos sabem: tornei-me avó das gêmeas e blá, blá, blá. De quebra, estou livre da neura de tentar manter a juventude a qualquer preço, crivar a testa de botox e coisas do tipo. Sou avó, meu colo é confortável e estamos conversadas.

Uma das lições que esse ano memorável – apesar da seleção, da Dilma e da enorme quadrilha que vem acabando com o país – me ofereceu, foi justamente no jogo em que soubemos o que é “levar uma surra”, de fato. No 7X1 que ficará feito tatuagem em nossas lembranças, os atletas (eles, sim.) alemães usaram a melhor pelica que se pode encontrar nos dias de hoje. Tão elegantes e contidos em sua vitória que, lá pelo quinto gol era fácil perceber o constrangimento pela humilhação que os arrogantes donos da casa (e da bola) estavam sofrendo. Dependesse deles e não dos nossos craques de araque, o escore teria sido menos aviltante. Gente de primeiro mundo, sabe como?

Quem dá por certa a vitória e cede à arrogância do “já ganhou” sempre se dá mal. Está anotado no meu caderninho.

Foi um ano em que, mais uma vez, percebi o quanto devemos ser cada vez mais seletivos ao eleger quem pode fazer parte do círculo especial que chamamos de amigos. Existe um mito que diz que “amigos podem tudo”, até passar “anos sem se ver”.  Desculpe, mas justamente esses é que não podem “tudo”. Não podem faltar ao casamento de uma filha sua, sem informar que estarão ausentes em tempo hábil para você substituí-los. Não podem passar um ano sequer, sem tomar conhecimento se você superou aquele problema ou mudou-se para Cochabamba. Conhecidos ou colegas (que você vê com frequencia, mas não têm lá grande importância) até podem (mas não deveriam) fazer esse tipo de coisa. Amigos? Jamais!

Amigo não fica calado quando atacam sua reputação. Se for impossível defender, levante-se e vá tomar ‘uma fresca’.

Então anote aí: esperar menos, confiar menos, escolher mais.

Esse ano, em que quase faltou tempo para mim, também aprendi que você “vai” e o resto (casa, filhos, reformas, sofás que precisam de novo estofamento, máquinas que param de funcionar no pior momento…) fica.

Muitas vezes dormi mal pensando que não havia arquivado as contas do mês, que não fazia ideia do que faltava ou sobrava na dispensa, que não tinha o que vestir no casamento de sábado. Tantas que cheguei à conclusão – óbvia  – que preocupar-se é tempo jogado fora. Se não dá para resolver, relaxe e durma um pouquinho mais, você ficará menos mal humorada. De resto, casas ficam meio bagunçadas de vez em quando e ninguém morre.

Dormir mais, rir mais, cobrar-se menos.

No ceia de Natal, fiz questão de ter uma determinada batata palha à mesa. Tive que convencer a fornecedora a fritar mais um pouquinho, para atender a antiga cliente. Satisfeita, voltei-me para o que faltava, quantas rabanadas para cada, todas no mesmo tamanho… Mil detalhes!

No dia 26, encontrei o pacote de batatas, intacto. Não foram servidas e ninguém sentiu falta!

Na vida é mais ou menos a mesma coisa. Você padece sob a pressão do que reputa como importantíssimo – o vestido do casamento, meio milímetro de cabelos brancos, três anos a mais no “scotch” da festança. Depois é que percebe que o importante era muito, muito mais sutil.

Que nesse ano você possa anotar as melhores recordações e esquecer o que não faz jus às suas memórias. E que esteja sereno o bastante para que 2015 possa surpreendê-lo!

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais uma de Natal

Então é Natal!…

…Que chega antecipando despedidas, tornando-se mais especial ainda.

No Shopping lotado, procuro uma camiseta do Homem Aranha e só encontro tamanhos infantis. “Compra qualquer coisa”, sugere o colega. Como assim?

Presentes – mesmo as lembrancinhas – são exatamente isso, algo que se escolhe especialmente para alguém. Tem que ter “a ver”; se possível, ser “a cara”.

Confiro a lista que esbarrou em 60 nomes, entre familiares, amigos e colegas. Muitos é verdade, mas meu coração está em festa; se possível fosse, incluiria outros mais. Como o senhor que me cumprimenta alegremente todas as manhãs e disse que pediu ao filho para mostrar-lhe minhas netinhas no Facebook. Tem gentileza maior? Incluo o S. Antônio, tentando pensar em algo que ele gostasse, e que coubesse nesse orçamento.

Existe quem não perceba a presença de Jesus Cristo nessas comemorações; dizem até que Papai Noel é mais lembrado que Ele. Tolice.

Em tudo que acontece está o Seu toque. Nesse aperto no coração, nessa vontade de ligar para alguém apenas para dizer “Sinto falta de você”.

Nesse banzo que nos faz ter certeza da provisoriedade da vida e de tudo o mais.  Ah, se o tempo voltasse atrás e, como o Super Homem na canção, tivéssemos a chance de mudar não só o rumo da história, mas das nossas escolhas?

É Natal, fenômeno que transforma pessoas, toca corações com generosidade e nos faz elos de correntes do bem. O Natal nos faz solidários.

Penso no que poderia desejar para mim mesma… Constato que nem as viagens que ainda não fiz, fazem parte de desejos ardentes.

Esse foi um ano especial sob todos os aspectos. Todos.

Sem falsa modéstia ou temor dos olhos gordos que possam me enxergar, fui muitíssimo feliz e estou satisfeita comigo mesma. Bom isso, não é? Bom não, é ótimo!

Profissionalmente, venci desafios, aprendi muito e conquistei (graças a uma equipe dedicada!) os melhores resultados que poderíamos alcançar.

Pessoalmente, recebi a bênção de me tornar a avó coruja (e daí?) e agradecida de duas preciosidades: Clara e Maitê.

Amanhã a casa estará iluminada, com a minha pequena e amada família em volta da mesa onde o que mais importa, não é decoração ou cardápio repleto de frutas e coisas que farão estágio na geladeira antes de serem descartadas.

Estaremos todos unidos na esperança de que cada um conquiste a graça de receber o que lhe falta, seja saúde ou um bem material. Principalmente, estaremos juntos para celebrar e agradecer, trocando não presentes, mas afagos embrulhados em papel brilhante e fitas coloridas.

Vamos saborear o bacalhau da mamãe, as rabanadas da Sandra, lembrar que o peru que minha irmã faz é imbatível e sentir a falta, no fundo de nossos corações, dos ausentes.

É nosso primeiro Natal com as gêmeas e gostaria que meu pai – chamado por todos de “Vôzinho”- pudesse tê-las conhecido e compartilhado da bênção de amor que elas trouxeram. Amor que se renova a cada sorriso.

Sinto um aperto no peito, vontade de chorar como criança, mas tento confortar-me com a certeza que ele as conheceu antes mesmo que soubéssemos que viriam.

Acomodo-me para um café, esperando que o nó na garganta me deixe respirar. Em frente, o rapaz toma um chope lentamente, olhos tristes e úmidos fiscalizando o relógio. Parece decidir dar ao tempo mais uma chance.

Depois de pensar na vida, sinto a serenidade tomando conta de mim. Como é bom estar em paz.

Desisto do Homem Aranha e procuro o presentinho ideal para o Seu Antonio; de quebra, acrescento o André, sempre atencioso. Algo que signifique que eu não os esqueci, quando o Natal tocou meu coração- só isso.

Enquanto recolho as sacolas, olho para a mesa em frente. O homem dos olhos úmidos levanta-se e recebe uma jovem com um longo abraço. Ele estava chorando, sim.

Alcanço o corredor lotado imaginando quantos estarão dando ao tempo mais uma chance porque é Natal.

Adoro esse clima de filme de Frank Capra. Pessoas sorrindo um pouco mais, perdoando um pouco mais, amando um pouco mais.

E nisso tem muito de Jesus Cristo. Amém.

Feliz Natal!

Quando se ama tanto…

Da distância e do amor

Pretendia escrever sobre o Natal, confraternizações e amigos ocultos, mas um assunto me chamou atenção, talvez porque o clima natalino favoreça essas conversas sobre o coração e seus caminhos; as andanças que um bater mais rápido pode nos causar.

Nem sempre o amor é fácil. Ou vizinho.

Se a tecnologia nos deixou mais próximos, favoreceu relacionamentos que julgávamos impossíveis. A moça do Pará, casando-se com um jovem de Dubrovnik. “Du”… onde?

Croácia, querida. Um lugar lindo, do outro lado do planeta, distante várias escalas e conexões!

O casal resolveu a questão da distância. E quem não consegue essa façanha, faz como?

Numa conversa entre mulheres, a amiga me perguntava se a distância sentencia o amor à morte.

Como poderia ser sincera, sem desanimar uma relação que pode até, dar certo?  A ausência é o veneno que mata qualquer relação, aos poucos, quase sem que a gente perceba. E o outro pode morar ao lado, tanto faz.

Já não sou a melhor pessoa para falar desses amores que muito precisam enfrentar; o tempo nos faz menos crédulos – e mais práticos.

Não conheço paixão que tenha sobrevivido à maldade da distância por muito tempo, e mesmo o amor – mais calmo e determinado – requer que a distância, se existir, tenha prazo certo (ou quase) para terminar. Amor gosta de rotina, de convivência.

Ao contrário, sei de vários enredos que acabaram se perdendo, como garrafas ao mar.

O que se pode dizer à bela mulher que vive – nasceu, cresceu, consolidou a carreira, teve filhos e netos – aqui e, por esses caminhos que só a internet explica, “conheceu” um homem que parecia “seu número”, não fosse o fato de morar do outro lado do Atlântico. Teria um final feliz?

Depende.

Nossa heroína pode enamorar-se, mas jamais voltará a ser a mocinha que casou de véu e grinalda. O que ela espera dessa relação?

A maioria das mulheres perde – um pouco – do romantismo dos tempos primaveris, mas continua esperando um amor que a complete, sob todos os aspectos. Um homem que saiba amá-la e a valorize com gestos e palavras, ampare quando a vida não for tão boa e tenha mais qualidade naqueles momentos que os mais jovens costumam julgar pela quantidade.

Um homem maduro, interessante, com quem o assunto pareça interminável. Que goste da mesma música.

Como superar a distância sem que um dos dois abra mão da própria história, que saiba transplantar a vida como se fosse a muda de uma árvore adulta e – o mais importante – que jamais lhe cobre o esforço dessa mudança?

É bom lembrar que a relação vivida “aos intervalos” sempre parece muito mais interessante e harmônica do que aquela em que a convivência inclui não só os bons, mas os maus momentos. Será que depois de “casar” tudo continuará um mar de rosas?

Ninguém sabe – e é por isso que as paixões, os amores, são tão envolventes. O imponderável. Esse mago hipnotizante.

Com riscos ou não, as tais borboletas no estômago não têm preço. E quando você encontra a outra banda… Como manter a racionalidade e desistir?

No começo, a adrenalina é tanta que tudo, até os voos mais longos, parece fazer parte de uma vida mais emocionante.

Os jantares são especiais. As saídas, programadas e muito aguardadas. Tudo é excitação enquanto é novidade.

Lá pelas tantas, ir e vir já não é tão fácil. Num certo momento, você precisava dormir abraçadinha ou apenas conversar “olho no olho”. Resta o skype, ou “olho na tela”. Quem já não teve problema com uma frase escrita, que não carregava o tom de voz que mudaria todo o sentido?

A ausência é tão cruel que nos acostuma com a “não presença” do outro. E como essa história continua?

Só sei que ninguém nasce para viver sozinho, nem que exista um mar no meio, cheio de garrafinhas indo e vindo.

Aproveite, amiga, enquanto durar. Quem sabe como será?

Isola, pé de pato…

…Mangalô três vezes!

De repente, no melhor daquela festa ma-ra-vi-lho-sa, você fica mal humorada, implicando com tudo e todos, e nem se dá conta da razão.

A ‘melhor amiga’, está melhor do que devia. Quitou o apê, trocou o carro e ainda emagreceu uns quilinhos; não bastasse, circula no modelito que você tanto namorou mas não conseguiu “casar”. Que ódio!

Você começa a encontrar os defeitinhos da festa, como se a vida fosse uma eterna competição. “Os nossos Bem-casados estavam mais saborosos!” sentencia, tentando marcar um gol, meia década depois da “sua” festa.

Aliás, você estava cheia dessa Pollyana, que ri de tudo, parece muito bem, obrigada.

(Sabe-se lá de onde vem essa grana, que ela torra com roupas!)

Deu até vontade de derrubar o ponche, no vestidinho “nude” que a infeliz estreou, ofuscando a sua legítima Fendi – que ninguém notou. Ficou na vontade, mas foi difícil controlar. E ainda teve a co-ra-gem de dizer que você tem “um rosto tão bonito…”. Só gordas escutam isso, cretina! Cretina é forte, eu sei, mas ela é, e você tem certeza.

Um dia, ah, ela que aguarde, você ainda vai plantar uma notinha bem maldosa numa coluna beeem lida, vai ver só!

Dava para perdoar tudo, mas “isso”, never!

Sente-se melhor imaginando uma vingança.

Vingar-se de que, mesmo?

(Como? Você? Reconhecendo isso?)

Provavelmente a vodka tenha reanimando até recordações mais remotas, de uma época em que a outra era apenas aprendiz e você brilhava em espetáculo solo.

Nas brincadeiras de casinha, nos passeios de bicicleta e nas quedas naquele rinque de patinação, a amiga estava lá, pronta para rir das suas piadas, dar uma força quando o mancebo da vez não ligava. “Fazer o papo”, era assim que se dizia.

O que aconteceu com ela? Ela?

Na verdade, o que aconteceu com você, pensa com o coração apertado, uma vontade enorme de chorar quando alguém teve a infeliz ideia de colocar “Just Way You Are” para tocar. Que saudade de si mesma.

O que aconteceu com você, com a felicidade que queria tanto e não sabe onde perdeu?

Invejosa? Você? Imagina, santa!

A Inveja é um dos sete pecados capitais que a Igreja Católica identificou no Concílio de Trento (1545 a 1563), com o objetivo de estabelecer valores a serem adotados pelos católicos, ameaçados pelo crescimento do protestantismo.

O Papa Francisco, o mais “antenado” que já se viu, chamou atenção sobre o hábito de “fofocar”, que é um dos frutos (ou sintomas) da inveja.

Mas… Se você nunca sentiu inveja, ainda não nasceu.

O problema acontece quando ela comanda nossas emoções e nos torna pequenos, mesquinhos, incapazes de reconhecer que alguém que pode parecer (ou ser) ‘mais’ em algum momento.  A inveja cega – e mata. E é tão difícil livrar-se dela.

Aceitação incondicional é coisa para quem confia em si mesmo, mas nem sempre estamos seguros ou bem-resolvidos. (Já notou que ninguém pode melhorar sem levantar suspeitas?)

Ter como amigo quem consideramos ‘menos’ é mais confortável. Menos bonita, menos rica, menos educada, menos estudiosa, menos brilhante, e que preenche a nossa solidão na medida certa, ou seja, ‘menos’. Ela (ou ele) não incomoda.

Olhar de igual para igual, perceber que a garota sem graça se tornou um mulherão e continua sendo amiga leal; que o outro passou naquele concurso de primeira e continua um bom-companheiro… Isso não é para qualquer um não, baby!

Há que se ter tutano, autoconfiança, acreditar nos sonhos que sobreviveram e esquecer os impossíveis.

Ou vai continuar se roendo, cada vez que achar que ela, a “oportunista”, roubou alguns dos seus flashes?

No mais, além de livrar da inveja, tente manter distância dos invejosos. Por mais que você nem esteja “se achando”, lembre que o invejoso não quer o que você tem – ou é. Ele não quer que você tenha – ou seja. Simples assim.

Isola, pé de pato e… Bom dia!

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