>P da vida!

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Carta de (más) intenções:
Todo mundo já se perguntou, em algum momento, o que está fazendo ‘aqui’.
Eu também. Todo domingo, ao pensar nessas linhas, me interrogo até quando e me convenço que não passa dessa terça…
É um acesso recorrente, que me faz delirar sobre o presente, o tal do futuro e aquela janela eternamente acesa, lá pras bandas da Lomas, me espiando como se acompanhasse meus dilemas, essa intrusa…
Já escrevi sobre essa luz que desafia a escuridão, um clarão perdido mesmo quando o luar se deita sobre as duas insones, a janela e eu.
Quem habita aquele retângulo iluminado? O que faz que não se recolhe durante a noite, como as aves aqui do quintal vizinho, sem paz para dormir sob a lâmpada que entorta o ciclo biológico, fazendo esse galo enlouquecido se colocar a cantar sem nenhum nexo? Ele no galho de uma goiabeira torta, eu nesse teclado, quase morto.
Rui Veloso, meu adorado cantor de além mar, já disse que todo mundo tem um lado lunar, uma face obscura que nem sempre se quer mostrar.Hummm, como a humanidade se torna mais interessante quando penso que todos temos esse viés de mistério!
Na madrugada, descubro que meu lado negro tem brilho e que talvez, esse sim, possa me guiar nesse questionamento que está mais freqüente e incômodo que a TPM, que dá sinal de vida entre um surto e outro.Acho que minha menopausa foi abduzida por algum ET de maus hábitos, que sacana. Eu já deveria ser uma pré-avó e não estar feito lagartixa, credo!
È, eu devo ser exótica, no mínimo.
Sem saber o caminho, decido o que ‘não mais fazer’, pelo menos não de bom grado.
Selo uma carta de más intenções com a mesma determinação dos que disseram que jamais se apaixonariam novamente. Sei que não levarei nada a sério.
– Não mais sentirei falta do convite que não veio, o do grupo do qual jamais fiz parte, realmente. Me bastarei como se bastam os loucos caminhantes da Almirante; nus, descalços, sobre o asfalto escaldante, marchando, balançando sus intimidades murchas e debochadas. Onde já se viu um insano sucumbir diante da dor ou da saudade?
-Não, não mais tentarei me convencer que posso alcançar o sorriso, quando minha verve estiver assim, meio palhaça, meio cheio de graça. Não pode ser meu carma, o meu destino obrigatório, esse brincar com tudo e quase todos. Haverei de rir, quando me apetecer. Ou me for impossível resistir, principalmente de quem se pensa muito sério para o papel. Mas nem pensem que tenho como ofício o vosso riso, poupem-me dessa cobrança descabida.
-E falando em ofício, não mais trabalharei de graça, nessa cortesia sem fim que muito me custa e não o enriquece. Não essa migalha, que me daria alforria das colaborações em nada espontâneas, que servem apenas como dreno desse mar que palavras, torrente de idéias que me sufoca ou vasa, devassa.
-E não mais me quedarei a esse choro que agora me faz pensar: mas eu preciso tanto!…
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