>Lula e Sarney : respeitem os cidadãos comuns!

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Não entendi tanta comoção por conta de mais uma das declarações de Lula, como sempre bem ao ‘estilo Lula de ser’. O presidente foi sincero ao declarar que achava que Sarney não deveria ser tratado como um homem comum. Em respeito aos cidadãos comuns, sou obrigada a concordar com quem entende da matéria, já que na década de 1980, Lula rotulou Ribamar – o Sarney, de “grileiro do Maranhão” e ladrão. Isso mesmo, larápio. Quase trinta anos depois, ambos estão, digamos, numa categoria diferente.
No mais, quem não conhece alguém que se julga “melhor”, por causa um cargo público ou da situação sócio-econômica diferenciada ?
Atual vereadora de Maceió, a sempre destemperada Heloísa Helena, recentemente também foi vítima dessa mania de superioridade, atacando uma colega vereadora, aos gritos de “porca traidora”. Alguém consegue imaginar o escândalo, se a agredida fosse a insossa parlamentar?
Belém está “assim” de gente que pensa que pode tudo. O trânsito prova isso; a maioria se dá ‘mais direitos’ que o tal “cidadão comum”, coitado. “Se achar”, dar “carteirada”, não respeitar o próximo (e o não tão próximo), é cultural.
E Lula seria exceção, só por ter se tornado presidente? Evidente que não; mas como tal, deveria ser “politicamente correto”. Engana-se quem fica achando “isso e aquilo” quando falo no presidente. Lula não é um tema que me agrade, mas estou longe de ser uma “elitista” que não perdoa uma “pessoa simples que chegou ao poder” , como agressivamente me disse um leitor, esquecendo que, até prova em contrário, isso aqui é uma democracia, pelo menos por enquanto. Mancadas acontecem, o pior mesmo é a mentalidade torta, que uns podem ser “menos iguais” que outros, noção que infelizmente sobrevive e, ao que parece, do que depender de nós, ainda terá vida longa.
Não é a toa que me admiro ao encontrar certo deputado num supermercado do Marco, com lista na mão, empurrando carrinho, numa boa. É o mesmo que encontro no banco, esperando na fila exemplarmente, como os comuns. (E nessas ocasiões, ser ‘igual’, nos torna especiais.)
Deveria ser corriqueiro, mas não é; ser “parente de autoridade”, para a maioria, já é meio caminho andado para a arrogância, que sempre é burra. No quartel, dizem que quem pensa que manda mais que o General é a mulher do sargento.
Essas crises de “autoritarite” são habituais, desde a patroa que nem trabalha quando está menstruada, mas reclama se a empregada pede um mísero Atroveran. Ou o “playboyzinho” que enfia o pé no racha da Júlio Cezar e ameaça o policial com um batido “sabe quem é meu pai?”. A madame que estaciona em fila tripla na escola e a outra que leva um semestre para pagar a ‘continha’ da butique e quando é cobrada, acha um abuso! Acham-se acima dos outros, do bem e do mal, do moral, do lícito, e ainda querem tratamento diferenciado. Como Luis Inácio pretendeu para José Sarney, como os senadores exigem para si mesmos.
Antes que falem em Fernando Henrique, (não se pode falar no Lula sem que façam contraponto com FHC, que não tem nada a ver com a história…), não duvido que também ache que uns são ‘uns’ e outros… E daí? Se desejarmos uma realidade pouco menos caolha para nossos netos, precisamos repensar certos conceitos que acatamos pacificamente e repetimos, esquecidos de arejar as mentes que ajudamos a formar.
No quesito cidadania, ser “igual” não é ofensa e sim prerrogativa de quem é decente.
Quanto ao presidente, dessa vez acertou em cheio, apesar da gafe: pelo histórico, Sarney deveria ser tratado como infrator e não como cidadão comum!
Imagem: abril.com/veja.com
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