Minha casa imaginária.


“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora   por não perceber sua simplicidade.”
Mário Quintana 

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A imagem aí em cima, para muitos pode ser, até, cafona… Mas explico a razão da escolha.

Desde pequena acham que sou muito alegre, daquelas pessoas simpáticas, que fazem amizade com todo mundo e não devem ter nenhum problema, a não ser a tal da dieta.

Não é assim. Não foi assim.

Desde sempre, sinto uma solidão inexplicável, até mesmo para mim… Um aperto no peito, uma sensação de precisar estar só…E de buscar a segurança de uma casa, em especial. Lembro que um dos primeiros livros que li, tinha uma gravura de uma casa na penumbra da floresta, com uma janela iluminada. Era aquele tipo de casinha da mata, um pequeno pátio à esquerda, na entrada, porta de madeira entreaberta, uma janela à direita e chaminé. E árvores em volta.

Tudo meio escuro, como se fosse anoitecer. Poucas crianças achariam a imagem interessante, muito menos atraente. Para mim, era um refúgio seguro; o lugar para onde deveria ir, quando sentisse aquele aperto.

Talvez fosse “Os Contos de Grimm”, minha memória, geralmente prodigiosa quando o tema é o passado, não me dá pistas. Sei que, um pouco mais velha, lia e e relia as obras de Laura Ingalls, americana que faleceu no mesmo ano em que nasci, autora de Os Pioneiros, onde conta a história da sua família.

Os títulos? A Casa na Floresta , A Casa na Campina, O Jovem Fazendeiro (Ou O Rapaz da Quinta), A Beira do Riacho, Às Margens da Lagoa Prateada, O Longo Inverno, Uma Pequena Cidade na Campina, Anos Felizes, Os Quatro Primeiros Anos e O Longo Caminho de Casa (publicado postumamente). Quase todos tem “casa” no meio…Mais uma coincidência?

Histórias de infâncias me agradam. Adorei o livro “Catalinas e Casarões” do Ademar Amaral, um paraense que já devia estar na Academia. Uma infância deliciosa, às margens do Paraná de Santa Rosa. ~Em tempo. Paraná, no caso, é, como direi? Humm…Bem,  é um braço do rio que “sai” e “volta” para o próprio rio, deixando uma ilha, nesse trajeto. Esse braço é um Paraná. Na amazônia, acabavam recebendo o nome dos proprietários das terras mais próximas, de um morador, de uma característica qualquer – paraná do Mocambo, paraná das Velhas, da Santa Rita. Viu? Não tem nada a ver com Curitiba, enfim.

Voltando à casinha…Nunca falei com ninguém sobre o quanto me sentia assim, meio inadequada,  estranha, com saudades de uma casinha onde nunca estive, arre. Hoje, imagino que talvez seja herança de um passado que não conheço, não sei; aprendi a viver com isso e  lembro apenas que guardava o livro para  olhar a imagem, como quem zela pela própria casa. Lá pelas tantas, deram o livro para alguém… e fui ver as casinhas  da Laura Ingalls na biblioteca.

O tempo passou – meio século!- e continuo gostando daqueles quadros que mostram uma casinha, um riacho e uma enorme sensação de paz. Não consigo seguir sem dar uma boa olhada. Até a clássica choupana na beira do rio é interessante. (Engraçado, jamais colocaria um desses na minha parede, enfim, somos todos meio loucos, mesmo.)

 Adoro filmes que tenham esse cenário, mesmo quando a casa na floresta é a bruxa – ela me atrai mais que o castelo da rainha. Nas aldeias de Portugal, as casinhas encaripitadas nos rochedos me faziam pensar que lá já foi minha moradia – que coisa.

Já comprei  vários livros por causa da casinha na capa: O Demônio e a Senhorita Primm, do Paulo Coelho, Confie em Mim, de Harlen Coben, A Casa na Floresta, de Marion Zinmer Bradley, o best-seller A Cabana de Willian P . Young, Uma Casa no Fim do Mundo, de Michael Kunnighan que na edição de 2001, tinha uma casinha e um balanço na capa.  Tem casinha, cabana, janela… eu compro, pode?  É uma vergonha, mas sou o caso de quem também compra livro pela capa!

Já tive uma quase cabana, com telhado duas águas, no alto de um morrete, lá em Piranguçu, uma localidade de Itajubá, Minas Gerais. Adorava vê-la lá de baixo, no inverno, só as janelas brilhando na noite. Na falta da lareira, queimava uma fogueira, bem ao lado do paredão, para aquecê-lo, enquanto assava batatas doces. Foi o mais próximo que cheguei dessa fantasia.

Minha casa atual  é urbana, bem gostaria que estivesse entre árvores, na penumbra a maior parte do tempo. Não tenho medo da noite, acordo e perambulo pela sombra com a paz de quem nada teme e, vez por outra, passo longas horas olhando a noite: os prédios lá longe e suas janelas acesas, os ruídos, uma coruja que passa voando,  prateada, linda…

Essa noite, mais uma vez insone, resolvi passar o tempo na internet e, coincidência ou não, ao verificar uma matéria, encontrei essa animação “cafoninha” que me lembrou a velha fantasia da infância.

Resolvi “colar” no blog as imagens das “minhas casas”. Quem sabe eu seja realmente uma bruxa que perdeu o caminho – e a memória-  na idade média e veio parar em Belém?

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Luciana
    out 17, 2012 @ 23:46:37

    Querida acho que devo chama-lá assim amei ver seu blog e me identifiquei com sua história sou uma eterna apaixonada por Laura Ingalls. Obs Eu tinha colocado outro email é outro eu colocarei o do meu filho.

    Responder

  2. Luciana
    out 17, 2012 @ 23:41:57

    Querida acho que devo chama-lá assim amei ver seu blog e me identifiquei com sua história sou uma eterna apaixonada por Laura ingalls

    Responder

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