O que nossas mães nos ensinam. (Crônica)

 

As novas mulheres mais velhas

 

Dizem que, em qualquer idade, assunto de mulher é homem – ou outra mulher. Nem sempre é verdade. Junte várias mulheres e, em dez minutos, o tema será o amor em todas as suas manifestações e não só o homem, que cada vez mais, vai deixando o centro desse universo, lugar onde elas estão se colocando – o que, convenhamos, é salutar. Aquela conversa de esperar “quem a faça feliz” é passado, dos mais remotos; bom para ela, melhor para ele, que alívio!

Mulheres continuam almejando vida plena e feliz. Se for a dois, ótimo, se não for… Ótimo também. Amar a si para amar (melhor) aos outros – seu homem, sua família ou quem quer que seja – passou a ser lema de muitas que ainda nem se deram conta disso, mas intuem que é a melhor maneira de também serem amadas. Quem dá amor, quer carinho, muito justo.

Como antigamente, solteiras sem namorado querem namorar, e quem namora quer casar. Casadas cuidam do relacionamento já que temem a rotina e a falta de motivação; viúvas carregam momentos amorosos no coração, sem vale de lágrimas… Viver é bom, viver bem é tudo que se quer, amém.

Aquela mãe que “se matava” em sacrifícios (que não lhe eram pedidos!), para depois cobrar eterna gratidão dos filhos; graças aos céus, é coisa do passado – ou de novela. Ama melhor quem não tem contas a ajustar… (Deus nos livre do peso da mãe que arrasta o ninho vazio, não é, crianças?)

Mas modernidades, mesmo as que nos favorecem, custam a ser aceitas, e até a minha geração ainda não está “acostumada” a essa mãe que viaja no Natal sem remorso e não espera pela família (ou pelo marido) para fazer malas, tingir cabelos, trocar lâmpada ou ser feliz. E ela é tão mais leve!

Para quem tem mais de cinquenta, o “normal” era sepultar o curso ou o diploma na mesma cova onde jaziam os planos pessoais. Família e vida própria pareciam inconciliáveis; a maioria das mulheres só crescia profissionalmente por “necessidade” ou num negócio familiar. Era isso que esperavam que a gente fizesse, e, mais cedo ou mais tarde, esquecíamos até da individualidade, onde acabava a mãe e começava o filho… E as crianças deveriam fazer o que gostaríamos de ter feito, quase obrigadas a sonhar nossos sonhos, uma via alternativa para tal da felicidade.

Então surgiram mulheres que descobriram que antes de qualquer coisa, profissão ou família, maridos, pais ou filhos, alguém precisava de atenção e carinho: nós mesmas. Essa é a razão de hoje, tantas parecerem mais felizes – sós ou acompanhadas (ou apesar disso!)

Aliás, quem tem a si, nunca está só. A novidade, então, é que muitas mulheres “sem par” vivem a “solitude” sem solidão, não se privam da vida ou do amor: amam a si mesmas com esmero, cultivam amizades, às vezes devotam a Deus, à religião, à música, à arte, aos amigos ou carentes, aquele amor atencioso que não pode ser desperdiçado. Estar só deixou de ser “não poder amar”, cada uma tem lá sua maneira de se dar e principalmente, de se sentir amada. E como diria o poeta, todas valem a pena.

Fico aqui, avaliando a caminhada silenciosa de nossas mães, que mudaram tantas coisas quando nem sabíamos – ou não entendíamos – o quanto seria importante para nós e nossas netas… Até no avanço da idade, continuam quebrando paradigmas: muitas preferem morar só a mudar-se para a casa dos filhos, numa demonstração de respeito (preservação!) pelo espaço e liberdade próprios – e alheios.

Fantásticas, essas mulheres bem resolvidas, que ensinam que amor próprio é essencial, e nos possibilita todos os outros sem nada a perder, pois se multiplica, milagrosamente!

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