De repente, 1970!

Madrugada e eu aqui, sem sono… Excesso de café, coca-cola e lembranças.

Estava curtindo a reprise da última temporada da Oprah, eis que surgem Ali Mcgraw e Ryan O’neal, “casal” que levou platéias às lágrimas, com o simples e comovente Love Story. Isso foi em… 1970!

Contada hoje, a história de Oliver Barrett IV, estudante de Harvard, e Jenny Cavilleri, jovem de origem mais humilde e que acabava morrendo vítima de leucemia, talvez não passasse da Sessão da Tarde, nem recebesse as sete indicações para o Oscar (inclusive “Melhor Filme”) tampouco Francis Lai ganhasse a estatueta como Melhor Trilha. “Where do I Begin” era o “grude” da temporada.

Aliás, os anos setenta (prefiro essa forma) foram de bons filmes, muitos inesquecíveis: Laranja Mecânica, Enigma de Andrômeda, Odisséia no Espaço, (esse de 1968) Guerra nas Estrelas, Tora, Tora, Tora, O Poderoso Chefão, Taxi Driver, Apocalipse Now, Estranho no Ninho, Ensina-me a Viver… Vi todos; enfim, a gente não tinha muito mais a fazer além de lotar o Palácio e o Olímpia e cinema “era a melhor diversão”.  Além de Love Story, dois títulos do gênero “marcaram época” para as adolescentes: “Amigos e Amantes”, de 71 e sua continuação, “Paul e Michelle”, de 74. Os enamorados daquela temporada foram assistir grudadinhos, comendo Mentex e beijando muito – e depois desses filmes, a gente pensava em casar e fugir, não necessariamente nessa ordem.

“Friends” de Elton John, foi outro tema que embalou essa geração que talvez tenha sido a última a sonhar, acima de tudo, com o amor, simples assim, piegas assim. Carreira era algo que vinha depois da faculdade, normal como ter uma casa no Mosqueiro ou em Salinas, quando a família crescesse.

A gente repetia “Amar é jamais ter que pedir perdão”, (um equívoco monumental!) e Kim Casali ficou milionária com os bonequinhos “Amar é”, que viraram mania. Amar, acima de tudo, é pedir perdão, sempre que necessário… Mas éramos jovens e pouco sábios; bons tempos aqueles, em que a gente podia ser romântico impunemente – e tudo era muito mais fácil.

Não existia celular, claro, e os encontros eram marcados com antecedência, ninguém perseguia ninguém com essa insistência deslavada de quem liga, liga, e, quando você atende, pergunta abusadamente “onde você está?”. Certas vezes, quando me sinto cercada por quem liga, praticamente ao mesmo tempo, os fixos e o celular; fico tentada a esclarecer que atendo quando e se quiser, afinal, como Lady Kate, “estou pagando…” Mas isso é coisa que não existia nos anos setenta – aliás, nem a maioria de vocês existia ainda…

Nesse clima de saudosismo, fui a Mosqueiro resolver algo e, como estava só e sem hora para voltar, resolvi passear pela ilha. Talvez fosse a música – ou as memórias felizes – o bom é que não tive olhos para a falta de cuidado ou qualquer outra coisa que passasse pela famigerada prefeitura. Parei o carro em frente à praia para ouvir as tímidas ondas que batiam na areia, naquele murmurar de praia e paz. Não resisti e fiz algo que, honestamente, há mais de dez anos não fazia: caminhei descalça pela areia que, sob o sol acabrunhado, estava úmida, morna e relaxante. Lembrei das férias, de como conhecíamos os proprietários de cada casa que, ao final da tarde, se espalhavam pelas calçadas em bandos ruidosos e felizes.

Foi mágico, como se entrasse numa bolha de um tempo ido, mas não esquecido. Voltei mais tranquila e revigorada.

Não me digam que perco tempo vivendo no passado, ele apenas me acolhe quando, por qualquer razão, preciso beber em suas águas… E isso é vida, revivida.

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