Tolerância

Precisava?


Tolerância tem duas mãos e parece que esqueceram disso.
Não queria entrar na discussão sobre direitos gays, para evitar que dissessem que sou preconceituosa ou oportunista, mas como democracia nos permite ter opinião, exponho a minha. Em primeiro lugar, acho muito estranho que qualquer inclinação sexual seja tão exposta, como se isso fosse determinante de todo o resto – pois não é. Também não é desculpa para nada.
Somos obrigados a assistir um circo de bizarrices e aos oportunistas de plantão, cujo mais lastimável exemplo é a Preta Gil, que resolveu “se assumir” pela metade, sob muita mídia, claro. Vá ser oportunista assim… A grande verdade é que os homossexuais são prejudicados com o que acontece sob pretexto de garantir-lhes direitos já conquistados.
Não tenho nada contra gays – homens ou mulheres. Tenho amigos e amigas gays a quem estimo, e jamais os vi precisando de estardalhaço para viver muito bem, obrigado. Antes que me perguntem, sou franca: ter amigos gays não significa estar “pronta” para ter filho – ou filha – gay, ninguém jamais estará; acredito (espero!) que, para todas, amor de mãe seja maior, afinal, filhos felizes é o que importa. Adorei saber que duas mulheres se uniram oficialmente em Curitiba, depois de anos de relacionamento, com filhas, familiares e amigos como testemunhas de uma cerimônia emocionante – como os casamentos devem ser. A família consegue viver (quase) normalmente, as mães fazem tudo que outras fazem. Sem foguetório, sem agredir ninguém. Sem circo. Afinal, o que todos querem não é uma vida normal? Mas é raro isso ser mostrado.
Enfim, viver exige tolerância em tudo; não recrimino – sequer julgo – a vida pessoal de ninguém, não é da minha conta! Mas sem perceber, embarcamos numa campanha camuflada de desmoralização e não de legitimação de direitos homossexuais. Muitos desses “eventos gays” que aparecem na TV – inclusive alguns casamentos – são caricaturas risíveis, que reforçam a equivocada impressão que a maioria devia estar num bordel – ou no Pinel. É injusto com quem trabalha, produz e não deve nada a ninguém, muito menos satisfações sobre com quem dorme. Homossexuais querem (devem) ser respeitados, mas alguns “defensores” nos levam a imaginar que o universo gay seja um mar de plumas, paetês e galhofa. E não é.
Em todo lugar existem pessoas sérias, calhordas, produtivas, ou desonestas; enfim, nada vem a reboque da inclinação sexual de ninguém.
A Parada Gay pode, até, ter sido concebida para chamar atenção para os problemas da, digamos, categoria. Mas a maioria se transformou num circo contaminado pelos que fazem apologia à baderna e às drogas – mas isso, ninguém fala. Ou houve alguma consequência benéfica para os gays, além da farra e propaganda negativa? (E da publicidade gratuita para a Preta Gil?)
Incluir imagens de Santos Católicos em poses eróticas foi de extremo mau gosto; acinte que não era a intenção, estou certa, de todos os participantes, que viraram massa de manobra dos que querem achincalhar a Igreja. Muitos gays são católicos e jamais fariam aquilo com seus santos de devoção! E se os cartazes trouxessem imagens das divindades da umbanda? A Bahia (“e o Brasil”) protestariam veementemente!
Ser politicamente correta não é só respeitar escolhas ou inclinações, mas ter coragem de cobrar respeito à minha religião – santos incluídos! Francamente, pessoas sérias – gays ou “heteros” – não merecem essas coisas – e é uma pena que “a causa homossexual” esteja se perdendo pois em meio a equívocos e sandices muitos esquecem que quem tem direitos, tem deveres.
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Sobre o artigo, recebi o seguinte e-mail que transcrevo na íntegra:

Querida Vera,
Lemos a sua coluna em “O Liberal” do dia 5 último e, permita-nos dizer, que você escreveu por nós. De fato, os homossexuais (sejam eles ou elas) têm de ficar atentos para não serem manipulados na defesa dos seus direitos. Ainda mais por grupos interessados em atingir a Igreja Católica, agredindo os seus ícones sagrados.
O grande e maior mandamento cristão – o amor recíproco entre as pessoas – nos recomenda uma permanente vigilância para evitar a intolerância, o julgamento, o preconceito etc. Mas o deboche com que essa minoria manipuladora trata-nos, torna frágil essa vigilância. Daí o risco de indesejadas retaliações que, em nada, irão melhorar o nosso pequeno mundo.
Parabéns pelo seu artigo.
Socorro e Irsef Ivan Souza

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