Ave, Maria!

A bela foto é de Breno Peck.

Ave, Maria!
Na segunda, o encarregado iniciou os preparativos para a ilustre visita e até quarta, não existirá outro assunto. Nem bem deu dez horas, quando a Neide, que também é Maria, deixa os rejuntes do vigésimo andar e encontra a Antonia; querem arrumar “a casa”, a visita está quase chegando.
É um varre e varre de não acabar mais; lá do alto, estendem balões brancos e amarelos, um enorme rosário de contas alegres como são as orações de quem pode agradecer.
Quase meio-dia, o sol ‘assim assim’, dá um desconto para o Carlos, que vem rapidinho da outra obra. Corre, Carlos!
Baiano, soldador de quarenta anos, encerra o trabalho para iniciar a devoção; ele e os colegas vão se preparar para a grande festa. Banho tomado no capricho, é hora de estrear a camiseta especial, como pede a ocasião.
A mulher e os filhos do Carlos estão para chegar, Lucinha já embarcou no ônibus em Ananindeua, com Joseane toda faceira de branco e rosa, e Vicente, dois anos de sabedoria, num azul de lembrar céu de santa.
Cleiton, neto da Antonia (do rejunte, lembra?) chega no colo da mãe, com as asinhas de papel de bala esvoaçando. Nada de esquentar cadeira, querem mais é ajudar – Esse vaso, onde é para colocar?
O jovem engenheiro nunca se imaginou fogueteiro; um olho na avenida, outro no relógio, o coração na boca, ele está pronto!
Ivonete está nervosa. Arruma uma coisa aqui, outra ali e quase esquece de retocar o batom, mais uma vez. Quase. Imagina só, eu, sem batom, justo hoje? De repente enxerga os filhos, que trazem o sobrinho Gabriel, o mais afoito entre todos os convidados, com sua roupinha de marinheiro, olhar curioso e o sorriso… Ah, o sorriso do Gabriel…
Lá em cima, Jandira se acomoda para jogar as pétalas de rosas… Tudo parece grande demais para caber nos olhos de Gabriel. Então, é ali que a tia trabalha, é aquele o prédio que ela ajuda a erguer… Como é alto!
Alguém pergunta pelas velas, e aparece uma tarefa para Seu Jaime, carpinteiro: um púlpito! Pra que perguntar se dá? Já deu!
Corre-corre, é gente da obra, da redondeza, do escritório, gente que estava a passar, gente de todo lugar. É hora de festa e oração.
É hora de emoção, não se ouvem estacas, marteladas, maquitas ou o sopro do maçarico; cada um só ouve o próprio coração.
O radinho se cala no bolso do José, que hoje não é só o Zé da construção. De mãos postas, se entrega às preces.
Ave, nossa Maria…
O chefe acomoda os filhos e os pais; hoje a obra é uma só família. Na rua, correria. Chegou! Olha a fotografia!
Cadê …? Os fogos confirmam: eis a Senhora!
Dona dos nossos destinos, guia e ouvinte de todos nós.
Nossa Senhora de Nazaré, peregrina como sua fé, chega à obra e a cada coração.
Olhai por nós, Senhora, que suplicamos a vós!

O Gabriel acha que nem sabe rezar… Olha a santinha, tão pequena, e sorri com os olhos, com a alma em oração.
No olhar marejado, as preces de todos; no sorriso, o louvor.

Ave, Maria… Maria de Nazaré, que hoje agradecemos a vós.
Pela saúde, pelo trabalho, pelo descanso.
Pelo sono, benfazejo. Pela alegria, pela esperança que alenta.
Pelo alimento, sagrado; pelo respeito conquistado.
Ave, Maria, pelas dores que não sentimos, por aquelas que suportamos.
Pela força que tivemos, quando nos pensamos tão frágeis…
Ave, Santa, mãe adorada! Pela espera de todos os pais, pelos filhos que voltaram.
Pelos que recebeste nos céus, por nós.
Ave por ontem e por hoje. Ave por todos os amanhãs.
Amada Nazaré, tão cheia de graça.
Ilumina sempre nossas almas, e faz de nós, Senhora, teu templo, tua morada.
Abençoa, Santinha, todas as obras e lares desse mundo em eterna construção.

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