Sobre xixi e maus modos

Tenha modos! (Ou o xixi legal)
Atendimento em banco, em geral, é péssimo, com filas enormes apesar daquela lei (mais uma potoca!). De posse da senha que acusava uma hora de espera, fui até a gerente que me disse grosseiramente “aqui não existe lei, tem que esperar”! Nesse banco (que nem nome de banco tem!) sempre aprendo como não atender o cliente. Numa dessas ocasiões, uma senhora perguntou ao guarda se poderia ir ao banheiro. Ele, cheio de si, disse que não havia banheiro para clientes. Como assim?
Falando em guardas de banco, além de matarem clientes de vez em quando, é interessante como gerências delegam tarefas – e poderes – a quem deveria, apenas e tão somente, cuidar da segurança – do banco, dos funcionários e dos clientes. Com honrosas exceções, são arrogantes e grosseiros, tocando o gado – ops, o povo – para a fila, travando a porta giratória quando não “vão” com a cara do freguês. É a síndrome da pequena autoridade, que liberta egos complexados.
Noutro banco, resolvi lavar as mãos, em Belém quase tudo anda tão sujo que é impossível passar a manhã inteira sem lavá-las. A moça do caixa disse-me que não tinha banheiro para clientes, “só para funcionários”. Lembrei da temporada no Cuíra e deixei “baixar” uma das Gatosas (vai voltar, gente, calma!); trancei pernas, como se estivesse apertada e fui até a gerente. “Onde fica o toalete?” (Odeio perguntar pelo “toalete”!). “Como?”. Já estava aflita, imaginando o que passa, quem sai de casa cedinho… “Banheiro, senhora!”
“Não temos banheiro para clientes!”, exclamou como quem tem poder de vida ou morte – ou se podemos “verter água” ou não. “E o xixi, minha senhora? Onde faço?”. Como ela ainda hesitava, dei aqueles passinhos de quem está “nas últimas”. Ela me guiou, contrariada, até um banheiro – das funcionárias – até limpinho.
A justificativa para não se oferecer conforto aos clientes é sempre a mesma: a falta de (bons) modos dos usuários. Essa é uma questão que deveria nos preocupar: o paraense está cada vez mais mal educado, em todos os níveis e setores. Vandalizam tudo: os banheiros dos shoppings estão uma lástima, o aeroporto aos pedaços, ruas ostentam lixo que a prefeitura, mesmo que fosse eficiente (e não é!) não daria conta. Coisa de pobre? Que nada, um visitante da Casa Cor resolveu pular de um sofá (!) e destruiu a mesa de centro, que mal educado!
Quem se comporta assim, profissionalmente não é diferente: em Belém, prestadores de serviços marcam e não aparecem, sequer avisam, apesar dos celulares. O cliente – que deveria ser tratado com atenção, mendiga algo que vai pagar! Consulta com hora marcada é a coisa rara, pois pacientes marcam, não aparecem nem avisam.
O paraense carece de educação! Aquela básica, tipo “não falar palavrões em público, falar baixo, ser pontual e limpinho”, que a gente trazia do berço e ninguém mais sabe o que é.
Seria oportuno que formadores de opinião – imprensa, associações de classes e governo, unissem esforços para incentivar a civilidade – ou isso aqui vai se tornar insuportável, mesmo para quem não liga se o vizinho faz xixi no muro.
Especialistas haverão de explicar porque nos nivelamos por baixo; afinal, políticos dão maus exemplos, a fraude é generalizada e blá, blá, blá. Ainda acredito no poder da união de idéias e pessoas, oxalá alguém comece e, em vez de gastar o orçamento para “aparecer”, resolva investir em educação – em todos os níveis! Respeitosamente, a gente agradece.
PS: Já foi aprovada e sancionada a Lei Municipal 8.800/2010 que trata de banheiros nos bancos e aguarda ser regulamentada. Daí tomarem conhecimento – e cumprirem- é outra coisa. (www.veracascaes.wordpress.com)

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