Acredite, se puder! (Ou pequenas armações em Belém de todos os tempos)

Quando li “300 Histórias…” do Marcos Vasconcellos, pensei escrever a versão paraense, pois somos pródigos em absurdos. Seria ótimo convocar alguns dos melhores conhecedores – e contadores – de “causos”, como o José Maria Toscano, o Emanoel Mattos e o Magá, figura famosa do “meu tempo” de Assembléia – quando o clube ainda era uma irmandade. Até encontrei o Magalhães, pedi o telefone mas nem falei do “projeto”. De qualquer forma, Toscano e eu já compilamos algumas, que apresento sem preâmbulos, já que o espaço é curto.
Obra – Reforma correndo, o mestre quebra a soleira com uma marretada desajeitada. Cola os pedaços e apresenta a solução, mostrando meu “persa”com o beiço: “A senhora pode colocar um tapetinho em cima!” Até hoje não posso ouvir falar em “tapetinho”.
Inédito – Nos anos de 1960 os JOPAGICOS (Jogos Paraenses Ginásio-Colegiais) eram um sucesso. A emocionante final do basquete feminino foi entre Instituto Brasil e Ciências e Letras, na quadra do Gentil Bittencourt. Resultado: um a zero, e de cesta contra!O feito nunca foi repetido.
Primor – Depois de receber o carro novo na concessionária, Verena saiu dirigindo o possante, já com os opcionais: sonzão e películas. Dez dias depois, nos chamaram: o carro não era o que constava na nota fiscal e sim um idêntico, vendido para outra cliente! Por “engano” instalaram os opcionais no carro errado- e que esteve rodando, portanto, sem nenhuma cobertura de seguro! Fomos fazer a troca e aguardamos que passassem o som para o carro certo e instalassem as películas. Quando o carro chegou, a película tinha sido aplicada por cima de um adesivo – enorme – com a propaganda de “Carro do Ano”- ou coisa que o valha. Novo estresse, mais três dias. Devolveram o carro sem a película – e sem os filamentos do desembaçador, arrancados juntos com ela. Acabaram trocando o vidro, três meses depois. Foi o último carro com sotaque francês que tivemos.
Travesso – Na galhofa, os mais antigos diziam que meu avô era “bom pianista”. Levei séculos para descobrir a razão: recém chegado à Belém, o português arrumou um cacho com uma “senhôura”casada – e conhecidíssima. Num dos encontros, o marido chegou “fora de hora”. Nu, com calças e sapatos nas mãos, ele esgueirou-se, tentando pular da janela sem ser visto. Mas havia um piano… E a ponta do sapato tocou-lhe o teclado do começo ao fim, enquanto o marido traído gritava para pegarem “o pianista”.
Manoel Pinto – Houve uma época em que o então mais alto prédio da cidade era a charmosa moradia de gente famosa. Era o final dos anos sessenta e a vida, animadíssima! Tanto que, certo dia, um ex-colega de TV Liberal (que já não está entre nós) ao abrir a varanda, deu “de cara” com uma senhora que passava de uma para a outra (por fora, claro!) tentando escapar do marido, que quase a flagra com o vizinho… Teve êxito apesar do risco e, no final de semana, estavam todos singrando as águas do Guamá, numa bela lancha. Civilizado, não?
Arteiros: Era o endereço de nove entre dez profissionais liberais de sucesso de Belém. Médicos, advogados, dentistas, contadores, praticamente um clube. Duas da tarde, um deles recebia a visita da amante e cerrava as cortinas.Foi quando chegou a esposa, berrando: “Eu sei que tu estás aí…” O incauto telefonou para o escritório em frente, pedindo ajuda. O vizinho, “mui amigo,” abriu a porta e ofereceu uma cadeira à senhora, para que esperasse confortavelmente. A outra? Também virou trapezista, passando de um pátio para o outro. Logo depois, o marido “cheio de razão” passou um pito na ciumenta, mandada para casa “a-go-ra!” E arrematou: “Sem um pio!”. A platéia quase veio abaixo.

Tem mais, muito mais; o que me falta é espaço!Ou coragem, mesmo.

Anúncios

5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Nelson Maués
    nov 09, 2014 @ 12:57:38

    Um esclarecimento a título de colaboração:uma cesta no basquete vale dois pontos. Portanto,se houve apenas uma cesta contra, o placar foi de 2×0. Só seria 1×0 se a cesta fosse de lance livre, mas ninguém cobra lance livre contra.

    Responder

  2. Fernando Palma Lima
    fev 11, 2013 @ 06:21:52

    MANO, VOCÊ SABE O NOME DO ALUNO DO COLÉGIO MODERNO QUE FOI O CAMPEÃO DOS PRIMEIROS JOGOS GINÁSIO-COLEGIAL DO PARA?

    Responder

    • Fernando Silva de Palma Lima
      maio 07, 2015 @ 09:19:14

      Foi o aluno do Colégio Moderno, Fernando Silva de Palma Lima. Participou em cinco modalidades esportivas e foi primeiro lugar em todas. Recebeu medalhas e diplomas do Prof. Antônio Moreira.

      Responder

  3. José M.M. LUZ
    dez 02, 2011 @ 10:54:39

    Maravilhosa sua cronica, quando li JOPAGICOS, bateu uma saudade de Belem, minha linda cidade dos inesquecíveis anos 60, onde tenho as mais lindas recordações, me lagrimou os olhos!!
    Estudei na outrora Escola Industrial de Belem, e o meu professora de Matematica era o Cascaes, casado com a professora Luzia Cascaes se não me engano… Voce tem parentesco com ele?

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: