A Síndrome do Excesso de Informações – e falta de tempo.

Quer que parem o mundo para você descer?

Nada tem me aliviado a sensação de que não sou capaz de cumprir pequenos compromissos, que antes pareciam nem existir. Revistas e livros se acumulam; mais de metro de páginas sobrepostas, cobrando um tempo que não consigo “encontrar”. Sob o notebook, anotações do que deveria resolver… Revisão do IPTU, Imposto de Renda, consulta, medicamento que acabou, presente de um casamento que era “ano que vem” e agora está logo ali… Roupas para reparar, para doar; uma lista de supermercado que, já não fosse grande o bastante, não pára de crescer com itens que jurava ter comprado “outro dia”. Fermento. Ovos. Tempo. Onde se compra tempo?

Cancelo a sesta tão sonhada e tento rascunhar algo antes do fim de semana, caso contrário terei duas noites insones – o que pode me custar muito mais.

O que acontece? Na internet descubro que milhares de pessoas sofrem com a Síndrome do Excesso de Informações e de compromissos – o velho estresse, (que de tão banalizado não impõe mais respeito ou  consideração) agora, vem acompanhado.

A sensação de que o mundo e as outras pessoas estão num ritmo muito mais acelerado (e produtivo) que o nosso acaba gerando mal estar, algo já comparado por Wayne Luke (autor de um livro sobre o tema) a uma “areia movediça” que parece prestes a nos engolir.

Somos bombardeados com modelos de pessoas eficientes, que devoram informações em casa, na internet, em salas preparatórias para vestibulares ou concursos, nos jornais, revistas e numa infinidade de livros de auto-ajuda. Precisamos aprender como comer, como perder trinta quilos, como seduzir, ser aprovado no concurso e na tribo; precisamos fazer curso disso e daquilo, assistir todos os bons e os maus filmes e shows, ler o último do Steve Jobs e do Umberto Eco, acompanhar a crise do Euro, da bunda da Popozuda, do escândalo daqui e de lá…Temos constrangimento em assumir que não sabemos algo que está na mídia.

O vício em informações pode tirar o sono e trancafiar-nos num estado de mania que pede doses maiores. Pessoas perdem noites na internet, lêem de tudo um pouco e, ainda assim, sentem-se inadequadas. Sabem que é insano, mas isso não as alivia; talvez piore.

Hoje, principalmente jovens e mulheres no mundo inteiro, simplesmente não conseguem largar o tweeter, ávidos por saber “de tudo” e participar. Ainda que, no fundo, saibam que é um desperdício de tempo, não conseguem desligar e viver a vida real – que vai ficando cada vez menos “interessante”.

É mais quem quer saber de tudo um pouco. De doença, então… Imagine que existem mais de 10.000 revistas de medicina, tema que desperta a curiosidade dos “cybercondríacos” que têm acesso a uma literatura direcionada a especialistas.

São tantas informações,  que é assustador imaginar que uma edição do New York Times contém mais do que uma pessoa comum poderia receber, durante toda a vida na Inglaterra do século XVII.

Em 2001, a Veja calculou que seriam necessários dez computadores para cada ser vivo arquivar sua parte – cerca de 250 megabytes – do conteúdo então estimado em um bilhão e meio de gigabytes de informações impressas, filmes e arquivos circulando. E esses dados só cresceram.

Já existem mais de 556 milhões (uau!) de páginas (.net,.com, .gov,.info,.biz) disponíveis para algo mais de 7 bilhões de habitantes no planeta. Destes, 800 milhões estão no Facebook… A gente precisa se comunicar, conhecer mais e mais gente… Isso é um tanto bizarro, não? (E você se achando… Blog e aquilo, meu bem, quase todo mundo tem – ou teve!) São mais de 3,100 bilhões de contas de e-mail, segundo o cybervida.com.br . Hoje, só com tecnologia digital, o Brasil tem mais de 100 emissoras de TV, especializadas em notícias, vendas, agronegócio, empreendedorismo, humor, religião, artes, política, culinária, turismo, fofocas, espiritismo, saúde e uma infinidade de temas, além das de entretenimento.

Segundo o Conselho Federal de Biblioteconomia, o brasileiro lê 1,8 livros por ano. Incluindo os didáticos, estudantes lêem (será?) 4,7 por ano. Entre 11 e 13 anos, chegam a ler 8,6 livros, anualmente. Mas tem quem leia dezenas, compulsivamente… Nos EUA, 7% dos leitores de mais de um bilhão de livros vendidos num ano, são “dataholics” (viciados em informações) e declararam ler mais de 50, no mesmo período.

Essa pressão não é novidade. Em 2001, a revista Veja já abordava o tema, no artigo “Comportamento – A Angústia do Excesso de Informação”. Bem, além de desejar que o mundo pare para você descer, quais são os sintomas da Síndrome do Excesso de Informações?

-Por mais esforço que faça, não consegue sentir-se atualizado com o mundo a sua volta;

-Sente-se culpado com a pilha de jornais e revistas e o volume de e-mails recebidos que não conseguiu ler;

-Fica abatido quando uma pesquisa na internet resulta num documento de dezenas de páginas, pois acredita que, se não ler todas, não saberá o bastante sobre o assunto;

-Acena afirmativamente, sem convicção, sempre que alguém menciona um livro, um filme ou uma notícia de que você, na verdade, nunca ouviu falar;

-Sente-se culpado por ignorar o manual e tentar montar algo que comprou; pior quando troca de celular e precisa da ajuda dos filhos;

-Cerca-se de aparelhos digitais na esperança de que isso ajude a torná-lo uma pessoa mais adaptada a vida “moderna”;

-Sente-se envergonhado quando tem de dizer “Não sei”, mesmo que a pergunta se refira a algo fora dos seus domínios. ( quem sabe quem são os ministros da Dilma?)

Viu? (Eu sabia que não era a única!)

Tratamento?
Bem, só consideramos “tratamento” quando se trata de uma doença, o que não é o caso.
A ansiedade, essa sim, deve ser tratada pelo seu médico (psiquiatra) com ajuda do psicólogo.

Muito podemos fazer para diminuir os estragos. De início é importante ter me mente que a maioria das informações que “deveríamos” ter lido é pura bobagem, nunca vai nos fazer falta. verificar quais são as revistas que realmente gostamos de ler e cancelar as demais assinaturas é uma boa ideia. Restringir as contas de e-mail a uma só – quem precisa de mais de uma, a não ser em casos especiais, como romances proibidos e coisas assim… Não é mesmo?
Jogue fora imediatamente jornais antigos que você guardou para ler “um dia”.Doe as revistas para o salão de beleza, para o consultório médico ou para um asilo. Livre-se dessa pressão.
Procure ajuda: sempre que puder (que tiver condições financeiras) contrate alguém para fazer aquelas coisas que estão acumuladas ou não lhe são agradáveis : leve roupas para costureira fazer as bainhas que vocês estava para fazer há tempos… Contrate alguém para fazer seu imposto ou a arrumação que tanto precisa. Se não puder pagar essa mão de obra, eleja o mais urgente, liste suas pendências e estabeleça um horário para resolver cada uma.

Saia sem o celular, de vez em quando. Vai ver que nada de tão ruim acontece e ajudará a perceber que existe vida longe dele. Para facilitar, ligue para os familiares e avise que estará sem ele, para que não se preocupem. Repita isso de vez em quando.

Desligue – mesmo – o celular quando estiver no cinema, ou num espetáculo qualquer, No vibra call não vale. desligue e tente relaxar.

Aplique o “spam” naqueles e-mails que enchem sua caixa, tipo os de venda em grupo etc. Coloque resposta automática, dizendo que você só está respondendo os mais urgentes.
Quando estiver no computador, desligue a TV. Quando estiver cozinhando, prefira música à televisão. No carro, prefira música. Música, sempre.

Quando pesquisar algo na internet, antes de imprimir, selecione trechos mais importantes.

Prefira arquivar documentos e contas por mês e não por origem. Serão apenas doze subdivisões.

Esqueça o tweeter quando estiver em companhia de outras pessoas , num almoço, na casa da sogra ou com a família, nem que seja para ser educada. Você ainda é, não? Deixe para se distrair com isso na sala de espera de uma consulta qualquer.
Estabeleça dias de compras e oriente sua empregada para anotar na lista o que vai acabar em vez de pedir o que já acabou, “para ontem”- ou ela mesma irá comprar. A pé.

Bem, são pequenas alterações de rotina que podem aliviar a enorme tensão que nos faz sofrer.

Eu mesma, estou tentando escrever minha crônica sempre uma semana antes, para não viver esse drama que é o “branco” que me acomete toda noite de domingo.

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