Sem flertar com o alemão

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Lá pelas tantas a gente começa a esquecer uma coisinha ou outra e passa a brincar que o “alemão” anda nos paquerando. Depois esquece o aniversário da nora (logo dela) ou de pagar o INSS da empregada, coisa que faz, todo mês há… Quantos anos, mesmo?

A preocupação com a memória só atrapalha, até que, no caixa do supermercado, aquela fila pronta para linchar quem ouse atrasar o almoço e você…Esquece a senha! Justo ela, que você tecla pelo menos uma vez ao dia, bom era no tempo em que a gente assinava, reclama. Depois dos cinquenta, o que está cada vez pior não é sua memória, querida, é a atenção.

Já faz algum tempo que passei a brincar com meus lapsos, mas no fundo, ficava deprimida, afinal, pé de galinha a gente adia com botox, mas senilidade… Aqueles comentários “você ainda é jovem” não servem pra nada; geriatras deviam ser consultados aos 35, 40 anos. No máximo.

Eu decidi combater essa sensação de estar sempre meio “chapada” – principalmente por ser careta e andar limpa – Calman conta? – a maior parte do tempo. Cansei de ver as pessoas falando mais pausadamente como se precisassem “desenhar”, ou me lembrando de um compromisso que era rotineiro, umas tantas vezes. “Não vai esquecer, heim!”. Não vai esquecer é o …

Descobri que sofremos de déficit de atenção, que funciona como uma bola de neve. E a avalanche você já sabe como seria.

E dou a mão à palmatória. Depois de praticar, jamais voltei a me sentir perdida… Onde estávamos?

Brincadeirinha. Vamos lá.

As pessoas perdem vencimentos de contas ou compromissos principalmente porque, aposentadas ou sem “trabalho”, não têm contato frequente com algo que as lembre “que dia é hoje”. Quantas vezes você lembrou que teria que pagar algo, justamente quando datava um memorando, uma receita ou outra correspondência qualquer?

Pois bem, pode parecer estranho, mas manter um calendário (com uma caneta) afixado no espelho do banheiro é extremamente útil para lembrar compromissos, consultas, aniversários, ou carnês. Ao amanhecer, logo que escovar os dentes, a dica é olhar a data, repeti-la (hoje é quarta-feira, dia tal) e verificar os compromissos. À noite, risca-se o dia findo. Simples, mas muito eficiente, evita aquele “branco”em que a gente não lembra nem em que ano estamos.

A segunda dica – importantíssima – é um bloquinho para fazer a lista do dia. O que se tem para fazer, o que deve ser comprado no supermercado, telefonemas a dar, contas a pagar, aniversariantes do dia etc. Cada vez que uma tarefa é cumprida, risca-se da lista. O que sobrar deve abrir a do dia seguinte.

Com tudo anotado, sua mente fica, digamos, mais leve para você prestar (mais) atenção no que faz, em vez de remoer neurônios para não esquecer de passar na tinturaria ou telefonar para a Tia Xinica para dar parabéns pelos 84 (ou seriam 85?) anos. Assim você dirige melhor, estaciona melhor, vive melhor. Extremamente útil no Natal, quando você perde dias comprando presentes e depois não sabe para quem já comprou.

Quer outra? Compre presentes de Natal em outubro, desde que sejam coisas que não precisem ser trocadas. Roupas, sapatos e pannetones são… Perecíveis, entendeu? Escolha outra coisa, criatura.

Telefonemas. Sabe de uma coisa? Todas as vezes em que fiquei tentando lembrar o aniversário de alguém para telefonar, acabava esquecendo. Agora, ligo de véspera. Aviso logo que quero ser a primeira (essa é tão surrada!) e que na verdade não quero incomodar no dia, que sei, será cheio! Todos adoram minha tática e eu fico mais tranquila.

Nomes. Ah, eu sou péssima para nomes. Péssima não, sou um horror, mesmo.

 Conheço uma Shirley e todas as vezes que tento falar-lhe, fico em dúvida se seria Sheila. Aceitei a dica do especialista e adotei a técnica de memorização associada. Conheço uma Sheila que não esqueço o nome, daí memorizei as duas, de braços dados, e que uma, a que eu conheço mais, é a Sheila – a outra só pode ser Shirley. Esse mesmo exemplo serve para memorizar nomes iguais. Duas Sheilas, duas cabeças numa só fotografia.

Listas de supermercado. Tenho praticado a técnica do roteiro. Você escolhe um roteiro mental e vai colocando as imagens. Entro em casa, na garagem está uma saca de laranjas*, elas estão jogadas em direção ao pátio, onde uma panela de arroz* fumegante está sobre a mesa, ao lado da Babi faminta (ração)*. Vou para a cozinha e o piso está escorregadio de espuma (detergente)* e na bancada está um pacote de pão*, ao lado do pote vazio de manteiga*. Basta lembrar onde o roteiro começava e sua mente vai ajudar. Acredite, é só treinar.

Falando em treino, a unanimidade dos médicos que “sacam” tudo sobre envelhescência é manter corpo e mente em exercício. Caminhe, transe, pule corda, nade… Mexa-se! E mantenha o cérebro azeitado: ler e escrever são a melhor opção. Quando você lê, areja as idéias. Quando escreve, areja a vida, inclusive a alheia.

No mais, tome vitamina C diariamente e vá ao cinema, semanalmente. Paquere a vida – mas dê-lhe chance de retribuir. Você vai ver que ainda podemos (quase) tudo. O quase, a gente substitui por coisas que só descobrimos recentemente. E isso não tem nada a ver com netos, querida; não m-e-s-m-o.

 

 

 

 

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