Um bando de loucos

 

Loucos por ti (Nós e o futebol deles)

Todo time tem uma torcida. O Corinthians é o inverso, é uma torcida que tem um time” (Ex-lateral Wladimir)

Nunca essa máxima foi tão exemplar quanto na final da Copa Libertadores,  quando a fiel, linda, incansável e contagiante torcida corintiana transformou-se em espetáculo a parte.

Unhas roídas, mãos crispadas, olhar de súplica desesperada… A vitória levando às lágrimas o jovem punk, o senhor grisalho, a menina de boné, a senhora de casaco e cartola, o menino no colo do avô. Diferentes e iguais na paixão. Fiéis. Invejáveis.

Eu, que já quase não ligo para o esporte bretão, encanto-me com outro lado do alambrado – ou da telona. Sim, torcedor corintiano tem sempre TV enorme, com HD e coisas assim. E espera torcer em paz, pode ser?

Mulheres sempre deram asas às fantasias e paixões sem que as incomodassem. Quantas Barbies nossas filhas tiveram? E a fase das paixonites pelos galãs da hora? Trocávamos de “time do coração” quando mudávamos de namorado e, ainda que a juventude esteja no passado, dá para copiar os cabelos das celebridades e bancar a tiete; mas os “meninos”… Por conta daquela educação que sentencia o que é e o que não é “coisa de homem”, depois do Airton, só lhes restou o futebol, quando muito uma banda que os pais certamente detestavam… “Macho” devia gostar de bola – e estamos conversados. Como diria o Garrincha, só esqueceram de combinar com os russos; no caso, as russas, se é que me entende.

Futebol redime meninos de todas as idades, anistia camisetas horrendas e libera a molecada para pregar pôsteres nas paredes, dormir com a camisa do Timão e só beber água no copo que dá sorte. Até que eles crescem e… Ah, como somos malvadas e insensíveis!

Meu genro é fanático torcedor, tanto do Corinthians quanto do Arsenal, da Inglaterra. Por conta do namoro desde a adolescência, Verena também torce com fervor. Paixão que não divide, mas une como cumplicidade; que bom! Ele, normalmente tímido e de poucas palavras, parece se iluminar; os olhos ganham brilho quando o time entra em campo. Para torcer, são capazes de viajar e até cruzar o mar, enfiados em casacos com escudos. Até no bolo do casamento o time amado foi lembrado, sem falar na gravata negra com monograma adamascado, que só ele sabia existir sob o colete.

Outro dia um amigo queixou-se que havia se casado com “outra mulher”… Uma que (ainda) ouvia a mesma música e até curtia seus aeromodelos – que agora quer que leve para a casa da mãe.
“Tralha”, ela sentenciou.

Muitas mulheres “suportaram” futebol em alguma fase e depois, sabe-se lá por conta de qual fenômeno psiquiátrico, passaram a odiar. É só ouvir  “Bem amigos da Re…” que querem mudar o canal; uma até tentou discutir a relação, durante jogo do Brasil na última Copa. Imperdoável.

Por mais que seja um enorme sacrifício fechar a boca por duas míseras horas, deveríamos resgatar essa dívida com o gênero masculino e permitir que torçam apaixonadamente e sejam, só por esse tempo, meninos livres e felizes.

Não vale rir quando chutarem o vazio, como a colocar a bola no canto da rede imaginária. Ou quando gritarem instruções para o zagueiro. (Como acha que ficamos diante de uma vitrine de sapatos e bolsas? Mais ou menos a mesma coisa; releve!)

Se não consegue entender de uma vez o que é impedimento, aprecie a torcida. Se for a Fiel, será emocionante. Logo você vai ficar doidinha para estar lá e gritar  “Aqui tem um monte de loucos…Loucos por ti, Corinthians! “…

Meu genro? Deve estar fazendo contas para ir ao Japão*. Duvida? Nem eu. Coriiiiiiinthians!

(*Só para você saber, criatura: Mundial de Clubes, entre 6 e 16 de dezembro.)

 

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