A última de 2012

A última

Pois é, o ano acabou; e eu deveria escrever uma crônica em tecnicolor, com notas da música da sua vida e sabor de morango com chantilly.

Deveria tentar emocioná-los, procurar palavras úmidas e acentos adocicados, pontuadas pela calma que tanto almejamos… Tudo para mimá-los com afagos e afeto derramado feito calda!  Quem sabe ficasse melhor se fosse recheada com flocos dessas nuvens que trazem uma chuva absolutamente característica dos dezembros na minha terra? Talvez devesse amarrar-lhe buquês dos melhores votos, colhidos logo pela manhã de um dia perfeito e ensolarado, com um céu azul ao fundo… Palavras embrulhadas num abraço almofadado, desses que nos confortam e transmitem a boa energia de quem nos quer bem, de graça.

Um texto com aroma de redes quaradas ao sol, de grama molhada, de café de coador. De bolo de chocolate no forno. Da nuca do filho amado, ainda bebê… De tudo que é essencial e inesquecível.

Uma crônica feliz como as crianças e os loucos. Sábia e leal como todos os idosos deveriam ser.

Eu bem queria que fosse assim… Queria saber como manter o espírito natalino por mais doze meses; somos tão melhores no Natal!  Até me esforcei para fazer desse rascunho uma bela e memorável última crônica do ano, apesar das minhas limitações, do céu nem tão azul, da minha alma que se tinge como noite que desaba, pesada e cheia de dúvidas… O que será…, o que será…?

Hoje -pelo menos hoje- esse teclado deveria deslizar suave sob meus dedos nervosos e sem palavras, mudos como um nó na garganta.

Amanhã já será um novo ano, e isso é praticamente agora. Com ele, vem essa descomunal obrigação de ser feliz a qualquer preço; de emagrecer, caminhar, estudar, cuidar da mente e do cabelo, da pele e da alma… Tentar perdoar aquela mágoa; perdoar-me por não compreender quem jamais deveria ter me magoado. Conseguir viver sem entender razões inexplicáveis.  E ser feliz, ser feliz, ser feliz… E se eu não for, meu Deus?

Ali, alguém decide que é tempo de encontrar um novo e eterno amor… Como se amores fossem novos ou eternos! Seria mais fácil se aceitasse um amor de segunda (última?) mão, com prazo de validade quase vencido – mas reciclável… Um amor sustentável que enchesse os olhos de brilho e a alma de alegria seria ótimo. Ou não?

Não. Nossos planos para o Ano Novo exigem tudo de bom e de melhor; ainda que sejam os mesmos, todo ano… Ser feliz, ser feliz… Outro, acabrunhado, porém sábio, pede aos céus paciência e temperança, em doses generosas. O jovem espera boa sorte nos exames, boa sorte na vida.  E onde anda a tal sorte?

Em cada coração cresce a esperança de que, no passar das horas, alguma coisa mude magicamente, afinal, é Ano Novo! Como somos iguais nessas nossas diferenças…

Ainda é tempo, corra! Pegue aquela roupa branca, nem precisa ser nova, basta que seja usada com disposição renovada para garantir alguma paz. Uma peça amarela, para que não falte dinheiro; uma vermelha que é a cor da paixão – para que saiba reconhecer um amor, seja ele qual for… Peça aos céus por sorte – ela, a fujona – para que dê o ar da graça em sua vida… Recolha-se um pouco e pense em Deus – e essa conversa será só entre vocês, pois ele zela pelos seus…

Se é um alívio, falta pouco para esse ano já antigo, acabar; paciência. Se foi de conquistas, comemore! É chegado um novo ano – adoramos o novo!- e em cada um de nós, uma festa acontecerá… Transforme-se em um templo, permita-se dançar, rodopie, sorria e abra as portas para que seus sonhos ecoem pelos céus e as mágoas evaporem…

Ele estará escutando, aguarde a resposta. E-S-C-U-T-E!

E antes que me esqueça, Feliz Ano Novo! Feliz você, de novo!

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