Olho gordo

Por trás do olho gordo

Uma conhecida escreve e, entre as novidades, queixa-se ter que adiar alguns planos, por conta de “olho gordo”. Como assim? De quem? Seu? Meu? Tenho trauma dessa coisa que não domino.

Era uma estranha no ninho, minha cara. Essa é a conclusão, depois de conviver com pessoas cujas convicções cada vez mais diferiam das minhas… Quem sabe a inadequada fosse eu?

Jamais pratiquei a velha máxima que segredo é a alma do negócio. (Será? Mesmo dos negócios lícitos?). Sempre propalei sonhos e planos, os mirabolantes ou os mais simples; acreditando que a vibração seria um mantra, que de tanto repetir, acabaria se realizando.  De qualquer forma, o que me levaria a escondê-los? Nunca invejei quem quer que fosse (Humm… Não falemos de magreza, por favor!) tampouco me julguei capaz de causar cobiça; na verdade acho ridículo quem se considera “invejado” (ou invejável) por isso ou aquilo.  (É tão antigo!)

Mas ser humilde (ou realista como eu!) não garante que a achem incapaz de torcer contra ou de causar o insucesso de projetos alheios; mesmo que você seja do bem, sempre existirá quem considere seu olho um tanto gordo. Gordíssimo. Percebe?

É frequente encontrar quem – como minha amiga – recomende esconder tudo de todos indistintamente; em especial dos mais próximos, pois aí mesmo é que mora a tal da “uruca”, essa coisa indefinida que míngua projetos, sonhos – e a confiança dos que se sentem excluídos… Pois o pior mesmo é perceber que é você o “invejoso” a ser evitado, credo!

Resumindo: pouco importa como você seja; e mesmo que isso lhe pareça suprema ofensa (ou injustiça) alguém pode achar melhor não lhe revelar algo enquanto não estiver, digamos, “garantido”. E dá para reclamar? Dá para exigir confiança ou respeito? Não, querida, só dá para lamentar em silêncio, imaginando o motivo de acharem que você seca pimenteira… Mas não leve essa exclusão tão a sério, não vale a enxaqueca – e o melhor é usar a mesma moeda. Esqueça os mantras e cultive o silêncio – principalmente com… Você sabe quem, meu bem. Deixe para comemorar suas conquistas entre desconhecidos, é sempre mais seguro. Lembre-se de ter cuidado com o que você deseja; ou melhor, com quem pode ou não saber dos seus anseios ou planos… Esconda o passaporte, os euros e as malas. Dê-lhes o dobro do que tem recebido e nunca mais comente que pretende fazer uma dieta “séria”, ou passar a caminhar todos os dias. Não revele detalhes daquela poupança que vem fazendo desde 2008 para os quinze anos da sua filha; tampouco deixe os olhos brilharem diante das imagens da Toscana – que você planeja conhecer e que até hoje não passa de um DVD surrado… Mantenha o carro novo na garagem e não revele a sua promoção. Queixe-se da vida, da falta de dinheiro, de tu-do! Chore. Os fortes não precisam de ajuda. (É o que dizem.) Não comente, jamais, quanto gasta ou ganha. Aliás, comente: diga que ganha uma miséria, sempre!

É bom viver assim? Sempre achei que não, mas pensando bem, ser discreto é melhor, mesmo. Não se surpreenda se descobrir que até sua família no Acre, escamoteia informações e coisas assim; famílias perfeitas, em que todos vibram com as conquistas uns dos outros, só devem existir em comerciais de margarina – ou na minha outrora inabalável fé na sanidade humana… Mas afinal, os analistas precisam de clientela, não é? Por vias das dúvidas, não vou contar pra ninguém que pretendo estar longe em março de 2015; que planejo partir durante a madrugada, sem despedidas, sem check in no Facebook ou “bota fora” na Estação.  Eu heim, vai que você dá “uruca”? Mas não acredito nessas coisas, imagina, isola, pé de pato, mangalô dez vezes!

 

 

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