Cinquenta tons de rosa?

Muitos tons de rosa

Depois dos cinquenta, a gente acha que sabe tudo e que pode dar conselhos, ainda que o mundo tenha mudado… Em certas ocasiões, as diferenças são tão determinantes, que acabo usando expressões abomináveis…  “No meu tempo” é uma delas; já disse o colega João Carlos Pereira que o tempo é agora.

Pois é. Indiferente ao tempo, algo mudou pouco para as mulheres: a obrigatória capacidade de conciliar vida pessoal,  profissional e doméstica (ufa!) com maternidade. Continuam esperando (cobrando) que as (cada vez menos) jovens mulheres consigam desempenhar com charme, elegância, e eficiência os papéis de protagonistas nessas peças, cujos atos se desenrolam simultaneamente, às vezes com plateia hostil, “sem cair do salto”.

Como conseguir essa façanha? Não existe a menor possibilidade! Ninguém consegue ser mulher bonita e interessante (e magra!), profissional competente, mãe amorosa e presente, esposa paciente e companheira , amante … Esqueça. Para as que tentaram e insistiram no erro, alguma coisa “dançou”; pode conferir. E dança mais rapidamente, quanto mais exigente for essa candidata à exaustão.  Casamentos foram desfeitos, filhos ficaram ao léu, ou a casa tornou-se um caos… Por outro lado, as que abriram mão de si mesmas, lamentarão eternamente.

Temos que escolher entre mágoas ou remorsos? Não é isso. Deram-se bem as que souberam “pegar leve” (não dá para ser tudo e ainda ser o máximo) e dividiram responsabilidades. Isso se chama inteligência emocional: administrar emoções para alcançar objetivos. Quem dera fosse simples!

“No meu tempo” as candidatas à maternidade pensavam muito mais no sonho, esquecidas do feijão… Abandonavam suas profissões para serem “mães”, iludidas com o sustento do marido – que poderia acabar, sem aviso prévio. (Isso também não mudou!)

Faço uma ressalva. O feijão não é só o pão de cada dia, o kumon e o inglês das crianças, é principalmente o alimento da alma, aquela sensação de respeito e autoestima elevados que o trabalho proporciona – ainda que algumas “feministas” (?) tenham decidido, sei lá porque, que é hora de voltar ao passado e brincar de casinha. Com todo o respeito (sou 100% dona de casa), antes de deixar para trás (ainda que por “algum tempo”) sua carreira (a própria independência) para criar o filhote; toda mulher deveria se fazer uma pergunta: E se eu precisar trabalhar?  Como será?

Quanto mais tarde, pior. Saibam jovens sonhadoras, que no mercado de hoje, dois anos já é demais. Quem estava no meio do caminho estará com na dianteira – cursos, seminários, leitura – tudo começa a ficar cada vez mais difícil e você precisará de muita força de vontade e um empurrão extra. Dos céus?

Ainda que a princípio as coisas estejam muito boas e possa parecer uma boa idéia, acredite, não é. Crianças crescem e em vez da sua presença, torcerão pela ausência; os maridos mudam de ideia, em especial quando se tornam “ex”, as suas amigas estarão num outro vagão e você… É possível participar daquela peça que já falamos… E ainda ser feliz com o resultado. (Apesar da plateia)

Filhos de mães realizadas são mais felizes (você não vai culpá-los por suas escolhas!), casamentos em que ambos trabalham são mais longevos e, não negue, ter certa independência, não tem preço.

Por que eu falaria disso, em 2013? Parece estranho, mas algumas jovens ainda são induzidas (por maridinhos riquinhos e ciumentos) a pensar em se dedicar à família em tempo integral. Mas não se fala como será, quando as coisas não forem mais um mar de rosas…

Nem pense nisso, a não ser que a herdeira milionária seja você. Seus filhos lhe serão eternamente gratos por você ter sido feliz e não ter “se sacrificado tanto por eles”!

 

 

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