Apenas uma faísca…

Dor que também é nossa

Quando uma dessas tragédias acontece, pergunta-se por que ninguém a previu, uma vez que o perigo era tão óbvio. Uma boate mal planejada é, realmente, uma armadilha. Não existe quem me convença do contrário; uma caixa, escura, cheia de materiais inflamáveis e pessoas desavisadas. Não consigo lembrar nenhuma que não fosse assim, inclusive as que funcionam em clubes.

Nas cenas mostradas na televisão, vemos que janelas laterais estavam fechadas com alvenaria; claro, a acústica (e blá blá blá) exige isso. Mas… Estivemos no musical Alô Dolly e percebemos a rotina do Teatro Oi Casagrande que, antes do espetáculo, orienta como agir em caso de sinistro. Pelo menos nos bons teatros (e shoppings), existem brigadas de incêndio, mas alguém já viu algo semelhante em alguma boate ou casa de eventos? Os extintores, quando existem, são disfarçados pela decoração, e mesmo que estivessem disponíveis, quem de nós estaria apto a usá-los? Existe legislação específica, mas quem, em Belém, por exemplo, realmente fiscaliza essas caixas festivas?

Fico me perguntando a razão de não ser obrigada a instalação de várias portas além da principal, com sistema que permita a fácil abertura de dentro para fora. Elas existem e, quando o espaço não está ocupado não oferecem perigo ao patrimônio.

Não seria salutar que, à entrada, existisse algum tipo de informação sobre a melhor conduta em caso de emergências, bem como a planta baixa com as saídas em destaque? Da mesma forma, não deveria existir uma advertência por dentro do palco, a respeito da proibição do uso de fogos de artifício de qualquer espécie? Bom senso? Confiar que todos tenham bom senso dá nisso, os últimos incêndios graves em casas noturnas no mundo inteiro, envolveram fogos! Já vi noivas com o vestido todo “furadinho” por conta dos efeitos “especiais”… Ainda acha desnecessário?

Você compra cigarros e lá está aquela cena tentando dissuadi-lo a não consumir o que acabou de comprar; no verso dos ingressos não poderia ter alguma coisa sobre emergências? Tirar a camisa e deixá-la molhada sobre nariz e boca, poderia dar alguns minutos a mais para alguém, mas contar com funcionários treinados e público orientado faria enorme diferença…

Foi uma tragédia previsível, que ceifou a vida de jovens que apenas queriam algumas horas de alegria e foram vitimados pela irresponsabilidade de todos nós, que mesmo podendo fazer qualquer coisa para preveni-la, jamais levantamos, sequer, a voz.

A boate de Santa Maria é a nossa boate, é o espaço onde nossos filhos comemoram a vida. A tragédia gaucha é a mesma de cada cidade onde se aprovam projetos inadequados e não se fiscaliza funcionamento e adequação desses locais. Onde não se treine funcionários para salvar em vez de matar ou fugir – e onde ninguém seja punido exemplarmente!

Aqueles são filhos de todos nós, ainda que tentemos pensar que nada vai acontecer com os nossos e rezemos o Santo Anjo cada vez que saem, sem levar nossos temores a sério. Não se pode fazer uma inspeção a cada saída dos filhos, mas quem já realizou eventos nessas casas e pelo menos verificou a validade dos extintores? Ou perguntou o que se faz em emergências? Eu, nunca. Mea culpa!

Agora, os jornais vão informar que órgãos competentes (?) irão fiscalizar casas noturnas e assemelhados e nossas preocupações serão aplacadas pela falsa sensação de segurança. Daqui um, dois meses, não se falará mais nisso e o perigo, sorrateiro, permanecerá rondando, aguardando um incidente qualquer para ceifar vidas e espalhar tristeza. E mais uma vez, não teremos feito nada, absolutamente nada a respeito. Apenas orar não adianta.

 

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