Boas empregadas e bons patrões.

Legal: Boas empregadas e bons patrões.

 

A semana correu sob o impacto da aprovação da emenda constitucional que amplia direitos de uma categoria da qual dependemos desde sempre: as domésticas. Eu dependo, assumida e feliz. Dou emprego – bom – a duas pessoas, ambas registradas, com todos os direitos respeitados. Elas têm plano de saúde, uma está conosco há 18 anos e não – vamos deixar de hipocrisia! – não são “como se fossem” da família – ou seriam minhas herdeiras. São boas empregadas que têm bons patrões- simples relação de emprego – e troca. As manchetes apresentaram a grande ameaça para brasileiros que (ainda) não sabem cuidar da própria casa, como se manter uma doméstica fosse um luxo (ou crime) absurdo, uma ocupação desumana… Quantas famílias são mantidas com o trabalho – duro, é verdade – de domésticas? A economia é azeitada com esses salários que chegam ao mercado, pagando parcelas em todo tipo de comércio. O que revolta é que ainda tem quem as explore, exigindo jornadas sem folgas (ou que são cumpridas carregando pimpolhos o domingo inteiro). Carteira assinada, então, é ficção. (O pior é que a maioria tem dinheiro… Mas como dizia um amigo, um dia “o pau te acha”!) Voltando ao pacote… Partindo do princípio que você registra sua fiel escudeira e paga tudo direitinho; francamente, R$54,24 para o Fundo de Garantia, fará diferença no seu orçamento? Quanto a gente gasta num almocinho básico, no shopping? Pois é. (Se fizer diferença, melhor encarar a situação e procurar outra solução, não acha?) O que não nos faz tanta falta, pode significar um alento, no momento em que uma doméstica fica desempregada, já que, convenhamos, é impossível guardar “algum”, com um salário desses. A PEC das Empregadas é um avanço social enorme ( que deve se ajustada à realidade, para que as que dormem no emprego não sejam dispensadas!) e veio trazer para essa relação algo que já existe em nossos trabalhos: regras. Para nós e para elas, pois é salutar ter hora para entrar e sair. Se você tem, por que não ela, que torna possível sua carreira? Apesar da trabalheira inicial – toda mudança é traumatizante – logo estaremos adaptadas ao fato de que nossa casa é, na verdade, uma empresa familiar que não deve causar prejuízos. O livro de ponto, com entrada, descanso do almoço e saída, vai fazer parte do dia delas, exatamente como a maioria de nós, que “bate ponto”. As que faltam constantemente, verão o emprego de outra maneira. Em casa, optamos por 44 horas semanais divididas de segunda a sábado. Nesse caso, só podem trabalhar sete horas e vinte minutos ao dia, mais uma hora para refeição. Conclusão? Elas trabalhavam menos, antes da lei – que agora nos obriga a respeitar pelo menos uma hora de descanso. Aliás, sobre essa pausa, não há discussão, nós e elas temos que cumprir e estamos conversadas. Passado o trauma, haverá uma reorganização no setor. Mantendo a franqueza, a única coisa que acho injusta – mesmo – é a multa na demissão sem justa causa, no caso, 40% do valor depositado no FGTS, ou seja, R$260,35 a cada ano (a multa). Sabe-se que nem sempre é possível manter uma empregada… Como será essa justa causa? Justa para quem? Falta grave, atrasos, enfim, quem consegue caracterizar justa causa, a não ser com polícia no meio? E se o patrão perder o emprego? Não é uma causa mais que justa? A hora extra (R$3,10 para salário mínimo, diurna) é justa. Para não pagar demais, basta adequar a jornada e compensar. A noite, acrescenta-se o adicional noturno e, ainda assim, acredite, vai sair mais barato que a velha e boa gratificação. E você, amiga, queria uma babá pro netinho , acordando a noite inteira…de graça? Cuida você, do pimpolho! Bem… Esse é preço, não é mesmo? Mantenha uma poupancinha para quando chegar o dia (e ele chegará!) em que você sabe que precisa desse divórcio (sim!), ainda que assuste começar (ensinar) tudo de novo. Você sabe como é. P.S. Dona Dilma, só falta o SUS funcionar para atendê-las. Que tal?

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Marília da Rocha
    abr 02, 2013 @ 20:53:39

    Cá entre nós, isso é relativo, por exemplo, eu moro no interior e minha mãe falou a empregada que se ela quisesse entrar na lei, ela seria demitida, ou seja, ela aceitou ficar sem hora extra e blá blá blá. O blog tá muito bom, gostei. Espero seu recadinho no meu,

    Responder

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