Mr. Cooper e eu

 

Faz uma semana que encaro a necessidade de ter uma atividade física, já que andar praticamente metade do dia, não conta. O problema é que para sedentários convictos e (quase) felizes, essa etapa de aceitação da (dura) realidade afeta tudo, drasticamente.

Para acordar lá pelas seis, para a bendita caminhada, às quatro e meia a banda preguiçosa do meu cérebro passa a travar uma guerra ensurdecedora com a pequena parte que ainda acredita que andar possa trazer qualidade de vida. “Já está quase na hora, que droga!”… “Tomara que chova”… E por aí vai. Conclusão; para uma caminhada besta de trinta minutos, acabo o dia inteiro com sono, o que me faz cochilar no computador, na reunião, no semáforo (semáforo é ótimo) da Júlio César, cujo intervalo parece ser de uma hora e meia.

Mas vamos lá, que vida de atleta não é moleza, não.

Caminhar em volta da praça ou do Bosque, sem nenhum objetivo prático, piora tudo. Sou obcecada com otimização do tempo, coisa que beira o TOC, mesmo. Tipo querer pendurar o secador de cabelos na parede, para poder ficar com as mãos livres. Enfim.

Até que começo o sacrifício animadinha. Vejo aqueles senhores que, pelo rosto e pescoço, já estavam rodando a praça quando o Cônego Batista Campos morreu. Eles andam em grupos, todos falando ao mesmo tempo, provavelmente porque não se escutam. Parecem tão bem dispostos, que tento me inspirar para continuar – quando conseguir desviar deles.

As senhoras também se agrupam e tagarelam. Tão animadas que esquecem que até as pedras portuguesas – na maioria, soltas – escutam as últimas fofocas. Acompanhá-las a seguros três metros, garante diversão e informação. Vocês não têm ideia como elas sabem quem está pegando quem, quem saiu do armário – ou parece que vai sair a qualquer momento. De quebra, se pode ouvir a versão comentada das últimas do novo herói nacional: Félix, a “bicha-má” e politicamente incorreta (incorreta é pouco) da novela das nove.

Até fiquei preocupada com a definição do personagem, mas segundo a senhora de calças Pink e enorme boné amarelo, ator e autor assim se referiram ao afetadíssimo administrador do Hospital San Magno – onde, aliás, só acontece loucura, loucura, loucura – diria Luciano Huck. Gray’s Anatomy é sacristia, perto do que aquele casal testosterona apronta em qualquer cubículo – uau. Mas voltando à caminhada… Quando chego em casa, estou a mil. Tomo um banho e saio para trabalhar muito bem disposta. Não, meu bem, não me venha com aquela história dos hormônios da felicidade e coisa e tal. Conheço meu organismo há 56 anos… É a-lí-vio mesmo, parecido quando a reforma acaba e você sabe que não vai ter peão na janela pedindo água gelada, café, caixa de fósforos… Ou quando sua sogra (a minha não, ela é ótima) comunica que precisa ir embora amanhã, depois de uma visitinha de 23 dias. Deu para sacar? Pois é.

Nessa manhã nublada de domingo nem pude caminhar (já tenho até raiva do verbo) já que precisava escrever minha crônica-desabafo e, como uma coisa leva a outra, acabei passando no Face e metade do povo da praça estava “caminhando” no teclado. Vai ver  que eu ainda não sabia que domingão é dia de lavar os tênis; ainda bem que não fui, mesmo.

Meu amigo, que caminha desde que a isso chamavam “fazer o Cooper”, disse que nessa fase preciso de todo apoio e compreensão, pois dá um desânimo danado. Peço que entendam, pois, meu estado de espírito. Disse também que acabarei amando a atividade. (…) Então, tá. Vamos aguardar esse milagre; com Deus brasileiro e papa argentino, quem sabe operam Sua graça sobre mim?

Sério: Segundo o “Daily Mail”, correr em ritmo lento pode reduzir o risco de morte em 44%, fazendo com que homens vivam, em média, 6,2 anos a mais e mulheres, 5,6 anos.

Vocês vão ter que me aturar, mais tempo ainda!

 

 

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Nelly Miriam Rocha
    jul 16, 2013 @ 09:30:27

    Oi Vera! Li, no O Liberal, a sua crônica. Amei! Bjs!

    Responder

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