Duas poltronas na janela

 

Duas pessoas viajando juntas trazem recordações diferentes da viagem – o olhar de cada um é único, temperado pela bagagem do coração.

Escrevo em Fortaleza, destino banal para paraenses e onde estive várias vezes – mas a emoção é sempre enorme. Não é que me falte amor por Belém; talvez falte é paciência, mesmo! A todo instante, acabo pensando em como seria bom morar na terra do sol.

A primeira vez em que estive no Ceará, só conheci alguns pontos turísticos e a praia -“mais ou menos”- em frente ao Hotel Iracema, que já dava sinais da decadência que o transformou num cortiço à espera de implosão. Desde então, cada vez que caminho pela Beira Mar – ou sinto a brisa da Praia do Futuro- começo a fazer planos da mudança. Minha afinidade é tanta que, numa dessas temporadas, comprei um apartamento em plena Aldeota. Eram tempos difíceis e fiz todo tipo de sacrifício para quitar a poupança em dois anos. Foi quando a Encol quebrou, destroçando meus sonhos e meu suado investimento.

Isso não me fez ter qualquer rancor pela cidade. Um dia chego lá, por enquanto, ainda sou turista, dando mancadas de turista.

A gente anota sugestões em sites de turismo, mas, na prática, o que vale é a experiência de cada um. Quer ver?

Carro. Não dá para viver a cidade de outra maneira. Melhor alugar um assim que comprar as passagens pois, nos feriados, é comum as agências já estarem com praticamente todos alugados. Aquela tarifa acessível (R$59,00) é balela, só é válida para carros sem ar condicionado e sem seguro. O menor valor para um carango popular com ar é R$100,00, com quilometragem livre. Mas vale cada centavo. GPS? O do celular foi perfeito em todos os trajetos.

Compras. Olho vivo! Na praia você vai encontrar um paulista que diz que confecciona as peças em resina e cacos de ostra. Outro, vende pulseiras de chifre, com uma conversa que aprendeu o ofício com o pai e blá-blá-blá… Papo furado. Na feirinha da orla, várias barracas oferecem os mesmos produtos, mais baratos. Curta a praia e faça compras depois. Se não resistir, aproveite os biquínis, baratos e com dezenas de combinações; afinal, a gente não quer nada que dure a vida inteira. (Seria um tédio!)

O “point” do artesanato da Beira Mar tem muito do que chamamos “carregação”, mas procurando… O que você precisar, provavelmente é mais barato lá, mesmo. Inclusive no Mercado Central, as castanhas (as açucaradas com canela são di-vi-nas) custam a mesma coisa. Portanto, comprinhas à noite são bem mais agradáveis.

Comida. Uau! Come-se muito bem em Fortaleza, mas nas praias é bom escolher um pouco mais. Caranguejo “tirado” não é exatamente como estamos acostumados. Enfim, a cidade tem restaurantes famosos de primeira linha, imperdíveis, melhor não gastar calorias com o “mais ou menos”. Para um café com estilo, o Empório Delitalia é uma experiência das melhores, no nível da Bela Paulista – (E a gente fica pensando por que não tem algo parecido em Belém?)

Desde o aeroporto, a cidade está cheia de obras. Uma das mais aguardadas é o aquário de Iracema, que faz parte da revitalização do bairro que já teve o Trapiche como cartão postal.

Tive saudade da lagosta do Osmar, simples e saborosa. Infelizmente ainda se coloca muita nata em quase tudo. Particularmente, acho que creme de leite é cacoete de quem não sabe cozinhar de verdade, mas é fácil pedir o crustáceo como você preferir. (Eu prefiro no mar, mesmo. Gosto mais é de peixe e camarão!)

No mais, invejo o apetite do cearense pelo trabalho, em especial no setor turístico. Nas barracas, os banheiros são limpos o tempo todo, coisa que sinto falta na capital paraense. Chato falar isso, mas em Belém, inclusive em alguns bons restaurantes, os banheiros ficam inservíveis, sujos e cheios de papel espalhado. (Imagine as cozinhas!)

Olho a calçada cheia de gente feliz e já sinto o coração lamentar o pouco tempo que resta. Não é falta de amor à minha terra, é apenas essa paixão por conhecer outras plagas e voltar às que gostei. Talvez seja hereditário; quem conhece minha mãe, sabe do que estou falando.

Aliás, aprendi com ela que boas viagens exigem pouca bagagem e disposição para experimentar outros destinos ou descobrir coisas novas nos lugares revisitados. O que importa, mesmo, é viajar.

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