Sobre elegância e arrastar de correntes

 

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Muita gente confunde elegância com moda ou riqueza.  Uma das pessoas mais elegantes que eu conheço, não está “up to date”, não usa roupas de “griffes” ou deixa de sair de casa se o cabelo está “assim, assim”. Mas a moça é de uma classe, que vou te contar!

Jamais fala alto demais ou deixa de cumprimentar quem quer que seja. Ajuda sem que precisem pedir-lhe e sai, sem que percebam, quando a ausência colabora. É, essa é uma percepção que elegantes de verdade sabem cultivar.

Ir. Estar ausente. Dar espaço. Permitir que lembrem de você com satisfação…

Quando um relacionamento acaba, não é raro o “ex” permanecer vigilante, tomando conta daquilo que não lhe diz mais respeito. Com a desculpa de ajudar, uma colocou a própria secretária doméstica ao dispor do novo solteiro do pedaço? Solteiro? Ela não o considerava assim, ainda que fosse para a balada e, com sorte, “ficasse” com alguém. (Aspas, sempre elas.)

Lá pelas tantas, tornou-se a recordação do inferno. Perdeu a oportunidade de manter-se bem na foto – que a única coisa que sobra, quando fazemos parte do passado. Melhor não estragar, não é?

Algumas pessoas muito bem vestidas, não têm sensibilidade sequer para pedir um favor.  Sempre que escorrego no “diz que mandei pedir”, corrijo imediatamente para algo que não envolva o verbo mandar, vilão das relações de qualquer natureza. Pedir, rogar, solicitar o favor – não há quem, pelo menos, não tente com mais empenho.

Também não entendo o excesso de intimidade que acomete alguns, principalmente em locais públicos. Posso garantir que ninguém (mesmo!) gosta de ser chamado por um apelido carinhoso durante uma reunião. Ou ser saudado, do outro lado do clube, pelo primeiro nome, por quem lhe deve respeito hierárquico.

Se lhe disserem que não ligam, é pura cortesia (elegância, lembra?) para não complicar as coisas. Se estiverem juntos na balada, trate como um conhecido – e olhe lá! Intimidade requer autorização de ambas as partes.  E quando escrever, meu bem, vá se informar no Manual de Redação da Presidência da República – elaborado, graças aos céus, antes dessa aberração de “presidenta”.

Uma das situações mais difíceis – e já passei por isso  – é quando você deixa determinada função  ou equipe.  Não continue a agir como se ainda estivesse no “cast” ; evite passar pelo constrangimento de ser lembrado que os tempos mudaram – pelo menos por enquanto.

Depois de muitos anos trabalhando praticamente com as mesmas pessoas, é difícil “seguir em direção à luz” e desencarnar. Nessas ocasiões me mantive distante, não fiz visitas desnecessárias, não fiz comentários maldosos e evitei estar presente quando a equipe atuava. Por mais que você estivesse louco para a fila andar, a qualquer momento seu olhar pode parecer crítico – ou despeitado. “Será que conseguem, sem mim?”. É claro que conseguiram e estão melhores a cada dia! A velha lição (“Ninguém é insubstituível, inclusive você e eu!) deve ser incorporada para evitar “micos”, pois também somos observados. E muito!

Até no teatro, um ex-integrante de elenco deve lembrar que é exatamente isso: ex. Nada de cutucar lapsos de memória ou qualquer outra coisa. Aliás, “ex” não abre geladeira, não dá ordens, não usa a copiadora, não tenta ajeitar o véu da noiva que não está cuidando. Isso é manter a elegância e, mesmo que torça para que o arranjo ao lado do padre despenque, se acontecer, jamais gargalhe… O próprio veneno costuma ter efeito retardado – mas não falha.

Tento não esquecer esses pequenos grandes detalhes para que não precisem lembrar-me que arrastar correntes incomoda novos hóspedes. Sim, hóspedes; ninguém permanece para sempre, mas as boas lembranças…  Ah, meu bem, são referências que falam de e por nós.

 

(Quem devia ter avisado ao Lula ?)

 

 

 

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