Lavado, depilado e cheirosinho.

 

É terrível ver como brasileiro – a mídia, inclusive – adora uma macaquice. Principalmente se for para copiar americanos. (Vejam os peitos das moças!)

Primeiro foi aquele chato do Dr. Bactéria. Jesus, a esposa (se é que conseguiu alguém para aturá-lo) deve adorar quando ele viaja procurando mofo nas cozinhas alheias; credo.

Lembro que já aconselhou brasileiros e brasileiras, a guardar ovos sujos (por onde saem os ditos cujos?) na geladeira, “beeem lá no fundo”. Na minha casa, ovos são lavados, sim, guardados em recipiente plástico próprio para isso, etc. e tal, que sou limpinha e caprichosa. E são consumidos antes que tenham tempo de boiar na água, sabem do estou falando.

Já ficamos sem o caranguejo, que tanto amamos. Pergunto: alguém já morreu “vítima de caranguejo soprado ou tirado”? Em Pequim, o famoso pato laqueado tem a pele “solta” pelo sopro vigoroso do chef que, depois de amarrar a sobra do pescoço, gruda a boca no traseiro do patolino e sopra, sopra… Pois é, mas lá sabem que o pato será assado e tal. Aqui, alguém pensa que a gente come o crustáceo cru, mesmo.

Recentemente o Fantástico – que já foi muito bom – trouxe para brazucolândia a nova moda nos esteites. “Não lave seu frango”, aconselha o departamento de saúde da terra do Tio (não meu) Sam. Já proibiram café e depois vieram com a “boa nova” que a velha rubiácea faz um bem danado. Já execraram os ovos e depois descobriram que não eram tão ruins assim. E por aí vai, mas continuam se entupindo de bacon. Ok, eles podem… A onda agora é comer frango sem lavar. Ok de novo. Como o passarinho que come pedra, lá eles sabem o comem; mas e aqui?

A maior formadora de opinião de um país de desigualdades estarrecedoras, aconselha que, como nos EUA, não se deve lavar o galináceo. Pitiú, fedor, cecê, inhaca, seja lá o que for, parece que ninguém ali jamais fez uma canja, sequer! Em vez de salmonela, você pode escolher ter uma dor de barriga “daquelas” ou enjoar de frango “forever”.

Sei não. Será que a repórter conhece o Brasil? Ou, no mínimo, a periferia de São Paulo?

Deu-me uma enorme vontade de convidá-la para uma “chegadinha” até os arredores do mercado do Jurunas, para ver como se vende “frango abatido na hora”, ao ar livre, no meio da rua e da poeira, com bandos de urubus aguardando a rebarba. Ah, mas essa é a exceção. É mesmo, cara pálida?

Então vamos lá, diga-me onde posso comprar um frango limpo (já higienizado) em qualquer lugar do Brasil – que não seja os horti-fruti das áreas nobres sulistas ? Hã?

Frango inteiro vem recheado com pés, cabeça, garganta, moela, fígado (coração nem pensar, é vendido à parte, pois vale mais que o dono) e muita sujeira. Se você não lavar, bem lavadinho, com limão, cachaça e vinagre, vai ter aquele desconforto intestinal, causado por bactérias vindas você sabe de onde, inclusive das mãozinhas porquinhas que manuseiam o frango nosso de cada dia. Mas isso ficou esquecido, abafado pela grande novidade: não lavem o frango, senhores! Matéria mais importante, pelo menos, que o casamento da mulher fruta.

Então, tá. O meu, vai continuar tomando banho e fazendo depilação. E indo prá panela cheirosinho.

Fico imaginando os efeitos dessas novidades destrambelhadas na cabeça de quem não tem lá muita informação. Qual será a próxima?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: