Desperdício

Exemplos

David McCullough Jr, professor de inglês na Wellesley High School, em Massachusetts, é a nova sensação dos programas de entrevistas nos Estados Unidos. A razão é absolutamente corriqueira. Numa formatura, onde os discursos costumavam “endeusar” os concluintes do equivalente ao nosso segundo grau, David resolveu alertar os adolescentes de que a vida, a seguir, poderia ser bem mais difícil. Que os adultos que viviam dizendo que eles eram o máximo, na verdade, estavam errados. Em treze minutos, repetiu nove vezes a frase “vocês não são especiais”.

O que David quis dizer? Que muitos pais (e professores) parecem procurar expiar suas culpas, suas ausências e outras falhas na educação desses jovens, tentando convencê-los que são incríveis, seus desempenhos maravilhosos e outras mentiras típicas. É o tal “passar a mão na cabeça”.

Por fim, podem se tornar adultos incapazes de encarar a vida – e as dificuldades – e ainda ter alguma chance de sucesso genuíno.

Não vamos longe, quem de nós não conhece algum desses garotos (e garotas!) insuportáveis, que pensam que podem tudo? Pois é. A “deformação” começa cedo, quando crianças são criadas num mundo de exageros em que, aparentemente, o mundo gira em torno deles. Muitos tratam babás como se fossem “sinhozinhos”.

Falou-se em exageros… Alguém conhece algum lugar onde se cometam tantos despropósitos, como aqui em nossa festeira Belém? (Não me odeiem!)

Pois é, de novo. Conheço uma família que se empenhou (venderam um pequeno imóvel) para que a filha tivesse uma festa de 15 anos “melhor” que as das colegas. Não bastou, para a mãe, que a menina estudasse em colégio cuja mensalidade não era “confortável”. Ela tinha que estar “a altura” das outras. Enfim, o enredo você conhece.

Em quatro horas de festa, cheia de exageros de gosto duvidoso (e como isso é comum, Santa Rita!) torrou-se uma pequena fortuna, entre decoração faraônica, brindes caríssimos, quatro trocas de roupas, bandas, drinques, fogos, escola de samba, príncipe global… Nada de novo, apenas mais uma festa. Elegância, mesmo, passou longe.

O que será da menina, quando a vida lhe disser um sonoro “não” ? E ela dirá, de vez quando.

Esse é o caso do menino de 14 anos, que acha (tem certeza) que pode pilotar seu triciclo no Atalaia, afinal, foi “presente de papai”.

Como pais despreparados conseguem tirar qualquer chance dos filhos se tornarem adultos responsáveis! Lastimável.

O mesmo ocorre com o frangote que grita com o garçom no “clube classe A”, pois é um legítimo moleque que “se acha”.

Certa vez, soube que uma senhora (maneira de dizer) “queria porque queria” pedir “emprestada” ao Comando do Exército, uma onça (que era famosa, na época). O felino deveria participar de uma pantomima, ao lado de um “Lotar” de sunga de oncinha, e da filha, vestida a caráter, na festa de 15 anos, cujo tema era “Rainha das Selvas”. (Também fiquei envergonhada.) A mãe só desistiu do pedido (teriam negado, claro!) quando o marido, num repente de lucidez, a ameaçou com divórcio.

Papi, pelo menos dessa vez, soube mostrar que para tudo há limites! Amém.

Mas outros não desistem, quando se trata de dar maus exemplos. Basta passar ao meio dia, naquelas escolas que todos conhecemos. A cena é clássica: Mamy pilotando o carrão, estaciona (maneira de dizer, de novo) em fila tripla, desce batendo o salto para apanhar o pimpolho, na segurança da escola. Tente buzinar. Ela irá lhe acenar com uma “banana”, arrematará com quatro dedos fechados e o do centro em riste e, porque é muito “fina”, gritará que você é pobre e babaca. Então partirá, feliz com a lição de bons modos e civilidade que deu ao filho. Que aprendeu que pode tudo, claro; afinal, palavras ensinam, exemplos, arrastam,  babaca é pobre e respeita leis de trânsito, conclui-se.

Ai, ai… Não pensem que sou contra festas, logo eu! Mas quando vejo as coisas como devem ser, ou encontro pessoas que sabem comemorar com elegância e bom gosto, que primam pela educação das suas crianças, fico feliz da vida. Pena que seja cada vez mais raro.

Podem me odiar, mas dinheiro, sem classe, é desperdício.

 

 

 

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