Buraco negro ( ô gente sem noção!)

Buraco negro

Lembro da minha juventude, quando levantávamos nos ônibus para “dar o lugar” para idosos e gestantes, satisfeitos com próprio gesto. Também esperávamos as pessoas desembarcarem do elevador para poder entrar e, nas ruas, era raro ver lixo jogado de qualquer maneira. Era uma época em que os moradores cuidavam das calçadas, que eram varridas, numa boa.

O que aconteceu com nossos bons modos?

Quando se fala desses problemas daqui, tem quem ache que é implicância gratuita e logo lembre que em outro lugar qualquer,  é muito pior. E daí? Alivia alguma coisa, saber que em algum lugar no Maranhão ou São Paulo,  a coisa está pior ? Não, é o que venho dizendo.

O problema não é a administração pública, meu caro. Temos visto o esforço para manter a cidade limpa, drenar canais e capinar calçadas. Alguém podia me explicar o que custa manter a própria porta livre de mato ou sujeira?

Por que se joga tudo no canal? Fico irada com esse tipo de coisa.

Sei que já falei nisso outro dia, mas tema é muito sério. Vivemos uma crise de educação – e não estou falando de Enem.

Aquelas noções de civilidade, bons modos e boas práticas sanitárias que, até alguns anos, eram passadas de pai para filho e que, por conta da degradação, se perderam completamente.

Fico imaginando o que passa a PM, no 190, ouvindo casos que, com um mínimo de civilidade, não aconteceriam. É o infeliz que coloca 8 caixas de som na calçada no sábado, e resolve ouvir até a madrugada de segunda. Não passa pela cabeça do sujeito, que está negando o direito básico ao sono, que todo ser humano deveria ter? Não passa.

É o outro complexado (Só Freud explica!) que vai para Salinas e abre o capô para infernizar os demais com música ruim em altíssimo volume. Ele senta e aprecia a paisagem com expressão inequívoca de prazer. Prazer de incomodar. Você já viu algo assim?

Pois é. Numa grande loja de materiais de construção não havia um só gancho no banheiro, para pendurar a bolsa. Chata como sou, é claro que reclamei. E ouvi o responsável dizer que, primeiro usavam os cromados e, atualmente, optaram pelos bem baratinhos – que não duram uma semana pois são roubados. Acredite, algumas mulheres levam chave de fenda na bolsa, para afanar um objeto que custa R$2,90. Pode?

Na festa de quinze anos de uma celebrete local, coleguinhas (deve ser inveja, ô raça!) entupiram dois sanitários do clube com as toalhas bordadas (inveja! Inveja!) e dois rolos de papel higiênico. De quebra, destruíram a cesta de comodidades que a mãe da aniversariante havia deixado no ambiente, picharam o interior das cabines com batom, levaram o kit primeiros socorros, absorventes e tudo mais. Só sobrou a cesta.

Num restaurante, o Milk Shake vem num copo descartável. É que aqueles copos pesados são roubados por jovem com bolsas grandes. Elas levam saquinho plástico para “dar a Elza” no objeto.

Honestidade é convicção pessoal, mas o vandalismo é algo que vem surgindo sempre, independente da classe social. Que raiva é essa, que leva gente “normal” a destruir e roubar bens alheios? É pior que inveja – eu não quero o que você tem, não quero é que você tenha!

Só existe uma chance desse estado de calamidade não aumentar… As instituições – públicas e privadas – precisam, muito, se unir para resgatar esse “buraco negro” da nossa formação. Precisamos de aulas de “recuperação”.

Deveríamos investir verbas de propaganda em peças publicitárias que tentassem ensinar “a coisa certa”; nas escolas, deveriam alfabetizar crianças com frases com conteúdo, quem sabe entendessem que Ivo viu a uva e não pegou porque pertencia à outra pessoa. Cada aluno deveria ter responsabilidade sobre a própria carteira, divida com os de outros turnos. Quebrou? Conserte. Riscou? Pinte.  Em vez de multar, ensinar; em vez de dar, negociar.

Sei que temos especialistas que resolveriam a questão, rapidinho. Será que ainda temos alguma chance?

 

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Mah Mendonça
    fev 17, 2014 @ 05:46:05

    Quero escrever assim! Me inspiras.

    Responder

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