A terra do já teve.

Pois é, voltei.

Andaram perguntando a razão desta ausência que chega a quase um mês, como se a cronista não precisasse, de vez em quando, de uma tempo para apenas observar…

No fundo, nem eu mesma sei se consigo que entendam as razões desse silêncio, dessa falta de assunto; pode ser tanta coisa…

Márcia Cabrita deixou de escrever na última página da revista “Isto é” por não suportar ter que “parir” textos com data marcada. Ana Paula Padrão, colega de espaço, reconheceu que não lidamos bem com prazos. É verdade, mas não era esse o caso.

Não sei se os amados leitores já se sentiram assim, sem nenhuma vontade de dar opinião ou dizer qualquer coisa.

O me inspira é o que vejo. Tudo me parece tão bizarro, dos gastos da copa ao banheiro nojento do restaurante, que prefiro calar a virar palmatória do mundo.

Nas ruas de nossa cidade o que vejo é um desrespeito generalizado por parte da população que parece não ter um mínimo de educação para viver em comunidade. Quando falamos em população estamos todos incluídos.

Chego à conclusão que não haverá, jamais, gestor que dê conta. O enorme e mal cheiroso problema, somos nós. Os mesmos que reclamam da coleta do lixo – que passa na minha porta religiosamente, todos os dias, lá pelas onze da noite. Melhor calar-me. Não vai adiantar nada, mesmo.

Nossos cartões postais estão maltratados, quem quebra tudo isso? Pois é. No Epcot, em Orlando, com utilização mil vezes maior, tudo está no lugar. É que no exterior, somos civilizados.

Aluguei mobiliário e o que recebi foram peças danificadas, que ficaram expostas ao sol e à chuva, por locatários mal educados (sim, tudo isso é falta de educação!). Como reclamei e devolvi tudo, provavelmente ganhe a pecha de chata e coisas do tipo. Deduzo que além de maltratar o que não lhes pertence, a maioria não faz lá muita questão de ser bem atendida. Daí os serviços em Belém são essa lástima.

Recentemente me chamaram de “exigente” como se fosse um defeito. Realmente, quem oferece um serviço “meia boca”, não admite que o cliente queira receber o que comprou, seja um café quente, um copo limpo, um edredom bem lavado, uma comida que não esteja pingando óleo. Ou mesas inteiras.

Sou exigente, sim;  ainda não me acostumei com esse baixo nível de atendimento.

Belém caminha dois passos para frente, três para trás. E isso não tem nada a ver com a prefeitura, que ainda tem que repor carteiras quebradas, bancos de praça roubados e por aí vai.

O transporte urbano é horrível, bancos rasgados e nojentos, ônibus sucateados. Ok, as empresas deviam ser multadas diariamente, mas quem é que os deixa assim? Falta educação (e responsabilidade) ao empresário e ao usuário. Por que em Gramado é diferente? Ambos – empresários e usuários – são diferentes. Aqui, a mulher entra no shopping, enfia a cabeça no lavatório e lava o cabelo com o sabão líquido. Sacudiu a cabeleira respingando quem queria lavar as mãos e foi para o secador de ar quente, enxugar os cabelos, enquanto na pia, chumaços negros e encaracolados, entupiram o ralo. Ninguém disse nada. Nem eu.

Como é possível isso? Não bastasse ter que comer pão dormido nos domingos e feriados, na semana em que se comemorou (!) a volta de voos diretos para Lisboa, soubemos que os supermercados vão fechar nesses dias, às 14 horas. Que “mané” quer que a gente volte no tempo? Ninguém faz compras no domingo por diletantismo (e que fosse!), é uma necessidade que gera empregos e movimenta a economia; será tão difícil chegar a um acordo? Que paguem o que é justo aos empregados? Belém vai virar uma cidadezinha de interior? Até quando seremos a terra do já teve?

Viu porque, às vezes, é melhor se manter em silêncio?

 

 

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