Eu estava lá Ainda que em algumas ocasiões tenha tentado resistir, a cada quatro anos sou tomada pela magia que as Copas do Mundo exercem sobre brasileiros. Minha lembrança mais antiga remonta ao lendário México 70. Pela primeira vez os jogos foram transmitidos a cores, mas quase todos tinham, apenas, TVs em preto e branco. A Embratel colocou telões no Rio, São Paulo e Brasília, os torcedores puderam conferir a seleção de Zagalo que venceu as seis partidas que disputou. Pelé, Tostão, Gerson e outros, fizeram parte daquela que até hoje é lembrada como a mais eficiente das seleções. Recordo o ruído dos chutes de Jairzinho e Rivelino, talentos que atualmente valeriam quantos milhões? Depois da grande vitória por 4 a 1 contra a Itália no dia vinte e um de junho, fomos para a “pipoca” domingueira da Assembleia Paraense. Embaixo, o Porão botava gente “pelo ladrão”. Rima infame, mas era assim mesmo. A partir da transmissão pela TV, gerações de torcedores vêm sendo formadas e hoje a melhor imagem é a de famílias torcendo pelo escrete canarinho. As Copas conseguem trazer para junto dos maridos esposas que detestam futebol durante os outros três anos. Em 2014, mulheres comentam mais que o belo tórax do Hulk; em 70, as (também belas) pernas do Leão eram alvo dos olhares femininos. Só nessas ocasiões eles, os maridos, não reclamam das observações assanhadinhas; finalmente podem torcer sem que as patroas reclamem, estarão juntos nessa aventura e, melhor, elas vão adorar futebol. Pelo menos até treze de julho, mulheres darão palpites, reclamarão da área “descoberta” e garantirão que não houve impedimento, não senhor. Durante as Copas do Mundo, como que por milagre, sabemos quando é (ou não) impedimento, acredite! As Copas conseguem essas façanhas de unir óleo e água, de nos fazer esquecer as sandices da presidente desvairada, os escândalos de mensalões e mensalinhos; transformam cada um de nós nesse ente que representa uma nação inteira: Sua Excelência, o Torcedor. Essa pessoa saudável que sente o peito doer diante da ausência do gol e jura que quase teve um infarto. Que veste com orgulho coisas ridículas e lembra, finalmente, de pedir ajuda aos céus, como se Deus não estivesse sendo invocado – convocado! – pelo adversário. Mas é claro que Ele nos atenderá, afinal, somos nós os brasileiros, o lado certo do jogo. Brasileiros lembram onde estavam ou o que faziam durante praticamente todas as copas depois dos dez anos; algumas trazem recordações especiais. Na da Espanha, em 82, quando a Itália deu vexame e acabou campeã, eu estava grávida da Verena.  Em 2014, na histórica Copa do Brasil, é ela a esperar a chegada de Clara e Maitê que poderão usar verde e amarelo na maternidade (se Deus quiser!) – com o Brasil já sagrado Hexa-campeão! (Se Deus quiser, de novo.) Apesar do Penta, a Copa de 2002, para minha família, é uma recordação triste. Enquanto o Brasil vencia a Bélgica por 2 a 0, nós velávamos meu pai, português naturalizado brasileiro e que torcia como se aqui tivesse nascido. Até a final, o Brasil será uma nação de torcedores, cada um fazendo promessas e mandingas, usando a mesma cueca, a mesma camisa, sentando no mesmo sofá; capazes de tudo para fazer parte da festa até o fim, pois o adeus é a dor de nada mais ter a dizer – ou fazer. Chutaremos a bola no pênalti, seremos como sebo nas canelas do Neymar. E quando tudo parecer quase perdido, virá aquela dor no peito…Deus, onde estás? Quando vi lágrimas brotando nos olhos do Júlio César, percebi que ele precisava de ajuda extra. Clamei por Nazaré e prometi que viveria sem chocolate até 20 de outubro. Deu certo. Mais uma bola… Até o Natal, jurei. Jesus! Eu sabia! Meu chocolate estava todo ali, naquela chuteira que errou e bateu na trave, na energia que tomou conta do Júlio. Ah! Eu sabia! Eu tinha que ajudar!

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. nessa
    jun 30, 2014 @ 10:35:54

    E agoras chocolates rsrsr.

    Responder

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