E daí?

O que realmente importa

Outro dia ouvi algumas pessoas falando sobre seus desejos. Sem exceção, todos tinham a ver com dinheiro. Muito dinheiro.

Tive a impressão que não dá para ser feliz sem uma grande dívida.

Sou normal e é claro que também desejo coisas que nem sempre poderia realizar, mas meus sonhos são mais modestos. Viajar muito, esse é meu grande desejo.

Mas naquele dia eu estava mais simples que o habitual, e acabei me sentido quase medíocre. Eu apenas queria uns dias em casa, sem telefone, sem celular, um ar condicionado silencioso e potente, minha família perto e, se tudo desse certo, quem sabe  até conseguisse ler um dos livros que me aguardam, acusadores. Com mais um tantinho de sorte, poderia marcar aquele almoço tantas vezes adiado e, grande ironia, ir ao dentista.  Isso tudo, como se diz, “não tem preço.” Da mesma forma que não tem preço a cobertura que a colega tanto sonha, nem o combo lipo+silicone que a outra quer porque quer. Desejos, sonhos, planos. Vida.

Mas afinal, o que importa realmente?

Nos últimos dias a morte vem me rondando como um assunto do qual não se pode fugir. Logo eu, que odeio a ideia e não consigo entender a lógica de vir ao mundo, gostar tanto e, um belo dia, (todos os dias são belos!) sem que ninguém tenha perguntando se estava pronto, desligam o fio – o seu fio – da tomada. Em um segundo, apaga-se tudo; o que era vida se transforma em inércia, em nada.

Não entendo e acho revoltante; a morte por si só, é uma enorme burrice, uma estupidez colossal.

A vida, sim, é tudo. Desejos, planos, sorte ou azar, amores ou desamores; estar vivo e poder desejar uma rosa ou uma Ferrari, o por do sol no Mosqueiro ou em Bali, isso sim, é o que importa.

Se já era difícil (praticamente impossível) aceitar que inevitavelmente morreremos um dia, o que dizer de quem desiste da vida? De quem desiste de sonhar, de desejar bobagens e coisas improváveis, de acordar amanhã e pensar em tudo que poderia fazer – ou não?

Desistir de um dia enfiado na cama, cortinas fechadas e muita preguiça. De uma manhã ensolarada, caminhando na praia. Desistir de si.

Enquanto alguém desistia, outros foram tragados da vida contra a própria vontade, apesar dos planos para as próximas décadas.

Robin Williams desistiu; Eduardo Campos e mais seis pessoas foram levados pelo acaso ou pelo destino, tanto faz. De qualquer maneira, a morte é estúpida.

Essas tragédias alheias deveriam nos fazer pensar um pouco mais sobre nossas vidas, o quanto de atenção estamos dando a nós mesmos, a cada dia que tivemos a graça de poder viver.

Desperdiçamos tanto com insignificâncias! Brigas inúteis, fofocas, deslealdades. Quanta bobagem!

 

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