Em azul

 

Ando sem tempo para nada – ou quase. Escrever, inclusive.

Sei que é apenas uma fase e que, com alguma sorte e uma boa dose de determinação, conseguirei colocar “em dia” minhas pendências.

Como toda pessoa que tem mania de organização (arrumar, classificar, ordenar, listar…) senti-me pressionada. Um pedreiro largou a obra pela metade, o eletricista deixou um cabo atravessando meu caminho, os documentos amontoados precisando ser arquivados; enfim, ao acordar já sentia o cansaço de quem foi dormir “devendo”. Num desses dias, li o João Carlos (Pereira) e seus Ipês, que eu não notei, mesmo morando no Marco. Percebi que não passo pela Almirante faz muito, sempre cumprindo os mesmos trajetos: casa da filha, da mãe (raramente, reconheço!) e do shopping (para resolver algo correndo, ou para uma refeição fora de hora) e, diariamente, para o trabalho – que é logo ali.

Eu mesma já escrevi que só não tem tempo que tem muito tempo à perder. Ou que tempo é algo que só os que não têm, conseguem encontrar.

Escrever frases de efeito é muito mais fácil que resolver problemas, de fato. Segundo estatísticas, “a sensação de falta de tempo” é uma das causas mais comuns da depressão. Aquela percepção arrasadora de que o dia está chegando ao fim e não se fez “nada”. Nada como?

Isso vira hábito e logo você não tem tempo nem para viver.

Ser feliz é uma decisão (sim!) pessoal que deve prevalecer, inclusive (e principalmente) nos momentos de crise.

A capacidade de regozijar-se pelo que tem – mesmo que queira sempre mais, pois é a roda que move o mundo – resulta naquela felicidade que certas pessoas simples têm, e a gente não sabe como. Não seríamos mais felizes se esperássemos menos, dos outros e de nós mesmos?

Recolhi sugestões dessas revistas que trazem alguma solução pronta para tudo (dieta e autoestima, sempre!) e decidi separar meus problemas como quem “faxina” a casa. Listar coisas a fazer traz certo alívio, pelo menos você não fica exausto de lembrar-se que “precisa”  isso e aquilo. Numa folha, está o que posso resolver até a próxima semana, na outra, o que consumirá um mês e, finalmente, o que provavelmente não consiga, tão cedo. Ufa, que alívio.

Quando atribuímos prioridades, dá para achar que nem é tão ruim assim; eu posso ser feliz novamente, sem me sentir culpada. Empurrando com a barriga? Que seja, pelo menos ela terá alguma utilidade.

Deixando as brincadeiras de lado…

Otimistas encontram saídas para manter a alegria e o prazer de viver, mesmo quando as setas indicam-lhe o pântano. Essa aptidão é a tal “inteligência emocional”.

Já os pessimistas, encontram muitas e muitas razões para não curtir o que a vida (ainda) tem, de bom. Revivem brigas antigas, nunca estão satisfeitos consigo e com os demais, não conseguem sonhar – nem mesmo algo mirabolante que ficará, um dia, numa dessas listas rabiscadas para amanhã, semana que vem ou nunca.

O risco dos sonhadores é não serem levados a sério. Mas quem liga? Minha mãe, certa vez, me perguntou o que estava inventando “agora”, numa clara alusão ao meu cacoete de sonhar em voz alta – ou mudar de sonho. No entanto, olhando para trás, percebi que já realizei bem mais que o esperado e que, frustração de fato, praticamente não carrego. Mudar os planos, se adaptar quando um choque de realidade é necessário, também é uma habilidade de quem decidiu ser feliz.

Tenho uma amiga que tem sobrevivido a duras provações e, apesar de tudo, consegue ser das mais alegres do grupo. Por outro lado, nunca saberei por que algumas pessoas jamais fazem a escolha mais fácil, evitando debater-se para viver melhor, do jeito que der.

João me aconselhou a jamais parar de escrever, mesmo que saísse uma crônica “cinza”. Tentei enxergar alguma sobra do amarelo dos seus Ipês; e eis que surge uma crônica com alguns tons de azul. Exatamente como devia ser cada amanhecer em que a gente se sente incapaz, por uma bobagem qualquer.

Arrume tempo, mude de sonho, perdoe-se, perdoe o mundo…Mas escolha ser feliz!

Bom dia!

 

 

 

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