Que cartilha é essa?

Hã?

Francamente, não sei aonde vamos parar. Não tenho “horizontes limitados”, como disse uma professora à mãe evangélica que procurou a direção de uma escola no sul, escandalizada com a cartilha “Adolescência sem filhos é muito mais legal!”.

Para começar, ninguém discorda de um título desses. Se a gravidez precoce é uma ameaça que tira a paz dos pais, imagine quão mais ela se torna pesadelo das mães menos favorecidas, que frequentemente criam filhos sozinhas.

Nas redes sociais algumas postagens de adolescentes – locais, inclusive –  são preocupantes. A exacerbação da sexualidade, banalização das drogas (especialmente da maconha) e vulgarização das relações são frequentes.

No vídeo gravado nos fundos de uma escola, duas meninas e dois meninos, fumam maconha e ridicularizam “os caretas” que não “matam” aulas nem “puxam um fumo”. Noutro, a menina faz sexo com um colega no banheiro escolar, enquanto um terceiro filma.

Nas imagens do encontro de adolescentes no clube de um condomínio, meninas beijam-se na boca sem nenhum temor às câmeras de celulares que transformaram o mundo num reality: atrocidades, emoções, transgressões; vida e morte nos pixels do planeta. O que está acontecendo?

Alguém haverá de dizer, precipitadamente, que a culpa é da desatenção das escolas públicas. Bem… Vamos combinar que muita coisa deixa a desejar, mas se você conhece seus filhos, se confia na educação que lhes dá, certamente eles não participarão de um fato desses exatamente porque aprenderam que isso não se faz, e não por causa da vigilância da escola (que deve ser eficiente, sim!).

A impressão que tenho é que os jovens estão com muita raiva. Do mundo, dos pais, de si mesmos. Que outra explicação se pode dar para a loucura de quatro estudantes, que registraram imagens de uma prática perigosíssima, em pleno corredor de uma escola tradicional, facilmente identificada pelo brasão das camisas? Uma menina, franzina, ampara-se na parede e expira, enquanto um colega, bem mais forte, comprime-lhe o diafragma com o punho cerrado, empurrando o estômago até que, tonta, desfalece por alguns segundos. Ele retira a pressão, ela inspira com dificuldade e os quatro riem.

Hã? O que falta aos jovens endinheirados, com seus “aifones” e jeans que custam mais que o salário de quem lhes serve o almoço? O que têm em comum com os colegas da escola  pública?

Esse tema daria tese para sociólogos e psicólogos. Na minha visão leiga, mas interessada, arrisco dois pontos: tédio e pais um tanto desatentos.

Sou do tempo em que se conversava com os filhos, com amigos dos filhos e, quando necessário, supervisionava-se mais de perto. Atualmente a “bisbilhotice familiar” ( necessária!) é muito mais fácil. Jovens não se contentam em “fazer”,  para eles para metade do planeta, o importante é “mostrar”; não é a toa que a maioria dos pais está terminantemente proibida de navegar nas mesmas águas. Ou seja, “nada de ser minha amiga no Face”. Então tá; vamos conversar quando tiverem os próprios filhos.

Por outro lado… Voltemos à “vaca fria”, ou melhor, à cartilha do MEC (pois é!) que prometia aulas de educação sexual – métodos anticoncepcionais, sexo seguro, DST e coisas assim.  Que surpresa teve a mãe paranaense ao ser inquirida pela filha de dez anos, sobre “ponto G” e como seria possível masturbar-se desde os 3 anos! Isto está na cartilha, além de um relatório sobre “FICADAS” e outros absurdos.

Que aula eu perdi? Desde quando esse tipo de esclarecimento é dado “em classe”, com professora mandando guris de dez anos abraçarem-se para saber o que sentiram? As descobertas fazem parte do amadurecimento de cada um, que é pessoal e indevassável. Crianças não precisam de orientação grupal (que pode ser mal conduzida), perdendo a individualidade, como se estivessem numa aula de culinária infantil.

Que tipo de governo promove esse tipo de coisa?

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Mary
    fev 01, 2015 @ 20:16:30

    Educação sexual, religiosa e ideológica não é a função do educador. A ela cabe a instruções na área da ciências e suas afins. A ele cabe promover ao aluno o uso da razão. Motivar a pesquisa e a procura dos fatos.

    Responder

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