Quando se ama tanto…

Da distância e do amor

Pretendia escrever sobre o Natal, confraternizações e amigos ocultos, mas um assunto me chamou atenção, talvez porque o clima natalino favoreça essas conversas sobre o coração e seus caminhos; as andanças que um bater mais rápido pode nos causar.

Nem sempre o amor é fácil. Ou vizinho.

Se a tecnologia nos deixou mais próximos, favoreceu relacionamentos que julgávamos impossíveis. A moça do Pará, casando-se com um jovem de Dubrovnik. “Du”… onde?

Croácia, querida. Um lugar lindo, do outro lado do planeta, distante várias escalas e conexões!

O casal resolveu a questão da distância. E quem não consegue essa façanha, faz como?

Numa conversa entre mulheres, a amiga me perguntava se a distância sentencia o amor à morte.

Como poderia ser sincera, sem desanimar uma relação que pode até, dar certo?  A ausência é o veneno que mata qualquer relação, aos poucos, quase sem que a gente perceba. E o outro pode morar ao lado, tanto faz.

Já não sou a melhor pessoa para falar desses amores que muito precisam enfrentar; o tempo nos faz menos crédulos – e mais práticos.

Não conheço paixão que tenha sobrevivido à maldade da distância por muito tempo, e mesmo o amor – mais calmo e determinado – requer que a distância, se existir, tenha prazo certo (ou quase) para terminar. Amor gosta de rotina, de convivência.

Ao contrário, sei de vários enredos que acabaram se perdendo, como garrafas ao mar.

O que se pode dizer à bela mulher que vive – nasceu, cresceu, consolidou a carreira, teve filhos e netos – aqui e, por esses caminhos que só a internet explica, “conheceu” um homem que parecia “seu número”, não fosse o fato de morar do outro lado do Atlântico. Teria um final feliz?

Depende.

Nossa heroína pode enamorar-se, mas jamais voltará a ser a mocinha que casou de véu e grinalda. O que ela espera dessa relação?

A maioria das mulheres perde – um pouco – do romantismo dos tempos primaveris, mas continua esperando um amor que a complete, sob todos os aspectos. Um homem que saiba amá-la e a valorize com gestos e palavras, ampare quando a vida não for tão boa e tenha mais qualidade naqueles momentos que os mais jovens costumam julgar pela quantidade.

Um homem maduro, interessante, com quem o assunto pareça interminável. Que goste da mesma música.

Como superar a distância sem que um dos dois abra mão da própria história, que saiba transplantar a vida como se fosse a muda de uma árvore adulta e – o mais importante – que jamais lhe cobre o esforço dessa mudança?

É bom lembrar que a relação vivida “aos intervalos” sempre parece muito mais interessante e harmônica do que aquela em que a convivência inclui não só os bons, mas os maus momentos. Será que depois de “casar” tudo continuará um mar de rosas?

Ninguém sabe – e é por isso que as paixões, os amores, são tão envolventes. O imponderável. Esse mago hipnotizante.

Com riscos ou não, as tais borboletas no estômago não têm preço. E quando você encontra a outra banda… Como manter a racionalidade e desistir?

No começo, a adrenalina é tanta que tudo, até os voos mais longos, parece fazer parte de uma vida mais emocionante.

Os jantares são especiais. As saídas, programadas e muito aguardadas. Tudo é excitação enquanto é novidade.

Lá pelas tantas, ir e vir já não é tão fácil. Num certo momento, você precisava dormir abraçadinha ou apenas conversar “olho no olho”. Resta o skype, ou “olho na tela”. Quem já não teve problema com uma frase escrita, que não carregava o tom de voz que mudaria todo o sentido?

A ausência é tão cruel que nos acostuma com a “não presença” do outro. E como essa história continua?

Só sei que ninguém nasce para viver sozinho, nem que exista um mar no meio, cheio de garrafinhas indo e vindo.

Aproveite, amiga, enquanto durar. Quem sabe como será?

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