Inesquecível!

Inesquecível

Todo final de ano é aquela lenga-lenga das listas intermináveis de “coisas” a fazer que, para chegar até a metade, você precisaria nascer de novo. Desisti desses sonhos mirabolantes depois de verificar que, de cinco “decisões para o ano novo”, quatro eram as mesmas desde 2008. Melhor seguir a vida e tentar reinventar-se aos poucos, sem cobranças e,  francamente, não conheço ninguém que tenha emagrecido ou deixado de fumar por conta de uma decisão de fim de ano.

Se já não faço promessas, olhar para trás e avaliar o desempenho é essencial para colocar a cabeça em ordem. Valorizar o que foi bom e tentar aprender com o que foi, digamos, nem tanto. E 2014 para a cronista não foi bom; foi ótimo, sob todos os aspectos.

O melhor, todos sabem: tornei-me avó das gêmeas e blá, blá, blá. De quebra, estou livre da neura de tentar manter a juventude a qualquer preço, crivar a testa de botox e coisas do tipo. Sou avó, meu colo é confortável e estamos conversadas.

Uma das lições que esse ano memorável – apesar da seleção, da Dilma e da enorme quadrilha que vem acabando com o país – me ofereceu, foi justamente no jogo em que soubemos o que é “levar uma surra”, de fato. No 7X1 que ficará feito tatuagem em nossas lembranças, os atletas (eles, sim.) alemães usaram a melhor pelica que se pode encontrar nos dias de hoje. Tão elegantes e contidos em sua vitória que, lá pelo quinto gol era fácil perceber o constrangimento pela humilhação que os arrogantes donos da casa (e da bola) estavam sofrendo. Dependesse deles e não dos nossos craques de araque, o escore teria sido menos aviltante. Gente de primeiro mundo, sabe como?

Quem dá por certa a vitória e cede à arrogância do “já ganhou” sempre se dá mal. Está anotado no meu caderninho.

Foi um ano em que, mais uma vez, percebi o quanto devemos ser cada vez mais seletivos ao eleger quem pode fazer parte do círculo especial que chamamos de amigos. Existe um mito que diz que “amigos podem tudo”, até passar “anos sem se ver”.  Desculpe, mas justamente esses é que não podem “tudo”. Não podem faltar ao casamento de uma filha sua, sem informar que estarão ausentes em tempo hábil para você substituí-los. Não podem passar um ano sequer, sem tomar conhecimento se você superou aquele problema ou mudou-se para Cochabamba. Conhecidos ou colegas (que você vê com frequencia, mas não têm lá grande importância) até podem (mas não deveriam) fazer esse tipo de coisa. Amigos? Jamais!

Amigo não fica calado quando atacam sua reputação. Se for impossível defender, levante-se e vá tomar ‘uma fresca’.

Então anote aí: esperar menos, confiar menos, escolher mais.

Esse ano, em que quase faltou tempo para mim, também aprendi que você “vai” e o resto (casa, filhos, reformas, sofás que precisam de novo estofamento, máquinas que param de funcionar no pior momento…) fica.

Muitas vezes dormi mal pensando que não havia arquivado as contas do mês, que não fazia ideia do que faltava ou sobrava na dispensa, que não tinha o que vestir no casamento de sábado. Tantas que cheguei à conclusão – óbvia  – que preocupar-se é tempo jogado fora. Se não dá para resolver, relaxe e durma um pouquinho mais, você ficará menos mal humorada. De resto, casas ficam meio bagunçadas de vez em quando e ninguém morre.

Dormir mais, rir mais, cobrar-se menos.

No ceia de Natal, fiz questão de ter uma determinada batata palha à mesa. Tive que convencer a fornecedora a fritar mais um pouquinho, para atender a antiga cliente. Satisfeita, voltei-me para o que faltava, quantas rabanadas para cada, todas no mesmo tamanho… Mil detalhes!

No dia 26, encontrei o pacote de batatas, intacto. Não foram servidas e ninguém sentiu falta!

Na vida é mais ou menos a mesma coisa. Você padece sob a pressão do que reputa como importantíssimo – o vestido do casamento, meio milímetro de cabelos brancos, três anos a mais no “scotch” da festança. Depois é que percebe que o importante era muito, muito mais sutil.

Que nesse ano você possa anotar as melhores recordações e esquecer o que não faz jus às suas memórias. E que esteja sereno o bastante para que 2015 possa surpreendê-lo!

 

 

 

 

 

 

 

 

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