Recomeçar

Consultório Sentimental

Domingo é quase sempre a mesma coisa. Salvo tenha acontecido alguma coisa muito inspiradora, fico fuçando aqui e ali, procurando um tema para a crônica.

Esforço-me para evitar a Dilma – que é uma piada – um deboche – pronto. Ela e sua “tchurma”.

Adoro viajar e falar de novas descobertas, mas na atual conjuntura, acabamos por comparar aqui com acolá e isso cansa.

Nesse clima, abro meu e-mail e ela está lá, quase pronta. Nada de extraordinário, apenas essas pequenas tragédias diárias que todos já enfrentamos, ou podemos enfrentar, um dia.

Relações amorosas.

Ah, amiga, se manter um amor é difícil, cultivar um casamento minimamente gratificante é quase um milagre, operado apenas por quem está determinado a ser feliz – apesar dos pesares.

Você me fala de casais de parecem estar sempre num mar de rosas. Não vou dizer que são só aparências, a fim de minimizar sua dor. O que ninguém lembra é que não se vive o tempo todo num clima de romance, e que para manter uma relação satisfatória, ambos precisam querer isso, acima de tudo.

Não sou uma Pollyanna de meia-idade, que só vê o lado bom da vida; sou apenas muito prática.

Não acho que toda falha mereça perdão, isso depende do quanto você ama e é amada, e do quanto quer manter o casamento. Essa questão , aliás, envolve muitas outras, mas o que você jamais deveria considerar é o que os outros vão pensar. Os outros são apenas isso – os outros.

O amor (relacionamento prazeroso) não “nasce pronto”, é fruto de convivência e entendimento. Uma hora você acerta, noutra você erra. Cada um cede um pouco e os dois ganham.

Responda francamente a si mesma: E se fosse você a falhar? (Não se julgue incapaz de errar, querida. Tudo depende, também, das circunstâncias.) E se fosse você? O que esperaria que seu parceiro fizesse?

Perdoar, quando é possível, não é fraqueza, mas um gesto superior.

Não se esquive dessa decisão que só você pode tomar.

Se existe algo que alguém pode fazer por você é apenas sugerir algumas reflexões que, no calor dos acontecimentos, pode esquecer. Só você conhece seu parceiro e sabe se esse é um comportamento recorrente ou teve outras motivações. Só você sabe que tipo de sentimento os une, o que ele sente por você e você por ele. Só você sabe se ele vale o sacrifício.

Se valer, invista. Conversem. Procurem ajuda.

Caso não valha a pena, coragem, meu bem. Tente descobrir se esse elo que a liga tão fortemente a quem a magoou, não passa de hábito – ou ainda é amor.

Mas a gente só deve alimentar amor por quem mereça. E amor próprio, lembre, é um santo remédio.

Recomeçar pode ser um projeto estimulante. Mude para um apartamento menor, assuma o controle remoto. Mude de bairro. Mude o corte de cabelo. Leia mais, saia mais. Você vai ficar surpresa com a quantidade de pessoas que também estão recomeçando.

Manter o casamento após uma crise como a que me relatou, também é um desafio.

Seja qual for sua decisão, o essencial é que você cresça com ela. Que mantenha portas abertas para a vida que segue, sem esperar por ninguém.

Certa vez, uma senhora me disse algo que só fui entender muitos anos depois. Ela falou que pessoas e casas são muito parecidas. Casas fechadas acabam envelhecendo, emboloradas e esquecidas por todos. Nós também.

Encerrando, desejo que você siga em frente, de uma forma ou de outra. Afinal, esses obstáculos são nada mais nada menos a vida. E ela não pára.

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