Aurá: e-mail de Luiz Otávio da Mota Pereira

Prezados

Mais uma vez o Prefeito de Belém, debocha do Povo de Belém e ignora decisão judicial do Juiz Dr. Elder Lisboa. que determinou paralizar o Concorrência Pública No. 017 2012 – CPL/PMB/SESAN, referente ao lixão do Aurá. Segue anexo:


1- Homologação, em 08/12, para a S.A. Paulista de Construções e Comércio. Valor declarado de R$2.743.687,73. O valor declarado é mensal. O valor real /total da licitação é de :

R$2.743.687,73 x300meses= R$ 823.106391,00

2 – Extrato de Contrato No. 012 / 2012 – PMB/SESAN

Celebrado com a Contratada: CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS – CTR GUAJARÁ, CNPJ No. 16.988.517/0001, empresa com número de inscrição16.988.517/0001-70, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, com data de abertura em 10/102012., posterior a data da Homologação – 08 de Outubro de 2012.

Conforme pode ser verificado, alé de querer perpetuar um CRIME AMBIENTAL, POR MAIS 300 MESES – 25 ANOS, estão claras as gritantes irregularidades irregularidades:

  • Edital com irrgularidades
  • Desobediência a decisão da justiça
  • Homologação com valores mascarados.
  • Contrato celebrado com a Empresa Central de Tratamento de Resídiuos – CTR Guajará, aberta em 10/10/2012 ( ver anexo), que não participou da licitação. Lembro que a a Homologação foi em nome da empresaS.A. Paulista de Construções e Comércio.

Reitero a necessidade de impedir a concretização desta farsa, por uma Administração em fase derradeira, e que deseja de maneira açodada e irregular perpetuar um Crime Ambiental por mais 25 anos. O Povo de Belém deve ser mobilizado para impedir tal insanidade.

Luiz Otávio Mota Pereira

Engenheiro Civil e Sanitarista e Professor da UFPa

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Peitos!

O Horário Eleitoral : festa democrática?

Palhaçada nas eleições: por quê não se cobra decoro ?

Desses candidatos que me envergonham

Logo que começou o horário de propaganda eleitoral, meus hormônios – os que sobraram – não conseguiram segurar ‘a onda’; fiquei depressiva, preocupada com o que será de nós (dos nossos netos) enquanto perdurar esse sistema eleitoral que não nos favorece.

Um amigo me passou um pito, lembrando da tal “festa da democracia” que, a meu ver, não define a eleição. Farra é mais apropriado. Pândega, então, serve como uma luva. Já a democracia… Será que é isso, mesmo?

Fiquei meio ressabiada pelo puxão de orelhas; tudo bem que brasileiro tem mania de falar mal de si mesmo… Mas estamos realmente participando de um processo legitimamente democrático? Hummm… Lá vem ele, com gregos e a Atenas clássica; com a mudança do adágio que “Todo poder emana do rei…” para “Todo poder emana do povo e em seu nome…”. (Pelo menos o “1822” ele andou lendo…) Francamente, se o povo fiscalizasse o poder, teríamos um número reduzidíssimo de vereadores, deputados etc., a festa seria, digamos, “en petit comité” e, quem sabe, a roubalheira fosse menor e as coisas levadas mais a sério? Particularmente, sonho com isso. Não seria ótimo que coubessem numa Kombi? Vá lá, um micro ônibus, ô raça!

“Já viu quantos candidatos jovens?”, ele insiste, garantindo que é sinal de renovação, a tal mudança para melhor… Será? Assisti um deles prometendo carga menor de impostos, moradia e mais empregos. Como vai fazer isso, carinha pálida?

O pior é que a ignorância não é exclusividade dos jovens; a maioria (mas pense numa maioria enooorme!) não tem a menor ideia do que faz um vereador, suas limitações práticas ou qual a função da “egrégia casa”. Eleitos, alguns vão sapecar “nobre colega” pra cá, “nobre colega” pra lá e rapidinho estarão votando em bloco, fazendo valer a força da legenda – o que, eventualmente, pode ser pura chantagem. E propondo Sessões Especiais, uma aberração que, na prática, é mero faz de conta.

Falando honestamente, também não dá para bancar os “politicamente corretos” (no muro, eternamente) e fingir que não notamos aqueles candidatos que causam quase dó, tamanha ingenuidade e ignorância no sentido mais literal: pessoas simples e bem intencionadas, sem instrução, tentando eternamente uma vaga na Câmara, sem perceber que são usadas, apenas isso. Sem chances, não recebem nada para a campanha e gastam o pouco que têm para conseguir escassos votos que, somados aos de outros colegas sonhadores, acabam “empurrando” as legendas. Na festa da democracia, os camarotes são Vips, pode crer.

Como posso explicar para uma criança, que seus “representantes” são esses que prometem coisas estapafúrdias, alguns evidentemente malucos, outros despreparados e muitos comprometidos até a alma?

“Votar é separar o joio do trigo”. Pois é, se a gente – povo – respeitasse o voto, seria ótimo! Na pândega, elegeram o Tiririca, meu amigo. Ele o representa?

Francamente, acho que deviam cassar a candidatura não só de analfabetos, mas de quem faz da campanha uma verdadeira esculhambação – me perdoe o termo.  Quem vai para TV fazer palhaçada (como o Tiririca, para citar só o mais conhecido) não deveria ter direito à disputa, por falta de decoro e desrespeito à democracia, no mínimo!

Rir das palhaçadas (lembra do Abdon?) apenas nos transformou em platéia do circo de horrores que ofende a democracia, nada mais. Mesmo circo onde falecem as esperanças de mais educação e saúde para o povo – que, desrespeitado, continuará sem levar nada a sério, principalmente políticos!

Lamento, meu caro. Não divido essa euforia com a sua festa. E deixe-me lembrá-lo que, do ponto de vista do eleitor, trata-se de fato, de uma esbórnia, se é que me entende.

 

 

 

 

 

Das sacolas dos supermercados

Palhaçada com (ou sem) alças

Reciclável: termo usado para definir o que pode ser reaproveitado; reutilizável, nova função ao que seria descartado.

Lembra a última vez que comprou maionese em pote de vidro? Pois é. E tudo o mais que era vidro – limpo e altamente reciclável – virou “prástico”. Mas alguém pensou no meio ambiente?

Não acredito que exista algo tão reutilizado quanto as tais sacolas plásticas dos supermercados que, de uns tempos para cá, viraram vilãs ecologicamente incorretas. Puro jogo de cena para enganar ingênuos, enquanto venderão mais sacos de lixo (e outros “plásticos”) –  que duram quase a eternidade.

A questão ambiental é séria, mas dependendo dos envolvidos, pode servir para outros objetivos. O poder público é o primeiro a não cumprir sua parte. Exultei quando fui informada que a coleta seletiva aconteceria semanalmente na minha rua, comprei uma lixeira enorme, sacos reforçados, escrevi uma crônica esperançosa e… Uma semana, foi quanto durou a novidade. Depois disso, as coletoras (coordenadas pela Prefeitura) sumiram e nós, os crédulos, viramos depositários dos recicláveis até que, por algum milagre e num dia não combinado, uma delas passe para recolhê-los. Tudo na Prefeitura é assim.

Fiquei imaginando uma razão plausível para afirmarem que são as sacolas – tão úteis – as responsáveis pela desgraça ambiental. Praticamente tudo vem embalado em plástico não biodegradável e ninguém se manifesta: queijo, pizza, frango, sabão em pó… Tudo. Jamais sugeriram que gente comprasse café no retalho, cada qual com seu pote; ou levasse o próprio saco para o açougue, afinal seria ridículo. Com certeza, menos ridículo que retirar as sacolas dos supermercados, pois nada é tão útil e imediatamente reciclável: em poucas horas estarão embalando o lixo nosso de cada dia, o coco do Totó de quem tem educação, os restos da vida que segue, apesar das loucuras cometidas por espertos em nome de um planeta mais saudável.

Há que se ter um mínimo de bom senso, nobres legisladores. E isenção!

Se continuarmos “deixando prá lá”, logo também aqui em Belém, levar suas compras para casa será um problema só seu; que se dane quem vai tomar ônibus lotado até São Brás e pegar outro até o PAAR… Será que nossos vereadores carregam suas comprinhas? (Um deles, encontro sempre no supermercado. Gostaria de saber o que pensa…)

Para quem tem carro, “basta deixar uma caixa no porta-malas” (e em casa, berrar para a empregada, coitada, retirar tudo!). Você quer isso? E quem volta para casa de bicicleta, sob a nossa chuvinha diária? Como fica? Não fica, dane-se.

Essa turma acha que somos otários, que devemos comprar sacolas reutilizáveis que, segundo especialistas, deveriam ser bem lavadas a cada uso, pois se tornam cultura de tudo quanto é porcaria. (Daí vamos gastar mais água. E sabão. E dedos…) Mas eles se preocupam com isso?

Essa lei, que já está em vigor em vários estados, é uma hipocrisia, cujo único efeito foi livrar supermercadistas de gastar com sacolas e vender mais sacos de lixo… (Está explicado!) A indústria já oferece sacolas biodegradáveis; o poder público deveria estimular pesquisas para tornar a maioria das embalagens degradáveis mais rapidamente ainda, em vez penalizar o consumidor com esse castigo.

Proibir as sacolas é um acinte ao consumidor que, ao fazer uma compra em qualquer estabelecimento, conquista o direito de obter meio físico de contê-las para seu transporte. Pior é que nem Procon ou Ministério Público parecem lembrar desse direito, que me parece tácito a partir da compra.

Lamentável. Resta esperar que algum político tenha um pouquinho só de bom senso e acabe com essa palhaçada. Sem querer ofender nenhum palhaço, que fique bem claro.

Pelo Sinal da Santa Cruz

Compilação: Vera Cascaes


Deve ser a primeira oração do dia, ao levantarmos, ainda sentados à cama.

A oração do Sinal da cruz é seguida do “Em nome do Pai”, sempre.

A maneira correta é de fazer a Cruz (por isso se chama Sinal da Cruz) é :

Comece com Mãos postas, palma com palma ( energia e respeito ),

depois os dedos devem ficar em posição mudrä de persignar-se (benzer-se)

mudra é um gesto sagrado feito com as mãos e é capaz de levar a diferentes estados de consciência, geralmente executado com as mãos.

Existem  mudräs para diversas ocasiões. Veja no Google e vai entender porque certas pessoas assistem uma preleção com mãos entrelaçadas e os polegares esticados, se tocando…

Na imagem,  o mudrä é o de auto persignação, que aparece em  pinturas do Vaticano, em livros antiquíssimos.

Orando:

Mãos postas. Depois mão direita em mudrä de auto-persignação…

Pelo sinal da Santa Cruz ( faz a cruz na testa) : proteção contra maus pensamentos e inimigos mentais, contra a força do mal que pode nos abater, como a depressão, a insegurança, o desinteresse.

Livra-nos Deus nosso Senhor (faz cruz sobre a boca): que nossos lábios não pronunciem calúnias ou difamações, que sejam portadores da boa palavra, do louvor a Deus, da solidariedade.

Dos nossos Inimigos (faz cruz sobre o coração):  proteção contra inimigos físicos e espirituais; inveja, ciume, avareza. 

Volta os dedos à testa:

Em nome do Pai,

Do filho (coração)

Do Espírito Santo (ombro esquerdo)

Amém (ombro direito)

Lembrando: abençoe seus filhos, mesmo durante o sono, dessa mesma forma. Ao final, diga:

Senhor meu deus, agradeço a saúde dos meus filhos, fica com eles e os protege, amém.

Todas as vezes que algo – mesmo as coisas pequenas –  der certo, não tenha vergonha de dizer em voz alta : Obrigada, Senhor!

Isso é louvar ao Senhor…E você pode fazê-lo a todo momento, em qualquer lugar.

Não estar numa igreja – ou templo – não significa estar longe de Deus!

Amém: assim seja! Tudo que você pronuncia ou deseja com fervor, o

universo diz “amém”. O universo… é Deus.

Bom dia, sempre. Apesar de tudo…Bom dia!

Sem flertar com o alemão

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Lá pelas tantas a gente começa a esquecer uma coisinha ou outra e passa a brincar que o “alemão” anda nos paquerando. Depois esquece o aniversário da nora (logo dela) ou de pagar o INSS da empregada, coisa que faz, todo mês há… Quantos anos, mesmo?

A preocupação com a memória só atrapalha, até que, no caixa do supermercado, aquela fila pronta para linchar quem ouse atrasar o almoço e você…Esquece a senha! Justo ela, que você tecla pelo menos uma vez ao dia, bom era no tempo em que a gente assinava, reclama. Depois dos cinquenta, o que está cada vez pior não é sua memória, querida, é a atenção.

Já faz algum tempo que passei a brincar com meus lapsos, mas no fundo, ficava deprimida, afinal, pé de galinha a gente adia com botox, mas senilidade… Aqueles comentários “você ainda é jovem” não servem pra nada; geriatras deviam ser consultados aos 35, 40 anos. No máximo.

Eu decidi combater essa sensação de estar sempre meio “chapada” – principalmente por ser careta e andar limpa – Calman conta? – a maior parte do tempo. Cansei de ver as pessoas falando mais pausadamente como se precisassem “desenhar”, ou me lembrando de um compromisso que era rotineiro, umas tantas vezes. “Não vai esquecer, heim!”. Não vai esquecer é o …

Descobri que sofremos de déficit de atenção, que funciona como uma bola de neve. E a avalanche você já sabe como seria.

E dou a mão à palmatória. Depois de praticar, jamais voltei a me sentir perdida… Onde estávamos?

Brincadeirinha. Vamos lá.

As pessoas perdem vencimentos de contas ou compromissos principalmente porque, aposentadas ou sem “trabalho”, não têm contato frequente com algo que as lembre “que dia é hoje”. Quantas vezes você lembrou que teria que pagar algo, justamente quando datava um memorando, uma receita ou outra correspondência qualquer?

Pois bem, pode parecer estranho, mas manter um calendário (com uma caneta) afixado no espelho do banheiro é extremamente útil para lembrar compromissos, consultas, aniversários, ou carnês. Ao amanhecer, logo que escovar os dentes, a dica é olhar a data, repeti-la (hoje é quarta-feira, dia tal) e verificar os compromissos. À noite, risca-se o dia findo. Simples, mas muito eficiente, evita aquele “branco”em que a gente não lembra nem em que ano estamos.

A segunda dica – importantíssima – é um bloquinho para fazer a lista do dia. O que se tem para fazer, o que deve ser comprado no supermercado, telefonemas a dar, contas a pagar, aniversariantes do dia etc. Cada vez que uma tarefa é cumprida, risca-se da lista. O que sobrar deve abrir a do dia seguinte.

Com tudo anotado, sua mente fica, digamos, mais leve para você prestar (mais) atenção no que faz, em vez de remoer neurônios para não esquecer de passar na tinturaria ou telefonar para a Tia Xinica para dar parabéns pelos 84 (ou seriam 85?) anos. Assim você dirige melhor, estaciona melhor, vive melhor. Extremamente útil no Natal, quando você perde dias comprando presentes e depois não sabe para quem já comprou.

Quer outra? Compre presentes de Natal em outubro, desde que sejam coisas que não precisem ser trocadas. Roupas, sapatos e pannetones são… Perecíveis, entendeu? Escolha outra coisa, criatura.

Telefonemas. Sabe de uma coisa? Todas as vezes em que fiquei tentando lembrar o aniversário de alguém para telefonar, acabava esquecendo. Agora, ligo de véspera. Aviso logo que quero ser a primeira (essa é tão surrada!) e que na verdade não quero incomodar no dia, que sei, será cheio! Todos adoram minha tática e eu fico mais tranquila.

Nomes. Ah, eu sou péssima para nomes. Péssima não, sou um horror, mesmo.

 Conheço uma Shirley e todas as vezes que tento falar-lhe, fico em dúvida se seria Sheila. Aceitei a dica do especialista e adotei a técnica de memorização associada. Conheço uma Sheila que não esqueço o nome, daí memorizei as duas, de braços dados, e que uma, a que eu conheço mais, é a Sheila – a outra só pode ser Shirley. Esse mesmo exemplo serve para memorizar nomes iguais. Duas Sheilas, duas cabeças numa só fotografia.

Listas de supermercado. Tenho praticado a técnica do roteiro. Você escolhe um roteiro mental e vai colocando as imagens. Entro em casa, na garagem está uma saca de laranjas*, elas estão jogadas em direção ao pátio, onde uma panela de arroz* fumegante está sobre a mesa, ao lado da Babi faminta (ração)*. Vou para a cozinha e o piso está escorregadio de espuma (detergente)* e na bancada está um pacote de pão*, ao lado do pote vazio de manteiga*. Basta lembrar onde o roteiro começava e sua mente vai ajudar. Acredite, é só treinar.

Falando em treino, a unanimidade dos médicos que “sacam” tudo sobre envelhescência é manter corpo e mente em exercício. Caminhe, transe, pule corda, nade… Mexa-se! E mantenha o cérebro azeitado: ler e escrever são a melhor opção. Quando você lê, areja as idéias. Quando escreve, areja a vida, inclusive a alheia.

No mais, tome vitamina C diariamente e vá ao cinema, semanalmente. Paquere a vida – mas dê-lhe chance de retribuir. Você vai ver que ainda podemos (quase) tudo. O quase, a gente substitui por coisas que só descobrimos recentemente. E isso não tem nada a ver com netos, querida; não m-e-s-m-o.

 

 

 

 

Desencanto

Já não se vê quem roube para matar fome – a própria, ou dos seus. Drogas ou ganância são os motivadores de quem se arvora no crime, seja ele qual for. É o que se vê nas páginas policiais ou no caderno de política e poder. Naquelas, rapazes com suas mechas louras espetadas – que podiam estar atrás do balcão de qualquer loja – estão assaltando, para financiar o vício. Neste, engravatados promovem uma falcatrua atrás da outra; querem sempre mais, mais… Parece que roubar virou uma epidemia.
De colarinhos emporcalhados nem falo (não agora!); mas a banalização das drogas – consequentemente do crime – na periferia, é alarmante. Se você mora num bairro classe média e acha que a coisa está ruim, não tem idéia do que acontece um pouquinho além da Batista Campos – ou do seu condomínio.
Uma jurunense me conta do desespero de saber que, na sua quadra, não existe uma única família que não tenha pelo menos um membro envolvido com drogas – e com o crime. Tentei imaginar isso na minha rua, e percebi o quanto é desesperador. Quanto mais humildes, mais pessoas residem no mesmo endereço e isso amplia o espectro devastador do vício; é comum que irmãos ou primos frequentem juntos as “bocas” e cometam assaltos. Muitos voltam para casa imundos, furtam dos próprios parentes que, sem ter a quem recorrer, acabam se conformando. Quando são presos, a família passa por outros suplícios, se é que me entendem; inúmeros morrem em acerto de contas, mas os infortúnios dessas famílias sobrevivem feito sina, quase predestinação. Ser pobre já é difícil, abandonado (e até explorado) é muito pior. E ainda há quem ache que para a mãe carente, cheia de filhos e misérias, a dor de perdê-los é menor – ou mais suportável – que heresia!
Queria ter um tema ameno, quem sabe a minha obra que desafia a da Igreja de Fátima… Tentei fazer graça com um besteirol qualquer (O “Pórrrtico” – como diria o Yúdice Andrade – serve para que, mesmo?) mas não consegui esquecer a senhora , perguntando como seria a vida no seu bairro daqui dez anos…
Não sei, disse-lhe com franqueza. Não faço idéia do que fazer para tentar, de alguma maneira, manter a juventude longe do crack, do óxi, ou de outra porcaria qualquer. Esses jovens vivem um desencanto avassalador, sem perspectivas menos miseráveis; sem objetivo e sem esperança, o futuro pode parecer-lhes pior ainda.
Minha certeza é que o sistema falhou, em tudo. Não oferece segurança, não garante atendimento básico de saúde e, acima de tudo, não consegue tocá-los com um modelo educacional interessante e de resultados. Ficamos presos no círculo vicioso de que vandalizam escolas e por isso não conseguem educação de fato – ou seria o contrário? Quem “nasceu” primeiro? Nesse caso, é fácil: o desencanto, a decepção. E agora?
Um colega de meu pai no então maravilhoso Colégio Paes de Carvalho, falava-me do amor incondicional dos alunos pela escola e do quanto os professores eram dedicados. Seria possível amar uma escola que não os atendesse? Hoje, tudo é diferente – e pior. Para sobreviver, professores trabalham em várias escolas; é praticamente impossível manter qualquer relacionamento salutar com adolescentes que não respeitam, sequer, a autoridade do mestre em sala de aula.
Enquanto isso, o que deveria ser uma passarela eficiente, virou uma piada de R$ 9,4 milhões, sendo R$ 7,2 milhões do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e R$ 2,2 milhões da prefeitura; contrapartida que poderia ter sido investida na educação. Valha-nos quem, mesmo?
Voto, minha senhora. Seu voto é que pode mudar alguma coisa – no mínimo, fazer uma bela faxina. Bom dia – e boa sorte.

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