Faz de conta

(Belém, 4 de agosto de 2015)

Faz de conta

Pensando na minha própria infância, descobri que nada sei sobre o que minha mãe e minhas avós viveram nessa fase mágica da vida.
Como seriam as brincadeiras? Como e quando aprenderam a arrumar a própria bagunça? Será que escovavam os dentes pelo menos duas vezes por dia?
Por que nunca conversaram comigo sobre essas coisas, justo eu que sempre adorei uma boa conversa?
Subitamente temi não ter oportunidade de contar às minhas netas sobre quanto fui feliz, num tempo que, para elas, será praticamente um passado muito distante.
A geração que ora dá os primeiros passos, não terá conhecido o mundo sem o HIV, sem informática, sem celulares capazes de tudo. Não lembrarão a época em que se morria de tuberculose e diarreia. Não terão recordações de cidades limpas, cidadãos mais educados e cadeiras nas calçadas. Nem imaginarão que vizinhos trocavam fatias de bolo e dois dedos de prosa.
Fui tomada pela necessidade de colocar “no papel” (será que ainda usarão cadernos de oito matérias?) minhas melhores e mais distantes lembranças. Não se trata de um tratado sobre a antiguidade recente, mas um pequeno apanhado das melhores coisas que uma garota feliz, viveu.
Pense no que passa pela cabeça de uma menina de cinco anos, chacoalhando a bordo de um “teco-teco” pilotado por um tio-avô maluco, pousando na praia da fazenda no Marajó? Era uma aventura! Mal conseguia dormir, imaginando os passeios pela areia, catando tesouros que o mar trazia. Conheci isopor muito tempo antes que fosse comum utilizar uma embalagem desse material. Boias de vidro azul, pedaços de cordas e madeira.
A noite, na minha rede, fingia estar num barco à deriva, inspirada pelos achados do dia. Sacudia para um lado, para outro, olha a onda enorme… “Vera, sossega e dorme!”, determinava minha mãe.
Era uma menina que comia jacaré, marreco, tamuatá e que adorava usar a cartucheira.
Durante o dia, andava pelas redondezas depois de tomar leite “mugido”, espumante e morninho. A horta, onde meu avô cultivava amendoim, algodão, feijão manteiguinha e outros, de vez em quando era coberta pela água do igarapé, inundado nas marés mais altas. Pela manhã, via extasiada, os caboclos tirando caranguejos dos buracos que tinham se formado. Durante muito tempo acreditei que vovô Delmar plantava caranguejos. E jurava que o fim do mundo era depois de um velho muro que restava na horta.
Como não contar que dediquei dias a fio a cavar um buraco, querendo chegar ao Japão, para me livrar das implicâncias que sempre aconteciam entre as crianças?
Que vimos algo cair do céu, passando perto da varanda (onde cantávamos sobre uma caixa, tendo um cabo de vassoura como microfone) flamejante, iluminando o trajeto até cair no mar?
Como descrever a emoção ao descobrir os ninhos das tartarugas na areia do lago? Ou da honra de alimentar Tola, uma bezerra que se tornava vaca, com uma mamadeira de garrafa de cerveja?
Dá para esquecer a satisfação de saber subir numa árvore, sozinha, arranjar uma forquilha segura e confortável e sonhar com uma casinha lá no alto, onde ninguém me importunasse e vivesse minha vidinha em paz?
Na história de João e Maria o que me encava não eram os doces, mas poder me mudar para a casinha da floresta.
Será que toda criança tem essa fase em que sonha fugir de casa, ser astronauta, aeromoça ou viver na ilha do Robinson Crusoe?
Não sei se os pequenos mudaram, ou se sonham agora com os astros, mas o que tenho certeza é que não posso deixar desaparecer essa criança curiosa e feliz que um dia fui e que continua, sabe-se lá como, sobrevivendo num cantinho qualquer da minha existência.
Ela precisa de ar e espaço, para contar a outros meninos e meninos que ser feliz é quase tão fácil quanto imaginar que uma rede singra mares revoltos

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Livre, leve e solto

(Belém, 10 de agosto de 2015)

Livre, leve e solto.
Nos primórdios acumulávamos alimentos, temendo invernos e disputas. Mais tarde, as guerras causaram desabastecimento, e a população armazenava até água potável.
Recentemente, comprar mais que o necessário está mais ligado a questões psicológicas. Carentes de afeto dão-se presentes, insatisfeitos com o peso, com a vida em si, compram. E o mais inquietante é que o distúrbio acontece, inclusive, entre pessoas de baixo pode aquisitivo que simplesmente guardam tu-do! E isso incomoda muito. Entre os efeitos colaterais estão insônia, baixa autoestima e depressão, entre outros.
A sensação é reconhecida entre homens e mulheres, no entanto, sabemos que elas são mais afeitas a pensar nessas coisas da vida, suas razões e efeitos.
Aos poucos você sente um peso esquisito, misto de culpa e impotência. A princípio, não identifica a razão – ou talvez não queira identificar.
A maturidade – independente da idade – pode nos preparar para um processo necessário para se viver melhor. Para mim o desapego tem sido uma das melhores coisas dos últimos tempos.
Você evita arrumar armários, não encontra aquela travessa que lembra vagamente ter comprado, e, finalmente, compra uma peça absolutamente igual? A casa vira um clone seu, arrumada por fora, mas em desordem interior. Meses de procrastinação, empurrando quase tudo para depois. Depois de quê, só Deus sabe.
O melhor a fazer é encarar a difícil missão de tornar sua vida mais leve – livrando-se do que não serve, não usa, não gosta ou não funciona – antes que desconfie ter certa vocação para acumulação patológica. (É só brincadeirinha.).
“Magica da Arrumação” de Marie Kondo, (especialista em organização) proporciona uma boa dose coragem; apesar de cansativo, o tal “desapego” tem sido um mergulho de autoconhecimento, libertador e, em alguns momentos, divertido.
Quem não comprou uma roupa linda que não servia, com preço de ocasião, jurando emagrecer para usá-la? Eu tinha um enxoval de vários manequins, alguns que talvez me coubessem aos 15 anos.
Para que, diabos, eu precisaria de um quimono? Um não, dois! E outras esquisitices dariam algumas crônicas.
Os exageros incluíam 100 forminhas de empadas, cafeteiras, das tradicionais às turcas, de ebulição, globinho, filtro de papel e alguns velhos e eficientes coadores de pano. Redes? Várias.
O desperdício que a acumulação causa tem muitas explicações que constituem um capítulo a parte. Imagine o quanto poderia ter viajado com o valor investido em tantas inutilidades?
Mulheres acumulam mais que homens, mas eles têm lá seus maus momentos. Conheço alguém que guarda centenas de publicações rurais – incluindo suplementos de diversos jornais – que pretende usar um dia. Detalhe; não tem fazenda, sítio ou quatro metros quadrados de terra. Outro guarda parafusos, chaves e toda sorte de tranqueiras e acha que é um colecionador.
Para que serve guardar todos os convites que recebe? Ou fotos que não lhe trazem alegria?
O momento em que se percebe o quanto “pesa” viver num ambiente com coisas que não são úteis e apenas lhe tomam espaço, é libertador.
Marie Kondo usa uma expressão que pode desestimular o processo: jogar fora. Pensar que o que guardou tanto tempo pode virar lixo impede que muitos se desapeguem. Pessoalmente, acho muito mais interessante separar o que deve ser descartado e o que pode ser doado – para pessoas ou entidades que mantém brechós para financiar parte de suas ações. Um destino nobre para minha calça jeans lindíssima e pequena demais, que hibernou no meu closet por mais de dez anos.
A crise que enfrentamos também está nos obrigando a pensar no que realmente precisamos para viver bem, sem lastro “morto”.
Você sabia que se pode reconhecer um acumulador pelas malas? Mas isso é assunto para a próxima terça. Bom dia!
(Continua)

Voando na van

(Belém, 27 de agosto de 2015)

Voando na van

Adoraria oferecer, durante uma daquelas reuniões demoradísimas da cúpula das empresas aéreas brasileiras, um lanche contendo, apenas e tão somente, o que nos servem em seus aviões.
Se quiserem baixar mais ainda o custo do meu lanche de hoje, haveria uma só opção: retirar a diáfana fatia da blanquet de peru, ou da do queijo que compoem um sanduíche frio e compacto, cuja aparência é um tanto cadavérica.
Francamente, no “atacado”, este sandubinha mequetrefe não passa de, no máximo, dois reais e cinquenta centavos. Incluindo 150 ml de guaraná, com cinco reais está paga a minha fatura- com lucro.
Fico impressionada com a falta de cuidado com a imagem da empresa junto aos seus clientes, sem nenhuma preocupação com a fidelização. No solo, o atendimento, algumas vezes, é permeado por má vontade e arrogância. No ar, em especial em vôos domésticos, parecemos estar a bordo de uma van, sem espaço para nossas gordurinhas, sem, sequer, aquela “menta” que refrescava o hálito e lembrava que uma nova aventura estava prestes a começar.
Ninguém é tolo para acreditar que os custos do vôo são fortemente impactados pelo catering, incluída a logística que o envolve.
Combustível, taxas aeroportuárias e impostos são muito mais determinantes.
Com tarifas astronômicas, não é raro aeronaves voando quase vazias; a solução, ao que parece, é aumentar a tarifa mais ainda, e cortar qualquer carinho com o cliente. Talvez cheguem a cobrar para usar ” a casinha”.
Duvido muito que empresas que vendem os lanches bordo cubram os custos , além disso, o que não é vendido, vira lixo. Prejuízo maior.
A questão levantada aqui, não é comer ou viajar com fome e sim a duvidosa decisão de não cativar o cliente.
A verdade: eles não ligam para nós.
Até hoje, brasileiros sentem saudade da Varig – cuja falência teve outras motivações.
Lembro de como era confortável viajar e almoçar um filé de frango com creme aspargos e de sobresa, uma mini Tarte Tatin. Tudo acompanhado de um vinho bem razoável.
Quando ouvia no rádio (em Belém fui a locutora local) às 22hs o “Varig é dona da noite” ( Oito segundos. A cada oito segundos um avião decola de algum lugar do Brasil ou do mundo. Varig…) eu parecia ouvir falar de uma empresa bem íntima, como se funcionasse ao lado da minha casa. Os passageiros tinham uma ligação afetiva com a Varig.
Naqueles bons tempos, aos sábados também era ótimo voar, durante o almoço, pela Transbrasil. A feijoada era deliciosa!
O passageiro se sentia acolhido e bem tratado, viajar tinha outro glamour.
Agora não.
Sinto – me a gorducha na van, sem espaço, sem eira e quase sem beira.
A aeromoça …Ops, são Comissários de Bordo… me pergunta o que quero beber.
Água.
Ela me entrega aquele pacote com aspecto duvidoso e tenho ímpetos de retrucar…”Como você acha que EU vou comer isso, assim, na frente de todos? É quase promiscuidade! Olha bem pra mim, querida!”
Mas a fome é cruel e ela não tem culpa e nem vai ligar se comer ou roer unhas…
Vou comendo meu sandubinha ” a morte lhe cai bem” , sem olhar para os lados, quase constrangida.
Depois, lembro que em outros vôos existe a first class, lá se come melhor e, maravilha dos deuses, dá para reclinar e até dormir sem ficar com a cabeça balançando, como num bólido da Central do Brasil.
Mas a gente vai de econômica, mesmo.
Enfim, faltam só duas horas e meia. E se essa loura me desse outro sanduba morfético, pelo menos eu parava com essa nostalgia toda – e com a fome. ( Bem feito, por não ter almoçado em casa!) Quem sabe ela sirva aquele sachet (pacote é exagero) com nove amendoins, para enganar o tempo?
Mastigando bem, talvez leve aí uns três minutos.
Vasculho a bolsa e acho dois Halls que devem estar no buraco negro desde o carnaval. Quer saber? Não tem tu, vai tu mesmo.
Bom dia!

Desabafo : Aff!

(Belém, 2 de outubro de 2015)

Aff!

Vou dizer uma coisa…
Estou cansada de gente mal educada.
As pessoas esbarram, passam na sua frente, tossem no seu rosto… E são incapazes de dizer “desculpe!”. Apenas isso.
Pulei da cama às 6h para pegar uma fila mais curta na clínica. O sujeito atrás está impaciente, com pernas cruzadas num espaço que mal cabe alguém sentado.
Ele muda de posição e o pé esbarra no meu traseiro. Lê o jornal que roça no meu cabelo.
Não, não é assédio. É grossura mesmo.
Ao lado dois conversam. A palavra mais repetida começa com k e não termina em cebola. Isso me irrita.
Não sou santa, mas palavrão é algo que tem hora e lugar, não suporto quem usa na presença de outros.
Agora chegou o primeiro maluco recalcado, reclamando, aos berros, que os barões são atendidos “na frente”… Tem gente que se sente perseguido até na hora de … Aff.

O nó na garganta

(Belém, 26 de Outubro de 2015)

O nó na garganta
Depois de quase quarenta dias entre Rio, Orlando, Croácia, Bósnia, Eslovênia e Lisboa, eis-me aqui.
Imaginei crônicas contando as belezas dos novos lugares e da gente que conheci. Material e inspiração não faltariam, jamais imaginei conhecer a Croácia, terra que mal sabia localizar. Eslovênia, nem se fala; o primeiro engano vinha quando perguntavam sobre a Eslováquia, que parece a mesma coisa, mas não é.
Quando o cronista se torna viajante, (ou seria o contrário?) é inevitável lembrar que nem todos apreciarão suas aventuras. Há quem sempre ache que é exibicionismo, mas antes de partir já havia decidido nem pensar nestes.
Essas férias maravilhosas seriam tema das próximas semanas, havia tanto a contar!
Minhas doces crônicas imaginárias, entretanto, pareciam murchar na garganta, como palavras que engasgam antes de pronunciadas. Será que a cronista havia “perdido a mão”, como se costuma dizer? O que aconteceu com a alegria de mergulhar nas águas geladas do Adriático, com peixes ao redor? Ou com a indignação ao ver um rabisco em chinês, numa parede do palácio de Diocleciano, em Split? Eram trechos prontos, podia ouvir minha voz dizendo cada palavra.
Não se engane quem acha que viajar resolve qualquer coisa. O cão leva suas pulgas aonde for.
Enquanto conhecia castelos e monumentos, parques e gente determinada a vencer tragédias e dificuldades para nós, inimagináveis, meu coração carregava o Brasil, e por ele se emocionava.
Todos os dias, pensei na minha terra e nos maus momentos que atravessa, sem que se tenha ideia do que nos aguarda. A cada descoberta, pensava que aqui poderia ser assim, também.
Não pense que sou tola para achar que tudo que é estrangeiro é bom, ou melhor. Não é isso. O que impacta é a certeza que poderíamos ser muito mais e que pagamos o ônus pela falta de educação, inclusive política. Quanto será necessário para bater mais que panelas?
Temos um país prodigioso em belezas naturais e paz, um povo cordato que perde, a cada dia, o paradigma do que é certo ou errado, do digno e do aviltante. Gente que esteve sendo treinada para receber migalhas e não para conquistar qualidade de vida. Que não deveria conformar-se em simplesmente sobreviver, com iogurte na geladeira e nenhuma biblioteca por perto.
Eleitos sob o manto da defesa dos trabalhadores e menos favorecidos, nossos dois últimos presidentes conseguiram minar, até, nossos valores mais íntimos.
No banco, meu inglês sofrível conversa com a simpática croata. Invariavelmente, quando nos descobrem brasileiros, a reação é de carinho. Diante do câmbio, cada dia menos favorável ao nosso dinheiro, o comentário soa como um lamento solidário. “O que está acontecendo com o Brasil?”
Não soube o que dizer. Percebi que o nó na garganta, que parecia aumentar quando lembrava da nossa terra, me impedia de enviar as boas impressões de lugares tão incomuns.
O nosso gigantesco cartão postal estava sendo transformado num mar de lama e vergonha; falar de quem corre para devolver-lhe 20 centavos de Kuna (cerca de R$0,12) pareceria provocação.
De volta, vejo as coisas piorarem a cada dia.
“Precisamos da CPMF para estabilizar as contas do país!” exclama a Presidenta dos discursos estapafúrdios, em Estocolmo. Nada do que fala faz sentido e não tem vergonha de mentir descaradamente. E ninguém, durante suas entrevistas, pergunta-lhe se consegue dormir, se não sente vergonha por ter emporcalhado a própria história e destruído nossos sonhos. Ela continua vendendo o país e as nossas chances de futuro promissor.
Era esse o sapo que não descia, esse o engasgar que não me deixava usufruir plenamente dos dias felizes.
Talvez seja sina, um destino do qual não se pode fugir, perder muito para valorizar o pouco; ter que lutar por algo que já possuímos e escorregou entre dedos desatentos.
Viajar não é apenas estar numa terra estrangeira, mas poder perceber seu próprio país como se fosse. E nem sempre é simples assim.

Prata

(Belém, 2 de novembro de 2015)

Prata
Leitora pergunta sobre as crônicas repletas de mulheres e amores maduros, diz-me que, de “realidade”, todos andamos saturados. Sem perceber, classifica o assunto sugerido como ficção. Sabemos que não é; pelo menos bem distante daqui, ainda existe vida amorosa para mulheres na terceira fase (solteirice, casamento e divórcio). Na contramão dos games, alguns casais conseguem manter-se na segunda fase por muitas temporadas; a maioria, entretanto, acaba partindo para novos desafios, virtuais ou reais.
Bem, isso é maneira de falar. Vamos ser francos? Segundo especialistas (IBGE, Revista Nova, Mirian Goldenberg e um monte de conhecidas…) falta homem maduro no mercado brasileiro e, em especial, em Belém. Os que chegaram aos 60 e ainda gostam do digamos, esporte bretão, parecem preferir gramados novos, jeans dos filhos e namoradas idem. Ou mais jovens ainda. Papai tá com tudo “em cima”, quem se lembra da “ex” ou dos seus desejos?
Todos viverão numa boa, enquanto papai não encasquetar de casar e transformar a moçoila em herdeira, meeira, manteúda ou outra barbaridade que homens apaixonados – e idosos- cometem. (Aos 60, você pode ainda ser gato ou namorar uma gatinha, mas perante a lei, nas filas, no estacionamento – ou para quem tem menos de 45 – querido, você é idoso. Não lamente, o “busão” é “de grátis” e o cinema vai sair pela metade.) E mamãe? Para começo de conversa, mãe “nunca se sente solitária”, têm “as amigas” (que os filhos agradecem por entretê-las enquanto não precisam delas), têm os netos (esses seres maravilhosos que, invariavelmente, esquecem-se das avós quando tiram a habilitação) e, enfim, mãe é para ficar trocando mensagens esotéricas e receitas no Facebook, sair com amigas igualmente livres (as que têm marido assistem à Zorra ou jantam no clube) ou viajar com a excursão promovida pelo Atacand. Sexo? Mães não pensam nessas coisas, querida, avós, então, nem em sonho. Namorar? Ficou louca, prima? Moootel? Isso não é lugar para minha mãe, gritarão filhos entredentes… Meu pai, vá lá, homem é homem, sabe como é.
Não sei. Nunca fui homem, se fui, em outra encarnação, esqueci como é que é. Mas conheço essa história sem fim, talvez isso explique a dose de realismo dessas linhas, cara amiga. O que posso dizer, além de escrever contos em que a sonhadora encontra o amor do passado (isso existe, juro!) ou o jovem senhor arrisca olhar para alguém cujos cabelos também pratearam sob o louro 7.11?
Viajar! Essa me parece a melhor sugestão para pessoas, homens ou mulheres, que querem flertar com a vida e com o cupido. Esqueça o grupo local, viaje em novas e inesperadas companhias, visite novos lugares, experimente outros sabores e músicas. Lembre que o cão leva suas pulgas aonde quer que vá, por isso, certifique-se que vai embarcar com o peito “aberto” como dizem por aí.
Falando sério, se você está realmente decidida a encontrar um parceiro, procure onde eles estão – num país distante, em São Paulo, na outra esquina. Talvez precise de passaporte, ou não, talvez necessite apenas de uma boa conexão; seja lá o que for, tente.
Arrisque-se. O frio no estômago vale a pena!
Ah, então você concorda que não existe felicidade para quem ficou só? Não, não acho nem uma coisa, nem outra; trata-se, tão somente, de saber escolher ser feliz. De qualquer modo.
Conheço mulheres que vivem sós por opção, não se sentem solitárias e são felizes. Isso é solitude.
Outras são felizes, mas… Sentem falta de estar numa relação, lamentam o tempo passar e acham que não terão “outra chance”. Isso é que é triste, ser feliz pela metade. Esse “mas…” faz toda a diferença.
Escrever a sua própria crônica, ter coragem para deixar-se surpreender e surpreender o mundo. Não pode ser tão difícil, a vida já lhe exigiu muito mais. (E ver a cara de quem achava que você “já era”, não tem preço!).

A tartaruga e o poste

Lula tem medo. E não é da justiça. O melhor que pode lhe acontecer é ser preso e tratado como ex-presidente.
Ele tem sido agredido verbalmente em todo lugar, aos berros de ladrão, canalha e bandido… O que teme, de fato, é a primeira pedra. Em seus pesadêlos, sabe que a barbárie pode atravessar seu caminho. O brasileiro não suporta mais o que fizeram ao país. Saquearam tudo. Agora, para terra arrasada, só falta o fogo e o estupro.
Nunca imaginei vivenciar tamanha podridão. E os petistas paraenses? Agora ainda têm coragem de afirmar que esse crápula é inocente? Não sentem raiva por terem sido otários ao apoiar esse verme?
Que podridão. Que lástima.

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