Socorro, o gerente sumiu!

 

Atualmente, em muitos estabelecimentos de Belém sente-se falta de alguém que “coloque o bloco na rua” como se diz.

Até um passado recente, o gerente era tão importante que só pelo andar notava-se a autoconfiança que transmitia a melhor das mensagens: aqui o cliente fica satisfeito!

Gerentes tinham poder de resolutividade e representavam, de fato e de direito, a empresa. Em muitas, eram olhos e ouvidos “do dono”.

Os tempos mudaram e os gerentes também. Pelo menos a maioria. Provavelmente o salário tenha se tornado pouco atraente para quem é capaz de gerenciar com a aplicação e sutileza de um maestro. A gerência competente não “aparece” e sim a equipe afinada, apesar de tão peculiares quanto uma orquestra em que violinos e bate-latas se harmonizam.

Talvez a distância entre a direção e o gerente tenha aumentado tanto, que este se sente mais próximo dos “colegas” do que da administração na qual está, pelo menos em tese, inserido. Essa proximidade dificulta exercer a liderança com mão firme na disciplina, na orientação, no atendimento. Gerentes precisam inspirar equipes!

Instituições que contam com pessoas vocacionadas e qualificadas, deviam distingui-las por meritocracia. Conheci uma empresa que facilitou a aquisição do primeiro carro de um jovem e promissor gerente. Não se tratou de “generosidade” e sim de investimento no profissional que tinha empatia com a equipe (o que é valioso!), mas precisava de distinção. É impressionante como temos “pudores” para tratar de hierarquia, como esse tipo de coisa não combinasse com uma “boa pessoa”. Ouvi de alguém que (estranhamente) trabalha em RH (Recursos Humanos) que “quem tem chefe é índio”. Tolice, barcos necessitam de comandantes. Ou chefes, ou líderes, tanto faz. Competentes e prestigiados.

Na lanchonete em que um só cafezinho é acompanhado por até oito sachês de adoçante, no atendimento da editora que exige falar com o assinante titular apenas para reenviar o exemplar extraviado, no bufê cujo garçom não sabe se o salgadinho é de camarão, no laboratório cujo recepcionista me chama de “meu amor”; em todos falta uma gerência eficaz (faz a coisa certa) e eficiente (faz da maneira certa).

Disciplina exige muitos exemplos e algumas vítimas. Os rapazes que vociferam palavrões no supermercado certamente teriam modos mais adequados se alguns já tivessem sofrido, pelo menos, uma advertência seguida de punição. Mas o gerente “coleguinha” dos seus comandados terá dificuldade em tomar uma atitude que o faça parecer antipático.

Certa vez um gerente de banco varreu, meticulosamente, a área dos caixas e, a seguir, instalou um cesto de lixo ao lado de cada um. Pareceu bobagem, mas o chefe limpando a bagunça deve ter tido algum tipo de efeito. Desde então, não titubeava em determinar que arrumassem “a casa”. Na semana seguinte, um funcionário iniciou os trabalhos com a camisa suja e amassada. Eu havia descoberto, num treinamento, que ele a deixava na gaveta do arquivo, durante até duas semanas, já que “odiava” mangas compridas e gravata. Como o gerente resolveria a questão, se, até recentemente, era um “deles”? A conversa deve ter sido tensa, o rapaz deixou a agência e, por algumas horas, foi substituído pelo chefe. Retornou ainda mal-humorado, a fim de encerrar o expediente e “bater o ponto”. Não o vi mais com camisa suja ou amarrotada.

O gerente precisa saber como agir com o público interno e externo. Precisa ter a exata noção do que é “atender” e como transmitir conhecimentos e ordens. Ter currículo, formação superior ou ser “parente do dono” não indica ninguém para essa função que pode determinar o sucesso ou o fiasco de um negócio.

Infelizmente, o que se vê em Belém é que, em muitos, não existe ninguém a quem tenha se atribuído autoridade para resolver problemas ou questões simples. Outros, dedicados e competentes, não parecem ser prestigiados. Os poucos que têm a felicidade de trabalhar com quem reconhece o valor do “maestro” despontam, para felicidade geral da clientela na qual me incluo.

Bom dia!

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