Estou lendo … “Cartas Anônimas” de Fernando Vita.

Todavia é uma cidadezinha minúscula, pacata e, para combater o tédio,

muitos se dedicam ao esporte do anonimato. (Me lembrou outra coisa…)

Cartas picantes, ácidas, e acima de tudo anônimas, manipulam os destinos

de Todavia. E o resultado é hilário.

Recomendo, principalmente se você está de saco cheio de coisas sombrias e da bandalheira nacional.

Perfeito para relaxar e esquecer políticos em geral.

Ler e coçar…(crônica)

Além da roubalheira na Assembléia Legislativa (quem sairá ileso?) a semana foi de discussões a respeito da educação que nossas crianças recebem – ou não.

O avião do Jornal Nacional passou e as matérias locais foram bem mais exemplares sobre o que é estudar em escola pública. No JN, Bonner e Fátima, o casal fofo da TV, apresentou uma inserção chocha; a carente Escola Emaús e a Rêgo Barros, a disciplina de quartel deu de dez. Sempre disse que disciplina é o começo de tudo, depois vem… Então tá, todo mundo já esqueceu o assunto, na TV o Dudu mostra um paraíso onde a merenda “dá água na boca” (o que pensa que somos? Idiotas?) e a Blitz JN não serviu pra quase nada, a não ser mostrar a menina Luane insistindo em aprender, quando tudo o mais é para fazê-la desistir de “ser Juíza”.

O livro da educadora (?) Heloisa Ramos , já foi (muito justamente) espinafrado, espero que a presidenta tenha a mesma presteza do recolhimento da Cartilha Contra Homofobia. (Se o recolhimento do livro fosse moeda de troca no Congresso, para poupar o Palocci… Enfim.)

Sábado chuvoso, lá vou eu para o shopping. Sou fã de livrarias; em Sampa, Verena e eu gastamos boas horas na Cultura e o Toscano (José Maria), que sabe disso, me trouxe as revistas, inclusive de outra (Livraria da Vila) na Vila Madalena, que vale conhecer. Pena que aqui a gente veja tanta loja de colchão, de modulados e farmácias sendo inauguradas, enquanto livrarias… Apesar de faltar muito para lembrar a Cultura, passaria horas na do shopping, sem tédio. Como não tinha nada específico em mente, fiquei lendo orelhas, feliz e em paz. Ao meu lado, mãe e dois meninos, entre dez e treze anos. Eles pareciam aborrecidos, até que o mais novo sentenciou:

-Vamos embora, já estou de saco cheio! E eu odiaria ganhar um livro…

Inacreditável que uma criança ficasse de “saco cheio” numa li-vra-ri-a! Lembrei-me de um pai (arrogante novo rico, que acha que Miami é cultura e educação é frescura), que ao repreender o filho arteiro e inconveniente, ameaçou: – Sossega ou vou te colocar para estudar!

O estudo – que deveria ser prazeroso (e que é associado à leitura!) – para aquele pai estúpido, é castigo. Condena o filho a ser um arremedo do pouco que ele próprio é. Que pena!

Nossa família tem leitores aplicados, desde a Tia Celita, passando pela prima Christina até os mais jovens. Minha Verena, sempre esteve às voltas com livros e computadores. Lia publicações semanais sem que a gente mandasse e gostava – muito – das obras juvenis que conquistaram gerações, de novos autores, best-sellers. Talvez eu devesse ter feito mais, mas não foi preciso. Ela sempre gostou de ler e receber um bom livro de presente não era abominável, pelo contrário. Carlos Henrique, meu meio-filho, também. Lê de tudo e troca livros e idéias comigo.

Quando era menina, pegava os livros de Monteiro Lobato da prima Beth, com gravuras caprichosamente coloridas a lápis pela própria – e eu mal sabia soletrar. Depois, na escola, Laura Ingalls era a minha favorita. Lamentei que os dois meninos ainda não tivessem quem lhes mostrasse a maravilha que é ler, e quantas viagens incríveis um bom livro possibilita. Mas no domingo, a Veja chegou trazendo um alento, a situação não é tão ruim e jovens gostam sim, de ler, amém.

Existe um projeto para aumentar a carga horária nas escolas, quem sabe alguém possa sugerir que voltem a ler em sala de aula? A velha e boa aula de leitura, se não formar leitores, pelo menos possibilitará ao jovem ler, em voz alta, sem passar vexame. E  entender o que lê, é claro.

Ler, é só começar! Já academia…Juro que começo na segunda!