Mais uma de Natal

Então é Natal!…

…Que chega antecipando despedidas, tornando-se mais especial ainda.

No Shopping lotado, procuro uma camiseta do Homem Aranha e só encontro tamanhos infantis. “Compra qualquer coisa”, sugere o colega. Como assim?

Presentes – mesmo as lembrancinhas – são exatamente isso, algo que se escolhe especialmente para alguém. Tem que ter “a ver”; se possível, ser “a cara”.

Confiro a lista que esbarrou em 60 nomes, entre familiares, amigos e colegas. Muitos é verdade, mas meu coração está em festa; se possível fosse, incluiria outros mais. Como o senhor que me cumprimenta alegremente todas as manhãs e disse que pediu ao filho para mostrar-lhe minhas netinhas no Facebook. Tem gentileza maior? Incluo o S. Antônio, tentando pensar em algo que ele gostasse, e que coubesse nesse orçamento.

Existe quem não perceba a presença de Jesus Cristo nessas comemorações; dizem até que Papai Noel é mais lembrado que Ele. Tolice.

Em tudo que acontece está o Seu toque. Nesse aperto no coração, nessa vontade de ligar para alguém apenas para dizer “Sinto falta de você”.

Nesse banzo que nos faz ter certeza da provisoriedade da vida e de tudo o mais.  Ah, se o tempo voltasse atrás e, como o Super Homem na canção, tivéssemos a chance de mudar não só o rumo da história, mas das nossas escolhas?

É Natal, fenômeno que transforma pessoas, toca corações com generosidade e nos faz elos de correntes do bem. O Natal nos faz solidários.

Penso no que poderia desejar para mim mesma… Constato que nem as viagens que ainda não fiz, fazem parte de desejos ardentes.

Esse foi um ano especial sob todos os aspectos. Todos.

Sem falsa modéstia ou temor dos olhos gordos que possam me enxergar, fui muitíssimo feliz e estou satisfeita comigo mesma. Bom isso, não é? Bom não, é ótimo!

Profissionalmente, venci desafios, aprendi muito e conquistei (graças a uma equipe dedicada!) os melhores resultados que poderíamos alcançar.

Pessoalmente, recebi a bênção de me tornar a avó coruja (e daí?) e agradecida de duas preciosidades: Clara e Maitê.

Amanhã a casa estará iluminada, com a minha pequena e amada família em volta da mesa onde o que mais importa, não é decoração ou cardápio repleto de frutas e coisas que farão estágio na geladeira antes de serem descartadas.

Estaremos todos unidos na esperança de que cada um conquiste a graça de receber o que lhe falta, seja saúde ou um bem material. Principalmente, estaremos juntos para celebrar e agradecer, trocando não presentes, mas afagos embrulhados em papel brilhante e fitas coloridas.

Vamos saborear o bacalhau da mamãe, as rabanadas da Sandra, lembrar que o peru que minha irmã faz é imbatível e sentir a falta, no fundo de nossos corações, dos ausentes.

É nosso primeiro Natal com as gêmeas e gostaria que meu pai – chamado por todos de “Vôzinho”- pudesse tê-las conhecido e compartilhado da bênção de amor que elas trouxeram. Amor que se renova a cada sorriso.

Sinto um aperto no peito, vontade de chorar como criança, mas tento confortar-me com a certeza que ele as conheceu antes mesmo que soubéssemos que viriam.

Acomodo-me para um café, esperando que o nó na garganta me deixe respirar. Em frente, o rapaz toma um chope lentamente, olhos tristes e úmidos fiscalizando o relógio. Parece decidir dar ao tempo mais uma chance.

Depois de pensar na vida, sinto a serenidade tomando conta de mim. Como é bom estar em paz.

Desisto do Homem Aranha e procuro o presentinho ideal para o Seu Antonio; de quebra, acrescento o André, sempre atencioso. Algo que signifique que eu não os esqueci, quando o Natal tocou meu coração- só isso.

Enquanto recolho as sacolas, olho para a mesa em frente. O homem dos olhos úmidos levanta-se e recebe uma jovem com um longo abraço. Ele estava chorando, sim.

Alcanço o corredor lotado imaginando quantos estarão dando ao tempo mais uma chance porque é Natal.

Adoro esse clima de filme de Frank Capra. Pessoas sorrindo um pouco mais, perdoando um pouco mais, amando um pouco mais.

E nisso tem muito de Jesus Cristo. Amém.

Feliz Natal!

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Pizza e panetone (Íntima e Pessoal)

Nossas pequenas tragédias seriam um enorme desperdício se não aprendêssemos nada. Naquela tarde-noite, se conseguisse falar, teria gritado: “Como assim? Pneumonia em dezembro? Fala sério!”. Mas mal me arrastava pelos corredores cheios de gente sentindo dores; a maioria, tossindo. Enquanto fazia a nebulização, tentei entender como é que “aquilo” tinha acontecido. No caso, uma pneumonia dupla, com líquido na pleura; mas poderia ser qualquer coisa, de espinhela caída à unha encravada, nada deveria atrapalhar meu já complicado mês de dezembro. Passei para o tomógrafo tentando me controlar, mas se aquele negócio fosse fechado, não deitaria de jeito nenhum… Não era.

Na enfermaria, chorei novamente, mais de dor do que piti. Se você quer experimentar novas emoções, esqueça “todos os tons” e tente um decadron seguido de claritromicina na veia; uau! Quem já usou ou é do ramo, me entende. Aff!

Os doutores alertaram sobre o tratamento: descanso absoluto, endovenosos duas vezes ao dia, muito líq… Absoluto? Quanto?

Completo. Nada de trabalhar, caminhar, levantar peso… Sair? Nem pensar! Re-pou-so, compreende? Não, não podia compreender. Não sei repousar, não sei ir “lá embaixo” (moro numa casa de dois pavimentos) sem “aproveitar” para levar alguma coisa, não sei “esperar” nada sem usar o tempo… E os meus planos? De repente, eu não tinha mais nenhum, além de dar tempo ao tempo, para que medicamentos, líquidos e canja de galinha fizessem sua parte. Meus projetos ficaram assim, jogados num canto qualquer; várias listas sem previsão: a dos presentes que pretendia comprar, dos ingredientes da ceia que talvez vire uma pizza de peru com nozes… Novas receitas “danamariabraga”, lembretes para comprar jogos de luzes e…  Então percebi que nada disso importava, tanto faz se você tem planos ambiciosos ou simples; se pretendia fazer a volta ao mundo ou simplesmente ajeitar uma velha árvore de Natal… Nem importa se é Natal ou carnaval; somos pequenos diante do universo, e acima de tudo, provisórios. E só agora me dava conta disso, quando dependia da minha doce Verena para resolver o que fosse possível…

Perdemos tempo, preocupados com bobagens enquanto ela, a vida, passa lá fora… Criamos empecilhos àquelas pequenas felicidades que poderiam nos brindar, amiúde. Roupa nova… Será que precisamos de tantas? E o por do sol que nem vimos? Jóias… Vamos usá-las onde, mesmo? E o telefonema para aquela pessoa em quem pensamos tanto e nunca tomamos a iniciativa?

O que aconteceria com o planeta se, eventualmente, minha ceia fosse, de fato, pizza e panetone? O Natal deixaria de acontecer simplesmente porque não tivera condições de organizar tudo como sempre? E para aquelas pessoas que dormem sob marquises, o que será que acontece na noite de 24 de dezembro? Ah, nossas “pequenices” não têm a menor importância.

Hoje, uma semana depois, fiz um esforço enorme para encarnar a melhora e exorcizar aquele astral que deixa o semblante moribundo e gosto de cabo de guarda chuva na boca. Arrisquei tingir as raízes brancas que pioram tudo e tomei um banho caprichado. Ajeitei o cabelo, afinal, minha pleura não iria estrebuchar só por causa do secador… Duas gotas de Paris (assim eu me conheço!) e até uns brinquinhos de argola e talquinho de nenê, pois acredito piamente que ajuda qualquer doente a sentir-se melhor. De repente, vi em mim a imagem da minha avó paterna, que aos 94, praticamente cega, todas as tardes após banhar-se e perfumar-se, aplicava talco e pó de arroz, tateando a face. “Para estar apresentável”, dizia. Tornei-me “apresentável” e recostei-me na “cadeira do papai”, para apreciar o final da tarde. Mesmo com pizza e panetone, ainda será Natal.

 

>T.P.N

> (Chuva, de Oswaldo Goeldi)

Ao contrário do que parece, não sou esfuziante; não o tempo todo.
Tenho momentos de introspecção, ouço o que me diz o silêncio, coisa freqüente no final do ano.
É, meu amigo João Carlos, você não está sozinho nessa vontade de chorar sem motivo, nesse pensar nas diferenças, afinal, o Natal é lindo, mas nem assim deixa de ser a festa mundial das desigualdades.
E pessoas mais sensíveis pensam nisso, entre uma compra e outra.
Ontem voltava para meu bairro, o Marco. Num farol, um senhor, com roupas puídas esandálias quase ralas, atravessava a rua, sob a chuva, uma sacola com não mais de três pães.

Com uma das mãos acenava , garantindo que estaria em segurança, pedindo a passagem (que tinha direito), na faixa de pedestres.
Só a cena me fez soluçar. Era o contraste da humildade com a intolerância do trânsito, onde covardes se portam como valentões.
Chorei pela chuva, pelos pães, por nós.
Fui tomada pela solidão dos que não foram chamados para a festa do amigo oculto.
Nada é pior que a sensação de estar sobrando.
Dos que não estavam nos shoppings garimpando um presente por nem terem uma lista.
Deve ser um horror, pior do que se desculpar o tempo todo, por ter tantos a comprar que serão “apenas lembrancinhas”. Nada que se receba no Natal será “apenas” uma lembrancinha, e sim um enorme aviso, para não esquecer jamais, que alguém lembrou de você.
Tensão Pré Natalalina, esse fenômeno que nos faz derramar lágrimas e até pensar em quem adormece com fome ou dor, abateu uma amiga, exemplo de fortaleza, que pediu licença e, bravamente, chorou até borrar o rímel.
Sentia-se cansada de tentar conciliar o inconciliável, de manter-se de pé, quando a vontade é desabar.
No meio dessa roda viva de comes e bebes, mais bebes do que comes, de carros novos, DVDs, promoções, viagens para paraísos que provavelmente nem saberei localizar, encontrei uma das razões desse “tilt” que Noel traz a reboque.
Estamos todos no mesmo vagão desse trem, mas nem sempre conversamos, trocamos idéias ou sinceridades. Nem sempre pedimos licença para chorar de apreensão antes que sejam lágrimas de mágoa ou raiva.E pior, sempre existe alguém para levantar uma possibilidade do que não existe, iniciar o tricô dos mal-entendidos.
Ufa! No final do ano, a bagagem de mão está pesada e precisamos aliviar a carga. Deixar tudo num canto para iniciar o próximo de mãos quase vazias e forças para arrastar um container.
Essa é a vida moderna, tu-do que pedimos a Deus.

Só não lembramos do ônus: reuniões de condomínio, descontos nos contra-cheques, vestibular da filha amada, malha-fina, cheques que nem Ele sabe quando conseguiremos descontar, shopping lotado de pessoas indecisas, churrascos calorentos, carros estranhos na nossa vaga, o açaí que azedou…Tudo parece acontecer em dezembro!

Não existe herói que sobreviva com cara de super ou algum caráter.
Ontem eu chorei, sim. Até perder o fôlego e a paciência, que o filme na HBO estava mais interessante, e sabe?, não sou muito boa com essas depressões.
Peguei o telefone e desabafei com quem deveria, deixei fluir minhas incertezas e finalmente vi que tudo se esclarecia. Acabei com os ruídos da minha comunicação.
Não sou boazinha, pelo contrário, sou uma peste. Tenho meus momentos “Clodovil” e quando elimino alguém, é de caso pensado, favas contadas e conferidas.
Jamais voltei atrás pela certeza de saber que gangrena é caso para amputação e ponto.
Mas estou mais sensível; é o clima nublado, o calor intolerável, o céu em lágrimas e os meus hormônios enlouquecidos.
Resguardo-me feito uma ostra tagarela, isolada, mas teclando compulsivamente.Lá fora, a chuva, o calor, e a agitação, me lembram que o Natal vai chegar. E passar, amém.

>Mas que diabos é isso?

>

Tenho vergonha de certa coisas que vemos em Belém.

Não sei quem foi o responsável por essa criação horrenda que a prefeitura espalhou na cidade, à guiza de decoração natalina. Que droga!

Sinceramente, poucas coisas superam esse mau gosto. O que é exatamente essa tenda apache?

A barraca de verão do Tonto? Uma árvore de natal?

Não acredito!

Além de ser pobre no pior sentido da palavra, é de um desrespeito enorme. Veja onde colocaram essa geringonça no largo de São Brás. Lauro Sodré deve estar ‘se revirando’, com toda razão!
Fosse o pai do autor da decoração ou do prefeito…Será que permitiriam tamanho descalabro? Acho que não.

Belém precisa de respeito, não só da população, mas de quem administra a tal da ‘coisa pública’.

Tenho vergonha, muita vergonha cada vez que vejo que nossa cidade é tratada como uma provinciazinha de última!

Como diz um amigo, Nova Délhi é aqui.

Quer ver?

Passe na Paratur. Dê uma olhada naquela baiúca horrorosa, de aspecto sujo, brega até não poder mais…O que é aquilo?

No órgão que deveria cuidar da imagem que o turista leva do estado, em pouco mais de dois anos o que era cantina virou quitanda, uma barraca que faria feio no Ver-o-peso!

E todo mundo senta ali e come as gororobas servidas sem higiene. O esgoto? Vá dar uma olhada, Senhora Dona Governadora. Corre pela calçada e “voilá”: Jambu, rabo de camarão e restos do vatapazão seguem pela vala, alimentando nossos ratos parrudos!

O que é isso? É Belém, meus caros. É Pará!

Isola!

Na foto, a ‘instalação do natal”. Para que pudéssemos ver melhor (argh!) ainda suspenderam um pouco o que deve ser (?) um Présépio. Ou outra coisa qualquer!

Com perdão da palavra, isso não é decoração, é uma bosta!

>Já é Natal, de novo!

>

Amanhã é Natal!
Tempo de desejar felicidade, saúde; prosperidade.
Tempo de pedir desculpas, de esquecer velhas inimizades, encrencas tolas que se tornaram correntes.
Amanhã é Natal.
Eu deveria procurar todos os que não fiz o menor esforço para encontrar durante esse e outros anos.
Quem sabe oferecer um cartão, um vinho quase raro ou um belo e comum pão de frutas, com um lembrete de que amizades devem resistir a tudo isso, inclusive ao parentesco?
Será que resistem ao pouco caso? Ah, é tanta coisa para tão pouco tempo.
Sempre existe um presente faltando; nem sei pra que temos tanto trabalho para entregar o pacote escusando-se, pois é sempre “só uma lembrancinha”, ano após ano. Lembrança não admite diminutivo, é plena e impagável.
Tão pouco tempo…Fritar as rabanadas que passarão uns dias na geladeira, cobertas por papel alumínio, ao lado de tantos potinhos com monte de coisas que jamais apreciei; afinal, porque compro tâmaras secas e aquelas coisas que nem consigo mastigar? Damasco…Desde quando como damasco, assim, “a seco”? Ah, não tive tempo para tanta coisa que gostaria de ter feito e ainda vou ter que atender telefone, enquanto suo em bicas tirando e colocando o bacalhau mais um pouquinho no forno. Mas estou excitadíssima, amanhã é Natal; já conferi mil vezes aquela listinha que só faz crescer e sempre falta alguém.
Na verdade, já entreguei quase tudo, no dia, ufa!, estarei cansada demais.
E então, ho,ho,ho,ho; todos teremos um Feliz Natal, amém, Senhor.
Como queria que esses votos se transformassem em realidade, como queria mais uma confraternização, mas cadê tempo?
Depois de amanhã, a vida segue igual; e do Natal só sobrarão papéis espalhados pela casa e algumas rabanadas na geladeira.

FOTO: Francisco M S Botelho www.img.olhares.com/data/big/46/463026.jpg