>ma oração desesperada

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São três e meia da madrugada. A segunda-feira já chegou e me encontrou insone, coração angustiado. Devo-lhes um pedido de desculpas por esse texto tão ruim, essa promessa de sorrisos que não sei onde encontrar; hoje não.Não há graça nesse restinho de noite arrastada, no galo sem relógio do quintal ao lado; não consigo escrever, nenhum assunto me anima, sequer tenho vontade de retocar uma página parida num momento de alegria.Meu pensamento voa e se aninha na aura de Isabela. Ela me cala, me deixa sem fala e sem pauta. Isabela é cada criança que vemos passar, cada sorriso que espreitamos nessas rotinas que nos consomem; um menino que corre entre as cadeiras, a menina desdentada e faceira, contando sua última arte. Quem consegue esquecê-la, mesmo quando se quer brindar mais um bom dia? Quem não pede a Deus que se descubra um louco; ou dois, qualquer um que não seja o pai ou a tia Carol?Todas as coisas dessa nossa vidinha sem importância assumem a verdadeira dimensão – valem pouco, quase nada. Descobrimos que perdemos muito tempo com banalidades e mesquinharias e não enxergamos outros dramas que se desenrolam ao lado, sem TV, sem impacto.Nossas pequenas invejas e vinganças, implicâncias mal disfarçadas e perseguições – é o colega que incomoda nem sei bem a razão, o amigo que está mais feliz que o suportável, aquela que ‘se acha’…Ou os filhos da ex, que insistem em acompanhar (e atrapalhar) nossos finais de semana.Quantas vezes nos deixamos dominar pelo ciúme que envenena e descontamos nos pequenos que sobraram das uniões desfeitas ? Ah, não me diga que nunca viu algo assim.O mais aterrador é que essa família poderia estar na porta em frente. Ou no quarto ao lado. Poderia ser eu, ou você.Isabela pode ser a encarnação desses filhos de casamentos mal acabados, da paternidade vivida como obrigação – ou vingança – com hora marcada. Vítimas do desamor, do ciúme descabido, do desentendimento e, principalmente, da distância das coisas de Deus e da família.Crianças que a gente até finge que não existem, agredidas por gestos e palavras; ah, a palavra, essa arma tão perigosa…Sempre acreditei que é na separação que o casal precisa se entender, realmente. Alguém disse que certos divórcios são civilizados demais. Não, nunca é demais entendimento, conversa, respeito sincero que estabeleça uma aliança que há de cercar os filhos, esses de quem nunca nos divorciamos- apesar da distância e das novas famílias que se formam.Estar com alguém que já tem filhos exige uma dose enorme de compreensão, tolerância, desapego e muito amor. Isso não é para qualquer um.Não tenha filhos com quem não sabe amar os que você já tem. Não os leve para perto de quem não quer abrir o coração para que todos convivam em paz. Não existe a menor possibilidade de harmonia.Eu, que achava já ter vivido e visto o bastante, quedo-me, sem entendimento e sem respostas.O tempo nos fará esquecer Isabela; nossas crianças, essas, permanecerão. Que Deus as proteja de nossa imperfeição.Livra-nos, Meu Deus, dessa fúria insana, desse desamor que nos transforma em seres sem par. Não nos permite perder a capacidade de chorar, de temer, de amar, de perdoar. De respeitar e calar antes de proferir a agressão.Dá-nos um momento de lucidez quando tudo perder o sentido e o mal nos privar da razão.Enche nossos olhos de lágrimas e faz-nos tremer as pernas diante do terror, que não tenhamos frieza para mais um passo. (veracascaes@gmail.com)
Postado por Vera Cascaes às 14:46
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2 comentários:
PD disse…
Tudo triste demais, não é?
1 de Maio de 2008 17:53
Tatiana Brandão disse…
Amiga deixei um meme para vc no meu bloger olhe lá http://baboseirascom.blogspot.com/
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>Ritual de Passagem

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Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude dos índios Cherokees?

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.

O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.

Ele não pode gritar por socorro para ninguém. Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.

Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.

O menino está naturalmente amedrontado. Pode ouvir toda espécie de barulho. Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.

Talvez alguns humanos possam feri-lo.

Os insetos e cobras podem vir picá-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede.

O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.

Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem. Finalmente…

Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.

Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.

Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.

Nós também nunca estamos sozinhos! Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, ‘sentado ao nosso lado’.

Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.

Se você gostou desta história, repasse-a.

E evite tirar a sua venda antes do amanhecer…

Moral da história: Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele nao esteja conosco.

Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material.