Chegaaaaaaaaa!

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Dizem que opinião e pescoço, cada um tem o seu. Pois é, para evitar confusão, tento lembrar disso mas às vezes é tão difícil… Sei que é mais prudente calar a dizer o que penso sinceramente. Já escrever… Aqui, nesse espacinho, não consigo abandonar a franqueza e a transparência; sou como sou e o resto; bem, o resto a gente resolve depois…Ou dane-se, o resto.
O caso é que escuto coisas e fico naquela “cuíra” para devolver a bola exatamente como recebi: fervendo. E nem sempre posso, não é?
No dia a dia, quando é para apontar erros alheios, usamos vários pesos e muitas medida; é mais quem se habilita a uma crítica… Já para olhar o próprio rabo… Somos humanos, mas quando a parcialidade vira vício, custo a lembrar disso.
Reclamamos que “o povo” não tem educação, “o povo” atende mal, “o povo” não sabe escrever, isso e aquilo. Nós, afinal de contas, não somos o tal do povo, que emporcalha a cidade com lixo, que atira coisas pela janela, escreve porcalhão com “x” e blá, blá, blá… Eles, os que são “povo” (pobres e sem educação) são a desgraça e nós…A elite, não é? Somos os elegantes e bem educados. Então tá.
Enquanto isso, na Batcaverna… Mulheres chiquérrimas, equilibradas em Louboutins de reluzentes solas vermelhas, passam a mão no sousplat e amontoam trufas e docinhos sem nenhum constrangimento, enquanto os filhos correm pelo salão, pisoteando o chocolate. Na mesa ao lado, o rotundo senhor reclama da idade do scoth e quer que baixem o volume da música enquanto os rapazes da banda e-xi-gem (assim mesmo) uma mesa especialmente reservada para suas…Namoradas. (Meigo,isso!) Todas em mini vestidos que mais parecem blusinhas brilhantes e chicletes misturados ao gloss. Purpurinado, claro… No banheiro, uma jovem senhora limpa o batom nas toalhas monografadas da cesta de conveniências, a fim de retocar a maquiagem.Os lencinhos de papel estão ao lado… Na entrada, alguém atrasado “exige” sentar com os amigos e arremata: “Sabe quem sou eu?”.
É o inferno? Não, querida, bodas de pessoas como eu ou você; um casal bem relacionado comemorando vinte anos de casamento. O inferno, já se disse, são os outros.
Francamente? Nenhum anfitrião merece! Aliás, ninguém merece falta de modos! Arre, onde anda meu Calman?
Fico imaginando o que mais pode acontecer na balada de Belém, quando alguém me conta que durante sua festa, “sumiram” oitenta e poucos guardanapos. Como, “sumiram”, cara pálida? Simples: viraram marmitas para alguns docinhos ou foram dobrados sem cerimônia e colocados nos bolsos e nas bolsas… E não era o povo, os pobres e sem educação. Eram os nossos colegas de mesa! Como alguém tem co-ra-gem de juntar docinhos em guardanapos (do bufê!) e sair assim, com essa cara lavada, (aliás, bem maquiada) achando normal? O que essas pessoas andam cheirando além do insuportável Poison? (Será que eu é que ando chata demais?). Como alguém “passa a mão”em 12 cartelas de Engov da cesta do banheiro e leva feito suvenir, na cara dura?
E minha amiga festeira arremata: Ah, faz parte…
Pra mim, nada disso faz parte, mas…
Ah, o que somos capazes de fazer por um docinho! Por isso, uma colega resolveu inovar e oferecer mimosas caixinhas para quem quisesse levar um, digamos, lanchinho. Ela ainda me conta que na festa dos quinze anos da filha, rapazes furaram as toalhas com cigarro… Dezenas de furinhos fazendo ondas… Quem são essas criaturas? De qual invasão saíram? Não, querida, são nossos filhos, me adverte a outra… Nossos não, cara pálida sem noção! Dos outros, que fique bem claro, por que se fossem meus…
Lixo? Quase a mesma coisa. A madame reclama do “povo” mas joga a embalagem do lanche pela janela do carrão: É bio-degradável, se desculpa. Vai “desmanchar” na primeira chuva…E daí, minha senhora? Cocô também desmancha na água, vai jogar na calçada?
Fico matutando sobre a preocupação geral com o planeta que vamos deixar para o nossos filhos… Não deveríamos inverter a questão? Afinal, quem estamos educando para herdar o planeta? Uns idiotas que sabem tudo de tecnologia mas não sabem dar bom dia ou levantar para um idoso? Uns Tiriricas que não sabem escrever direito e tudo é “naum, miguxa, kara, tah ligado, phoda…”
Dizem que palavras voam, exemplos arrastam. .. Será que isso aqui ainda tem jeito? Se depender da gente, a vaca já está no brejo. Sem calcinhas.

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>Isso são modos?

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Gente, perguntar não ofende. Principalmente quando dá para fazê-lo assim, sem ser cara a cara: onde foi parar a boa educação do nosso jet-set?Alguns acontecimentos me fazem voltar ao Marajó da minha infância, e ficar “matutando”.Recentemente, num casamento, fiquei “passada e engomada” com a falta de modos dos convidados. A noiva passou apenas quinze minutos, em fotos familiares no altar e, pasmem queridos, ao virar-se para sair, encontrou a Igreja de Santo Alexandre semideserta. Seus convidados, pessoas especiais com certeza, deviam estar esfomeados, só pode ser essa a razão, e partiram, disputando um rally pela cidade, rumo ao bufê…onde dezenas de casais já estavam acomodados. Que feio!Tem gente que nem vai mais à igreja, segue direto para a recepção. Pode, Freud?A impontualidade virou regra. Coisa de gente despreparada, mesmo!
Uma outra noiva passou quarenta minutos dentro do carro…esperando a chegada de padrinhos…que não mereciam ter recebido convite tão especial, se não têm competência para chegar dez minutos antes…Existe uma feijoada filantrópica que costumo freqüentar. É uma ocasião para rever amigas, colaborar com necessitados, mas… Senhoras da mais alta estirpe se acotovelam num espetáculo dantesco (dantesco é ótimo, né?) disputando um pedaço de chouriço ou uma fatia de torta…Patético!É um grande bolo de senhoras quase se estapeando, um amontoado de traseiros bem cevados, transformando um almocinho solidário num rega-bofe de última.E juro por Deus, é um programinha de dez reais e tem madame que manda o motora ir buscar sua “dose”, numa quentinha, já que não pôde ir.O que aconteceu com as pessoas finas, caíram pelo ralo?Numa festa de quinze anos, jovens detonaram a mesa dos doces na entrada. Como se o gesto de grosseria justificasse, senhoras portando elegantes e carésimos vestidos, passaram a mão em pratos de jantar e, (perdoai-as, Senhor!), encheram cada qual o seu e levaram ‘suas marmitas’ até as mesas, para serem degustadas após o jantar…que ainda nem havia sido servido.As boas maneiras foram para o espaço, junto com a nossa elegância. De que adianta uma roupa cara demais para pouco preparo?Senhoras falam com talheres à mão, numa exibição de esgrima.Nos embarques vejo, hor-ro-ri-za-da, pessoas apressando o passo para driblar uma jovem mãe com bebê, e tal da baby-bag nas mãos…Por outro lado, fomos ficando acostumadas a falta de glamour…Eu, meu bem, sou do tempo em que homens levantavam cada vez que nós, mulheres, deixavámos a mesa. Eles abriam a porta do carro, verificavam se nossas saias estavam acomodadas, fechavam com de-li-ca-de-za e aí sim, davam a volta.Desciam escadas sempre a nossa frente e andavam pelo lado de fora das calçadas.Homens que ainda nos davam livros – bons – de presente. E um brilhantinho que a gente também gosta, claro.Que nos convidavam a dançar. Ao final, agradeciam a gentileza e nos acompanhavam de volta a mesa. Hoje é um gesto de cabeça, tipo “topa?” e zero emoção.Quando nos buscavam em casa, não ficavam buzinando. Desciam, cumprimentavam os presentes e nos acompanhavam…Bons tempos.Nessa época se comia de boca fechada e ninguém seria capaz de indagar sobre sua vida sexual durante um jantar…principalmente sendo um amigo.Educação é artigo original de fábrica. Mas pode ser acessório adquirido por quem não teve, digamos, berço.Parabenizar pessoas em datas especiais, ser pontual, gentil, não falar alto nem beber demais, dar assento a uma pessoa mais velha, facilitar o acesso de grávidas e crianças, tudo isso é tão básico que nunca imaginei que seria artigo raro.Mas os espetáculos a que somos submetidos nos fazem imaginar se os inadequados seremos nós…Isso não é frescura não, querida. Isso são bons modos!veracascaes@gmail.com
Postado por Vera Cascaes às 22:36 1 comentários